O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (12), um projeto de lei que proíbe de forma ampla os descontos realizados por associações e entidades em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A proposta segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representa uma mudança significativa na forma como aposentadorias e pensões podem ser administradas.
Senado aprova projeto que bloqueia descontos nos benefícios do INSS — mudança à vista
Senado aprova projeto que proíbe descontos automáticos em benefícios do INSS, cria regras mais rígidas para crédito consignado e mais.
A iniciativa busca proteger aposentados e pensionistas contra cobranças não autorizadas, uma prática que vinha se tornando comum nos últimos anos e que levou a uma série de denúncias e investigações envolvendo fraudes milionárias.
Entenda o que muda?
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O texto aprovado pelo Senado torna ilegal qualquer tipo de desconto feito em benefícios previdenciários, mesmo que o segurado tenha autorizado formalmente a operação. O objetivo é impedir que instituições utilizem autorizações genéricas ou indevidas para realizar cobranças automáticas.
Essa medida surgiu após uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), que revelou o desvio de bilhões de reais de aposentadorias e pensões por meio de associações fraudulentas.
O projeto foi apresentado pelo deputado federal Murilo Galdino (Republicanos-PB) em maio de 2024, mas só começou a tramitar na Câmara dos Deputados em agosto de 2025. Em menos de um mês, foi aprovado e enviado ao Senado, onde teve tramitação em regime de urgência.
Ressarcimento e responsabilidade do governo
Segundo o texto, o INSS será responsável por buscar o ressarcimento dos valores descontados indevidamente junto às entidades envolvidas. Caso não consiga recuperar o montante, poderá utilizar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir os prejuízos.
Essa previsão gerou críticas dentro do próprio governo, especialmente por transferir a responsabilidade de ressarcimento ao Estado quando as entidades não devolverem o valor.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), manifestou preocupação com o impacto financeiro da medida, ressaltando que a União acabaria arcando com prejuízos causados por terceiros.
Recuperação de valores e combate a fraudes
O projeto também determina que o INSS realize busca ativa para identificar e ressarcir beneficiários que sofreram descontos indevidos. Até o momento, o governo já devolveu mais de R$ 2,1 bilhões a cerca de três milhões de vítimas dessas fraudes.
Além disso, o prazo para contestações de descontos indevidos, que terminaria em novembro, foi prorrogado até fevereiro do próximo ano. Essa ampliação permite que mais aposentados verifiquem seus extratos e solicitem correções.
Sequestro de bens e punições
Uma das principais inovações da proposta é a autorização para o sequestro de bens dos responsáveis por práticas de descontos irregulares. A medida atinge não apenas os bens pessoais dos infratores, mas também aqueles transferidos a terceiros ou pertencentes a empresas das quais sejam sócios, diretores ou representantes legais.
O objetivo é impedir que criminosos utilizem brechas jurídicas para ocultar patrimônio obtido de forma ilícita. Com isso, o governo busca reforçar o caráter punitivo e preventivo da nova legislação.
Regras mais rígidas para o crédito consignado
O projeto também altera as regras para a contratação do crédito consignado, modalidade frequentemente utilizada por aposentados e pensionistas. A partir da sanção presidencial, será obrigatória a assinatura de um termo de autorização autenticado por biometria ou assinatura eletrônica.
Além disso, ficam proibidas contratações realizadas por meio de procuração ou por contato telefônico. Essa mudança visa impedir que terceiros contratem empréstimos em nome dos beneficiários sem consentimento.
As agências do INSS deverão oferecer terminais para autenticação biométrica, garantindo que todas as operações sejam validadas diretamente pelos titulares dos benefícios.
Devolução de valores
De acordo com o texto, toda instituição financeira que realizar descontos indevidos terá até 30 dias para devolver o valor atualizado ao beneficiário. Caso a devolução não ocorra dentro do prazo, o INSS deverá realizar o reembolso e buscar posteriormente o ressarcimento junto à entidade responsável.
A regra busca garantir que o aposentado não seja penalizado por falhas ou irregularidades das instituições financeiras, assegurando a devolução imediata dos valores.
Impactos esperados para aposentados e pensionistas
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Com a sanção da proposta, aposentados e pensionistas passarão a ter maior segurança em relação ao recebimento de seus benefícios. Os descontos automáticos, mesmo com autorização, deixam de existir, o que evita fraudes disfarçadas de adesões legítimas.
O texto também incentiva o uso de ferramentas digitais seguras, como a biometria, para autenticação de contratos, ampliando o controle individual de cada operação. Além disso, o INSS deverá reforçar a fiscalização sobre instituições financeiras que operam com crédito consignado.
A expectativa é que o número de reclamações caia significativamente e que o ambiente se torne mais confiável tanto para os beneficiários quanto para as instituições sérias do mercado financeiro.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. O que o projeto aprovado pelo Senado muda para aposentados e pensionistas?
A proposta proíbe qualquer desconto automático em benefícios do INSS, mesmo com autorização. A medida visa acabar com cobranças indevidas e proteger os segurados.
2. Quando a nova lei entra em vigor?
Após sanção presidencial e publicação no DOU. O INSS deverá regulamentar as novas regras em seguida.
3. As instituições financeiras ainda poderão oferecer crédito consignado?
Sim, mas com novas exigências. Será necessária autenticação por biometria ou assinatura eletrônica, e ficam proibidas contratações por telefone ou procuração.
Considerações finais
A aprovação do projeto marca um avanço importante na proteção de aposentados e pensionistas contra práticas abusivas e fraudes financeiras. Ao estabelecer regras mais rígidas e exigir autenticação biométrica, o governo reforça o compromisso com a transparência e com a segurança dos beneficiários do INSS.
Além de proteger o dinheiro de quem mais precisa, a medida impõe limites claros às instituições financeiras e associações que atuam nesse segmento, promovendo maior equilíbrio nas relações de consumo e confiança no sistema previdenciário.
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