A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal inclui na pauta desta terça-feira (29) a votação do Projeto de Lei nº 1558/2022, que propõe a concessão de benefícios a cidadãos que estão em dia com financiamentos oriundos de recursos públicos. De autoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM), o texto busca premiar o bom comportamento financeiro com descontos e incentivos.
Senado analisa projeto que concede benefícios a bons pagadores; veja
Comissão do Senado vota projeto que concede descontos e bônus a bons pagadores de financiamentos com recursos públicos.
Com parecer favorável da relatora, senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), a proposta deve avançar para análise final na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT), em caráter terminativo — ou seja, sem necessidade de passar pelo plenário, caso aprovada.
O que diz o projeto de lei

A proposta altera a Lei nº 12.424/2011, que trata do Cadastro Positivo — banco de dados que registra o histórico de crédito de consumidores e empresas. O objetivo é permitir que informações sobre adimplência sejam utilizadas para gerar incentivos financeiros concretos.
Os principais pontos do PL 1558/2022:
- Uso do Cadastro Positivo para beneficiar bons pagadores
- Descontos para contratos com mais de 75% da dívida amortizada
- Concessão de bônus de adimplência em contratos públicos
- Aplicação em financiamentos com recursos do governo
- Definição das regras ficará a cargo do Conselho Monetário Nacional (CMN)
A iniciativa busca criar um contraponto a programas como o Fies e o Refis, que beneficiam inadimplentes, mas não recompensam quem paga em dia.
Quem será beneficiado

O texto estabelece que apenas financiamentos com recursos públicos serão contemplados. Isso inclui programas federais de crédito voltados a:
- Educação (como o Fies)
- Habitação (como o Minha Casa Minha Vida)
- Agricultura familiar
- Micro e pequenas empresas
- Programas de crédito produtivo
Para receber os incentivos, o beneficiário precisa ter quitado ao menos 75% da dívida original. A regra visa estimular o pagamento antecipado ou regular dos débitos e oferecer vantagens a quem já demonstrou bom histórico de pagamento.
Tipos de benefícios previstos
De acordo com o projeto, os bons pagadores poderão receber:
- Descontos no saldo devedor restante
- Bônus financeiros em novas contratações de crédito
- Redução de taxas de juros
- Prioridade em programas de crédito governamentais
- Facilidade no acesso a garantias e renegociações
O detalhamento dos benefícios será estabelecido por resolução do CMN, com base em critérios técnicos e fiscais.
Justificativa: corrigir assimetrias no sistema de crédito
Segundo o senador Eduardo Braga, o sistema atual favorece inadimplentes com constantes renegociações e perdão de juros, mas ignora os pagadores regulares. Para ele, isso desestimula o bom comportamento financeiro.
Declaração do autor do projeto:
“Enquanto há diversos programas de alívio para quem não paga, ainda não existia um estímulo estruturado para quem cumpre seus compromissos com responsabilidade.”
A relatora Dorinha Seabra endossou o argumento e destacou o potencial do projeto para reduzir taxas de juros no país.
Segundo Dorinha Seabra:
“Além de valorizar o comportamento responsável, a proposta cria um ambiente mais seguro para o sistema financeiro, o que pode beneficiar toda a sociedade com taxas mais justas.”
Impacto fiscal e operacionalização
A análise da CAE indica que o impacto fiscal do projeto deve ser limitado. Isso porque os benefícios se aplicam a financiamentos já amortizados em grande parte, reduzindo o montante financeiro envolvido.
O projeto prevê ainda que o Conselho Monetário Nacional será o responsável por:
- Estabelecer normas complementares
- Garantir a segurança fiscal na aplicação dos descontos
- Regular os critérios de elegibilidade
- Monitorar a implementação do programa
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Trâmite legislativo
Caso seja aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos, o projeto seguirá para a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT), onde poderá ser aprovado em decisão terminativa. Se isso ocorrer, ele será enviado diretamente à Câmara dos Deputados, sem necessidade de votação no plenário do Senado.
Etapas de tramitação:
- Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) — atual fase
- Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT)
- Envio à Câmara dos Deputados, se aprovado em decisão terminativa
- Votação em plenário da Câmara, caso necessário
O avanço do projeto dependerá do calendário das comissões e do apoio dos parlamentares nas próximas semanas.
Expectativas do setor financeiro

Especialistas e representantes do setor financeiro veem com bons olhos a proposta. A utilização do Cadastro Positivo para beneficiar adimplentes é considerada uma demanda antiga de instituições financeiras e órgãos de proteção ao crédito.
Pontos destacados por analistas:
- Redução de risco de inadimplência
- Estímulo ao comportamento responsável
- Melhoria na avaliação de crédito
- Potencial para ampliar o acesso ao crédito a juros menores
Entidades como a Febraban e o Banco Central já defenderam, em ocasiões anteriores, o uso positivo dos dados de crédito como forma de incentivar práticas saudáveis no mercado.
Repercussão entre parlamentares
Nos bastidores do Senado, o projeto tem recebido apoio de diversos parlamentares da base e da oposição. A expectativa é que o texto seja aprovado na CAE com ampla maioria.
- Senadores destacam o caráter educativo da medida
- Bancadas do Norte e Nordeste apoiam por conta da relevância do crédito rural
- Parlamentares da área de educação veem impacto positivo para estudantes adimplentes
