No Brasil, a Previdência Social exerce um papel vital na proteção dos trabalhadores. É ela quem assegura amparo em situações como aposentadoria, doença, invalidez, entre outras que comprometam a capacidade de trabalho. Dentro dessa estrutura, há a figura do segurado facultativo, uma modalidade que permite a adesão voluntária ao sistema previdenciário, garantindo direitos mesmo para quem não exerce atividade remunerada.
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Descubra quem pode ser segurado facultativo do INSS, como funciona a contribuição, os planos disponíveis e os benefícios da previdência social no Brasil.
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O que é um segurado facultativo?

Ao contrário dos segurados obrigatórios – como empregados com carteira assinada, autônomos, e trabalhadores avulsos –, que são automaticamente filiados ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS), o segurado facultativo decide, por conta própria, aderir ao sistema.
A adesão se dá por meio de uma inscrição voluntária e pelo primeiro pagamento da contribuição previdenciária, sem atraso. Para isso, é necessário ter um número de identificação social, como NIT, PIS, PASEP ou NIS.
Quem pode ser um segurado facultativo?
O segurado facultativo abrange uma variedade de perfis que, por não estarem inseridos em uma atividade remunerada, não são obrigados a contribuir com o INSS, mas optam por fazê-lo.
Exemplos de segurados facultativos:
- Estudantes sem emprego formal
- Síndicos de condomínio não remunerados
- Donas de casa
- Membros de conselhos tutelares não remunerados
- Bolsistas e estagiários
- Brasileiros que acompanham cônjuges no exterior
- Missionários ou religiosos não remunerados
- Desempregados
- Presidiários sem atividade remunerada
- Pessoas em regime semiaberto que prestam serviço a empresas
- Beneficiários de auxílio-acidente que não exercem atividade laboral
Essa ampla gama de possibilidades reflete a intenção do sistema previdenciário de garantir cobertura social mesmo para quem está fora do mercado formal.
Vantagens de ser um segurado facultativo
- Acesso a benefícios previdenciários como aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte para dependentes.
- Planejamento previdenciário pessoal: o cidadão escolhe o valor da contribuição e pode se organizar de acordo com suas metas de aposentadoria.
- Inclusão no sistema de seguridade social mesmo sem exercer atividade remunerada.
- Possibilidade de continuidade da proteção em períodos de afastamento do mercado de trabalho.
Como contribuir como segurado facultativo
Quais são os planos disponíveis?
A contribuição como segurado facultativo pode ser feita por diferentes códigos, que determinam valores e condições distintas.
Código 1406 – Plano normal
- Alíquota de 20% sobre um valor entre o salário mínimo e o teto previdenciário.
- Permite a aposentadoria por tempo de contribuição (até sua extinção definitiva nas novas regras).
- Indicado para quem busca maior benefício no futuro.
Código 1473 – Plano simplificado
- Alíquota de 11% sobre o salário mínimo.
- Não dá direito à aposentadoria por tempo de contribuição, exceto se houver complementação da contribuição para atingir os 20%.
- Opção mais econômica, mantendo acesso aos principais benefícios.
Código 1929 – Plano de baixa renda
- Alíquota de 5% sobre o salário mínimo.
- Exclusivo para quem se dedica ao trabalho doméstico em sua residência e pertence a família de baixa renda.
- Necessário estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) e ter renda familiar mensal de até dois salários mínimos.
Como pagar a contribuição?
O pagamento é feito mensalmente, até o dia 15 do mês seguinte ao de competência. É possível gerar a Guia da Previdência Social (GPS) no site ou aplicativo Meu INSS.
Documentos necessários para iniciar a contribuição:
- CPF
- Número de inscrição (NIT, PIS, PASEP ou NIS)
- Cadastro no sistema Meu INSS
- Comprovante de inscrição no CadÚnico, se for o caso
Recolhimento em atraso: como funciona?

É possível regularizar pagamentos passados?
Para o segurado facultativo, a regularização retroativa das contribuições não é permitida para períodos anteriores à inscrição no INSS. Após a inscrição, é possível pagar contribuições em atraso desde que não tenha ocorrido a perda da qualidade de segurado.
Quando há perda da qualidade de segurado?
- Quando se passa mais de seis meses sem contribuição como facultativo.
- Ao perder essa condição, é necessário fazer nova inscrição e iniciar o pagamento novamente.
Essa regra é importante para evitar burla ao sistema, com contribuições feitas apenas em momentos de necessidade, como à beira da aposentadoria ou do pedido de auxílio-doença.
Idade mínima para contribuir
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A legislação estabelece que a idade mínima para se tornar segurado facultativo é de 16 anos. A partir dessa idade, já é possível contribuir e começar a contar tempo para aposentadoria.
Estratégias para escolher o melhor plano
Avalie sua capacidade financeira
Antes de escolher o código de contribuição, o ideal é analisar quanto pode ser investido mensalmente sem comprometer o orçamento. O plano de 5% é muito acessível, mas oferece menos benefícios. Já o de 20% garante aposentadorias maiores, mas exige maior esforço financeiro.
Tenha objetivos claros
Quem deseja uma aposentadoria mais vantajosa no futuro pode optar pelo plano normal, enquanto quem busca apenas proteção mínima pode se beneficiar do plano simplificado ou de baixa renda.
Complementação da contribuição
Se você contribui com 11% e depois deseja se aposentar por tempo de contribuição (quando aplicável), é possível complementar os valores para atingir os 20%. Isso deve ser feito mediante recolhimento adicional.
Benefícios assegurados ao segurado facultativo

Mesmo quem contribui voluntariamente tem direito a diversos benefícios previdenciários, desde que cumpra os requisitos mínimos de carência:
Principais benefícios:
- Aposentadoria por idade: mínimo de 180 contribuições (15 anos), com idade mínima de 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens).
- Auxílio-doença e aposentadoria por invalidez: carência de 12 contribuições.
- Salário-maternidade: carência de 10 contribuições.
- Pensão por morte: para os dependentes, mesmo sem carência em alguns casos.
- Auxílio-reclusão: conforme renda e carência exigidas.
Importante:
Benefícios como seguro-desemprego e FGTS não estão disponíveis ao segurado facultativo, pois esses são direitos vinculados à relação de emprego formal.
Considerações finais
Ser um segurado facultativo do INSS é uma alternativa estratégica para quem deseja garantir proteção previdenciária mesmo sem estar no mercado de trabalho formal. A flexibilidade dos planos de contribuição permite que estudantes, donas de casa, desempregados e outros perfis mantenham seus direitos sociais e planejem uma aposentadoria segura.
Compreender as regras, prazos e possibilidades de contribuição é essencial para tomar decisões conscientes e garantir uma vida mais estável e segura no futuro. Em um país com tantas desigualdades, o acesso voluntário à Previdência é uma ferramenta importante de inclusão social e planejamento financeiro.
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