O cenário econômico brasileiro voltou a ganhar atenção no mercado financeiro após uma revisão nas projeções da taxa básica de juros. O Citi elevou sua estimativa para a Selic ao fim de 2026, agora projetada em 13,75%, acima dos 13,25% previstos anteriormente.
Citi revisa Selic para 13,75% e cita piora nas expectativas de inflação
Citi projeta Selic a 13,75% e inflação acima da meta. Veja impactos, cenário econômico e previsões para juros no Brasil até 2027.
A revisão reforça a expectativa de que o ciclo de cortes de juros será mais curto e conservador, diante da persistência de pressões inflacionárias e da desancoragem das expectativas de preços.
Segundo o relatório, o Banco Central deve encerrar o ciclo de flexibilização monetária ainda em 2026, com possibilidade de novos cortes apenas a partir de 2027.
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O que é a Selic e por que ela importa
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e funciona como referência para todas as outras taxas do mercado.
Ela é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil e influencia diretamente:
- empréstimos e financiamentos;
- cartões de crédito;
- rendimento da poupança e investimentos;
- consumo das famílias;
- atividade econômica.
Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro e a economia tende a desacelerar. Quando cai, ocorre o efeito contrário.
Projeção do Citi: juros mais altos por mais tempo
O banco Citi revisou suas expectativas com base em um cenário de inflação mais persistente.
Selic deve encerrar 2026 em 13,75%
Segundo o relatório divulgado, o Banco Central deve adotar uma postura mais conservadora no controle da inflação, o que limita cortes adicionais.
A instituição avalia que:
- o ciclo de cortes será mais curto;
- a política monetária seguirá “hawkish” (mais dura);
- a Selic deve encerrar 2026 em 13,75%.
Novos cortes só em 2027
O Citi projeta que a retomada dos cortes de juros deve ocorrer apenas no segundo semestre de 2027.
Para esse período, a estimativa é que a Selic feche 2027 em 11,75%.
Inflação segue no radar do Banco Central
A inflação continua sendo o principal fator de decisão para o Copom.
Projeções para o IPCA
O Citi manteve a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,5% para 2026, mas elevou a estimativa para 2027 para 3,9%.
O IPCA é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e mede a inflação oficial do país.
Pressão inflacionária ainda elevada
O relatório destaca que a desancoragem das expectativas de inflação continua sendo um problema relevante.
Mesmo com medidas de controle de preços, como subsídios em combustíveis, o banco avalia que essas ações:
- ajudam no curto prazo;
- mas não resolvem a tendência estrutural de inflação acima da meta.
Expectativas do mercado ficam mais cautelosas
As projeções do mercado financeiro também seguem alinhadas a um cenário de juros mais altos por mais tempo.
Boletim Focus reforça cenário conservador
De acordo com o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, economistas projetam:
- Selic em 13,25% no fim de 2026;
- queda para 11,25% até o fim de 2027.
Esse movimento mostra que, apesar das diferenças entre instituições, há consenso sobre uma redução gradual e lenta dos juros.
Impactos da Selic alta na economia brasileira
Uma Selic elevada tem efeitos diretos no dia a dia da população e no desempenho da economia.
Crédito mais caro para famílias
Com juros altos:
- financiamentos imobiliários ficam mais caros;
- crédito pessoal se torna mais restrito;
- compras parceladas aumentam o custo total.
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Um exemplo prático é o financiamento de veículos, onde pequenas variações na Selic podem representar milhares de reais a mais ao longo do contrato.
Consumo tende a desacelerar
O encarecimento do crédito reduz o consumo das famílias, o que impacta setores como:
- varejo;
- construção civil;
- indústria de bens duráveis.
Investimentos de renda fixa ganham força
Por outro lado, uma Selic elevada favorece aplicações como:
- Tesouro Selic;
- CDBs;
- fundos de renda fixa.
Isso ocorre porque esses investimentos acompanham a taxa básica de juros.
O que o Banco Central observa para decidir os juros
As decisões do Copom são baseadas em uma combinação de fatores econômicos.
Principais variáveis analisadas
- inflação corrente e expectativas futuras;
- atividade econômica e crescimento do PIB;
- mercado de trabalho;
- cenário internacional;
- câmbio.
A prioridade do Banco Central é manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Cenário até 2027: juros ainda elevados
As projeções indicam que o Brasil pode conviver com juros elevados por um período mais longo do que o esperado anteriormente.
Esse cenário reflete:
- persistência inflacionária;
- cautela do Banco Central;
- necessidade de manter credibilidade na política monetária.
Para o consumidor, isso significa crédito mais caro por mais tempo. Para investidores, um ambiente ainda favorável à renda fixa.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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