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Sem aposentadoria? INSS pode não reconhecer tempo de quem trabalha nessa área

Evite surpresas! Descubra como garantir sua aposentadoria pelo INSS sendo motorista de app. Veja as opções agora.

Avatar de Ellen D'Alessandro Ellen D'Alessandro · · 5 min de leitura
INSS

Com o crescimento da economia por demanda e da informalidade nas relações de trabalho, milhares de brasileiros encontraram no transporte por aplicativo uma alternativa de renda. No entanto, poucos motoristas de aplicativo se atentam para uma realidade preocupante: muitos deles podem terminar a carreira sem direito à aposentadoria pelo INSS.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 1,7 milhão de pessoas atuavam em 2023 como motoristas ou entregadores. Desses, apenas 23% contribuíam com a Previdência Social — número que escancara a vulnerabilidade previdenciária desse grupo.

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Imagem: Rovena Rosa / Agência Brasil

Contribuição é fundamental para ter acesso à aposentadoria

Para se aposentar pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), é indispensável contribuir regularmente. No caso dos motoristas de aplicativo, a maioria trabalha como autônoma, sem carteira assinada ou qualquer vínculo empregatício com as plataformas digitais, como Uber, 99 ou similares.

Essas empresas não têm responsabilidade legal de recolher a contribuição previdenciária, o que deixa a responsabilidade inteiramente nas mãos do motorista.

O problema é que muitos não fazem isso — muitas vezes por falta de informação, por acreditarem que isso é um gasto desnecessário ou, simplesmente, por não saberem como contribuir.

Ausência de contribuição prejudica acesso a outros benefícios

A falta de recolhimento ao INSS não afeta apenas a aposentadoria. Sem contribuir, o motorista também perde o direito a benefícios como:

  • Auxílio-doença;
  • Auxílio-acidente;
  • Salário-maternidade;
  • Pensão por morte para dependentes;
  • Auxílio-reclusão.

Ou seja, um motorista que sofre um acidente ou adoece e não contribui, não pode contar com suporte do INSS.

Como garantir a aposentadoria sendo motorista de aplicativo

Duas formas principais de contribuição: contribuinte individual ou MEI

Mesmo sem vínculo formal, motoristas de aplicativo podem sim se proteger e garantir a aposentadoria, desde que contribuam corretamente.

Contribuinte individual

A primeira opção é contribuir como contribuinte individual. Nesse caso, o trabalhador deve:

  • Realizar inscrição no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), disponível no site Meu INSS;
  • Emitir e pagar a Guia da Previdência Social (GPS) mensalmente;
  • Escolher uma alíquota de contribuição:
    • 11% do salário mínimo (sem direito à aposentadoria por tempo de contribuição);
    • 20% sobre o salário escolhido (com direito à aposentadoria por tempo de contribuição, até o teto de R$ 7.786,02 em 2025).

MEI (Microempreendedor Individual)

Outra alternativa é se registrar como MEI, o que simplifica o pagamento e reduz o valor mensal. O motorista pode se cadastrar na atividade de “motorista de aplicativo independente”. O valor pago mensalmente inclui:

  • 5% do salário mínimo para o INSS;
  • R$ 5 de ISS (Imposto Sobre Serviço).

Com isso, o MEI garante o direito à aposentadoria por idade e a benefícios como auxílio-doença e salário-maternidade. A contribuição é feita por meio do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).

Qual opção é melhor: contribuinte individual ou MEI?

CritérioContribuinte IndividualMEI
Valor da contribuiçãoDe 11% a 20% do salário mínimo5% do salário mínimo + R$ 5 de ISS
Tipo de aposentadoriaPor tempo ou idadePor idade
Direito ao tempo de contribuiçãoSim (com 20%)Não (somente por idade)
Facilidade no pagamentoGPS manualDAS unificado e automático
Acesso a outros benefíciosSimSim

A escolha depende dos objetivos do motorista. Quem deseja se aposentar mais cedo, por tempo de contribuição, deve optar pela alíquota de 20% como contribuinte individual. Já quem busca simplificação e menor custo, pode preferir o MEI.

Consequências de não contribuir: o que o motorista perde

O motorista que não contribui com o INSS corre sérios riscos:

  • Ficar sem aposentadoria no futuro;
  • Não receber nenhum suporte financeiro em caso de doença ou acidente;
  • Deixar a família desamparada em caso de morte.

Além disso, sem comprovação de tempo de contribuição, o motorista não consegue acesso a aposentadoria nem mesmo ao completar a idade mínima de 65 anos (homens) ou 62 anos (mulheres), conforme regra atual.

Como se regularizar e começar a contribuir?

Passo a passo para se tornar MEI

  1. Acesse o Portal do Empreendedor;
  2. Escolha a atividade “motorista de aplicativo independente”;
  3. Preencha os dados pessoais e finalize o cadastro;
  4. Gere o DAS e realize o pagamento mensal.

Passo a passo para contribuir como autônomo

  1. Acesse o Meu INSS;
  2. Faça seu cadastro ou login;
  3. Escolha a opção de Contribuinte Individual;
  4. Gere a Guia da Previdência Social (GPS);
  5. Realize o pagamento mensal com base na alíquota escolhida.

O que diz o governo sobre a regulação da profissão?

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Imagem: Canva

Atualmente, há debates no Congresso Nacional sobre a regulamentação da atividade de motoristas de aplicativo. Um dos temas em discussão é justamente a inclusão obrigatória na Previdência Social, com recolhimento automático via plataformas.

Enquanto isso não acontece, a responsabilidade pela aposentadoria segue nas mãos do próprio trabalhador.

Conclusão: planejamento é essencial para quem vive da economia por aplicativo

Trabalhar como motorista de aplicativo pode ser uma boa alternativa de renda, mas é necessário planejamento a longo prazo. A ausência de contribuição ao INSS coloca em risco o futuro de milhões de brasileiros que, ao envelhecer, podem se ver sem qualquer suporte previdenciário.

Portanto, seja como MEI ou contribuinte individual, é fundamental iniciar o quanto antes sua contribuição. Garantir a aposentadoria é um direito — mas só se esse direito for exercido com responsabilidade desde já.

Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

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