O Santander (SANB11) anunciou mudanças significativas em sua carteira recomendada de ações para o mês de outubro, promovendo uma revisão estratégica em meio ao cenário de afrouxamento monetário no Brasil. A principal movimentação foi a redução da posição no Nubank (ROXO34) — um dos papéis mais aquecidos nos últimos meses — para ampliar a exposição em Bradesco (BBDC4), banco tradicional com grande capacidade de alavancagem operacional em um ambiente de juros mais baixos.
Santander ajusta carteira de recomendações e indica Bradesco no lugar do Nubank
Santander reduz Nubank (ROXO34) e aumenta Bradesco (BBDC4) em carteira de outubro, atento à queda da Selic e à eficiência financeira.
Segundo os analistas do Santander, o movimento representa uma postura mais cautelosa diante das oscilações do mercado e um reposicionamento tático para capturar oportunidades mais defensivas e resilientes.
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Bradesco deve se beneficiar do ciclo de corte na Selic
ROE em alta e múltiplos mais atrativos
De acordo com o relatório divulgado aos investidores, os analistas do Santander veem o Bradesco como um dos bancos com maior potencial de valorização no atual ciclo econômico, devido à queda da taxa Selic e seus impactos nos custos de funding, margens financeiras e melhora no crédito.
“O caminho para normalização é visível, em nosso ponto de vista, à medida que os menores custos de funding, ganhos de eficiência e um melhor ciclo de crédito dão suporte para que o ROE retorne a patamares mais elevados”, escreveram os analistas.
A expectativa do Santander é que o Bradesco possa entregar um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) próximo a 17% em 2026, o que, na visão do banco, justificaria revisões positivas nos múltiplos da ação (como P/VPA e P/L), além de impulsionar sua atratividade frente a concorrentes.
Nubank segue com fundamentos sólidos, mas rali justifica saída tática
Após alta de 7% em setembro, banco digital deixa a carteira
Apesar de destacar que a tese estrutural do Nubank segue atrativa no longo prazo, o Santander decidiu remover a ação ROXO34 da carteira recomendada neste mês.
Segundo o banco, o papel teve uma valorização expressiva de 7% em setembro, superando o ETF EWZ, que replica o desempenho do Ibovespa no exterior e avançou 4% no mesmo período. Essa performance, de acordo com os analistas, abriu espaço para uma realização parcial dos lucros, diante de uma postura mais defensiva adotada no curto prazo.
“Seguimos gostando da história estrutural, mas decidimos remover o papel da carteira após o forte rali recente”, explica o relatório.
Postura mais cautelosa e menos volátil

Redução de ativos com performance elevada nos últimos meses
O movimento envolvendo Nubank e Bradesco faz parte de uma estratégia mais conservadora para o mês de outubro, considerando a volatilidade persistente no cenário global e a rotação de carteiras por parte dos investidores locais.
Além do Nubank, o Santander também reduziu posições em outros papéis que haviam acumulado altas significativas recentemente. Entre os ativos ajustados estão:
- Banco Inter (INBR32)
- C&A (CEAB3)
- Rede D’Or (RDOR3)
- BTG Pactual (BPAC11)
“Com base em nossas conversas com o mercado, muitos investidores locais estão reduzindo exposição ou realocando investimentos em ações, de forma tática, para setores mais defensivos, reduzindo a volatilidade de seu portfólio”, diz o relatório do banco.
Setor de energia também passa por ajustes
Copel perde espaço; Eneva é reforçada
Além das movimentações no setor financeiro, o Santander também promoveu ajustes na exposição ao segmento de energia, com destaque para a redução de participação na Copel (CPLE6).
O motivo apontado é o overhang causado pela possível venda de ações da companhia pelo BNDES, o que pode pressionar os papéis no curto prazo em razão de um excesso de oferta no mercado.
Por outro lado, o Santander aumentou a posição em Eneva (ENEV3), destacando que a companhia deve se beneficiar do uso intensificado de termelétricas em 2025, além de manter fluxos de caixa robustos, mesmo diante de investimentos em novos projetos de geração.
Entradas estrangeiras reforçam otimismo com Brasil
Fluxo internacional permanece positivo
Apesar da cautela no ajuste da carteira, o Santander ressalta que o cenário global segue favorável para mercados emergentes, em especial o Brasil, que continua atraindo capitais estrangeiros para a bolsa.
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Segundo o banco, os investidores internacionais seguem aumentando sua exposição em ações brasileiras, com entradas líquidas de R$ 18,3 bilhões nos últimos 12 meses, sendo R$ 3,8 bilhões somente em setembro.
“O estrangeiro continua colocando o dinheiro para trabalhar nas ações brasileiras, e isso é um vetor importante de sustentação do mercado”, afirma o relatório.
Estratégia tática para um ambiente desafiador
Santander foca em qualidade, rentabilidade e liquidez
As mudanças realizadas refletem uma estratégia tática voltada para equilíbrio entre performance e proteção de portfólio, aproveitando os efeitos esperados da política monetária do Banco Central do Brasil e das recomposições de risco no cenário internacional.
A carteira para outubro, segundo o Santander, busca:
- Empresas com alta geração de caixa;
- Baixa alavancagem financeira;
- Perspectiva de melhora de rentabilidade com a queda dos juros;
- Boa liquidez no mercado secundário.
Reações do mercado
Especialistas avaliam ajuste como prudente
Analistas independentes do mercado financeiro avaliaram como acertada a decisão do Santander de realizar lucros em papéis como Nubank e Inter, ao mesmo tempo em que aposta em empresas com histórico consolidado, como Bradesco e Eneva.
“O Nubank já vinha apresentando um desempenho superior ao mercado. Em momentos de maior cautela, faz sentido rebalancear a carteira para nomes com fundamentos sólidos e mais previsibilidade de resultados”, afirmou Carla Souza, estrategista da L2 Capital.
Além disso, as expectativas de novos cortes da Selic, que atualmente está em 10,75% ao ano, favorecem empresas financeiras tradicionais, com grande volume de crédito e forte base de captação, como é o caso do Bradesco.
Visão geral das mudanças na carteira do Santander – Outubro 2025

| Ação | Código | Movimento | Justificativa |
|---|---|---|---|
| Nubank | ROXO34 | Redução total | Realização após rali de 7% em setembro |
| Bradesco | BBDC4 | Aumento | Benefícios com Selic menor e ROE estimado |
| Inter | INBR32 | Redução | Menor volatilidade desejada no portfólio |
| C&A | CEAB3 | Redução | Alta recente e foco em defesa |
| Rede D’Or | RDOR3 | Redução | Realização parcial após valorização |
| BTG Pactual | BPAC11 | Redução | Estratégia mais conservadora no financeiro |
| Copel | CPLE6 | Redução | Risco de overhang com venda do BNDES |
| Eneva | ENEV3 | Aumento | Benefício com uso de térmicas e bom caixa |
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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