O Santander promoveu uma reestruturação significativa em sua carteira recomendada de ações com foco em dividendos para o mês de junho de 2025. Entre os destaques, o banco retirou Banco do Brasil (BBAS3), B3 (B3SA3) e Porto Seguro (PSSA3) do portfólio, substituindo essas ações por Alupar (ALUP11), BTG Pactual (BPAC11) e OdontoPrev (ODPV3). A decisão foi justificada por uma combinação de fatores, que incluem decepção com resultados corporativos, revisões de projeções e realização de lucros.
A nova carteira reflete uma visão mais cautelosa sobre empresas que apresentaram fragilidades no último trimestre e uma aposta em nomes com maior potencial de valorização e distribuição de dividendos sustentáveis no médio prazo.
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Banco do Brasil (BBAS3) perde espaço após frustração com resultados
A exclusão das ações do Banco do Brasil é uma das mais significativas do mês. Segundo os analistas do Santander, o movimento foi motivado pela pressão nos papéis após a divulgação do resultado do primeiro trimestre, que ficou abaixo do esperado.
Guidance em revisão aumentou incertezas
Outro fator que pesou na decisão foi a revisão do guidance de 2025, que impactou as projeções de:
- Custo do crédito
- Margem financeira bruta
- Lucro líquido ajustado
Essa sinalização de incerteza levou o Santander a rebaixar a recomendação de BBAS3 de “compra” para “manutenção”, alterando também o preço-alvo para 2025 de R$ 45 para R$ 26.
Dúvidas sobre o payout
Embora o Banco do Brasil historicamente apresente bons pagamentos de dividendos, a expectativa de uma Selic mais baixa em 2026 tende a reduzir o ganho financeiro, diminuindo a atratividade do papel em estratégias voltadas à geração de renda passiva.
“Não estamos recomendando o BB para estratégias de dividendos”, afirmou o time de análise do Santander.
B3 e Porto Seguro saem da carteira após forte valorização
As ações da B3 (B3SA3) e da Porto Seguro (PSSA3) foram excluídas não por fragilidade operacional, mas sim por razões ligadas à realização de lucros e pouco espaço para valorização adicional.
B3: preço próximo ao teto
A B3 acumulou uma valorização de 40% desde sua entrada na carteira, e atualmente negocia a um P/L de 16,3 vezes, já próxima do preço-alvo de R$ 15 estabelecido pelo banco.
Embora os analistas ainda vejam boas perspectivas de longo prazo para a empresa, decidiram substituí-la por BTG Pactual, que estaria mais bem posicionado para capturar os benefícios de um possível bull market nos mercados de capitais brasileiros.
Porto Seguro: limite atingido
No caso da Porto Seguro, a valorização recente de 42% também pesou na saída da ação da carteira. O papel superou o preço-alvo de R$ 46 e, segundo o Santander, há pouco espaço para revisões positivas de lucro no consenso para 2025.
Diante desse cenário, a escolha foi rotacionar o portfólio, priorizando ativos com potencial de valorização e dividendo ainda não totalmente precificado.
As novas apostas do Santander: Alupar, BTG e OdontoPrev
A entrada de Alupar, BTG Pactual e OdontoPrev na carteira de dividendos de junho representa uma mudança estratégica no perfil das ações escolhidas, com foco na resiliência operacional, boa governança e capacidade de remunerar os acionistas mesmo em cenários desafiadores.
Alupar (ALUP11)
A Alupar, empresa do setor de energia com forte atuação em transmissão, entra na carteira como ativo defensivo, com histórico consistente de pagamento de dividendos e geração de caixa.
Com receitas estáveis e boa previsibilidade de fluxo financeiro, a companhia costuma apresentar payouts elevados e atrativos para investidores focados em renda.
BTG Pactual (BPAC11)
O BTG Pactual foi escolhido como substituto da B3 no segmento de mercado de capitais. O banco está exposto a uma possível retomada mais robusta do mercado financeiro, com aumento de IPOs, fusões e aquisições e negociações de ativos.
Com uma estrutura de custos mais enxuta e modelo de negócios diversificado, o BTG aparece como forte candidato a ganhar participação de mercado e distribuir dividendos mais generosos nos próximos trimestres.
OdontoPrev (ODPV3)
A OdontoPrev, líder no segmento de planos odontológicos, completa as novas adições. A empresa se destaca por sua alta lucratividade, baixa necessidade de capital intensivo e histórico sólido de distribuição de lucros.
A escolha reflete a aposta do Santander em empresas com modelo recorrente e estável, capazes de manter bons dividendos mesmo em ciclos econômicos menos favoráveis.
Nova composição da carteira de dividendos para junho

Com as alterações, a carteira recomendada de dividendos do Santander para junho de 2025 passa a ser composta por:
- Alupar (ALUP11)
- BTG Pactual (BPAC11)
- Copel (CPLE6)
- CPFL Energia (CPFE3)
- Cury (CURY3)
- Itaú Unibanco (ITUB4)
- OdontoPrev (ODPV3)
- Petrobras (PETR3)
- Telefônica Brasil (VIVT3)
- Vale (VALE3)
Setores representados
A carteira mantém diversificação setorial, com presença de:
- Energia (Alupar, Copel, CPFL)
- Finanças (BTG, Itaú)
- Commodities (Petrobras, Vale)
- Consumo e saúde (Cury, OdontoPrev)
- Telecomunicações (Telefônica)
A distribuição busca equilibrar resiliência com potencial de valorização, em um momento de transição econômica, com inflação sob controle e expectativa de queda nos juros em 2026.
Estratégia do Santander: foco em qualidade e estabilidade
Ao fazer os ajustes na carteira, o Santander reforça sua preferência por empresas com:
- Governança sólida
- Geração de caixa consistente
- Baixo endividamento
- Histórico de dividendos sustentáveis
A movimentação também revela uma postura mais criteriosa com relação a preço e momento de mercado, realizando lucros onde o upside parece esgotado e redirecionando o portfólio para ativos com melhor relação risco-retorno.
O que isso significa para o investidor?

A exclusão de BBAS3, B3SA3 e PSSA3 não indica necessariamente fragilidade estrutural das empresas, mas sim um ajuste tático de curto a médio prazo. Para investidores que priorizam renda passiva por meio de dividendos, a nova carteira pode representar melhores oportunidades de retorno ajustado ao risco, com ações ainda longe de seus tetos de valorização.
Além disso, a seleção do Santander pode servir como referência para montagem de carteiras pessoais, especialmente para quem busca estabilidade em tempos de transição monetária e política fiscal mais apertada.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
