O crescimento do número de microempreendedores individuais (MEIs) no Brasil tem chamado a atenção nos últimos anos. Mais do que uma simples escolha, tornar-se MEI se mostrou uma necessidade para muitos brasileiros que, após perderem seus empregos formais, encontraram no microempreendedorismo uma forma de sobrevivência.
Levantamento mostra que ser MEI é mais do que uma simples opção; entenda
Estudo do IBGE revela que mais da metade dos novos MEIs em 2022 adotaram essa modalidade por necessidade. Saiba mais informações!
Essa conclusão é parte de um levantamento divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que analisou a evolução do MEI no país até 2022. Saiba mais informações a seguir!
O Contexto do Microempreendedorismo Individual no Brasil
Crescimento dos MEIs
De acordo com o IBGE, o Brasil contava com 14,6 milhões de MEIs em 2022, um aumento significativo em relação aos anos anteriores. Apenas em 2022, 2,6 milhões de brasileiros aderiram a essa modalidade jurídica, mostrando que o microempreendedorismo individual é uma tendência em ascensão no país.
Razões para o Aumento
O estudo revelou que a principal razão para esse crescimento foi a necessidade. Mais da metade dos novos MEIs em 2022 foram motivados por uma demissão ou pela falta de alternativas de emprego formal. Dos 2,1 milhões de novos microempreendedores cujas experiências anteriores foram analisadas pelo IBGE, 1,7 milhão haviam sido desligados de empresas, muitos de forma involuntária.
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Análise Detalhada dos Dados do IBGE

Demissões Involuntárias como Motor do Microempreendedorismo
O levantamento do IBGE destacou que, entre os trabalhadores desligados de seus empregos formais, 60,7% tornaram-se MEIs em 2022 após serem demitidos por decisão do empregador ou por justa causa. Esses dados indicam que, para muitos, o microempreendedorismo não foi uma escolha, mas sim uma resposta à necessidade imediata de gerar renda após a perda de um emprego.
Empreendedorismo por Necessidade versus Empreendedorismo por Oportunidade
O analista de pesquisa Thiego Gonçalves Ferreira explicou que o empreendedorismo por oportunidade acontece quando uma pessoa toma a decisão de iniciar um negócio de forma planejada, enquanto o empreendedorismo por necessidade emerge em situações em que o trabalhador não tem outras alternativas.
Segundo Ferreira, a maioria dos MEIs provavelmente se enquadra como empreendedores por necessidade, uma vez que o desligamento do emprego anterior, em muitos casos, foi involuntário.
Perfil dos MEIs Brasileiros
Setores de Atuação
O levantamento também revelou que certos setores têm maior incidência de MEIs, especialmente entre aqueles que já tinham experiência prévia nas mesmas áreas. Por exemplo, no setor de construção, 76,4% dos novos MEIs em 2022 eram pedreiros antes de se tornarem microempreendedores.
No setor de transporte, armazenagem e correio, 61,6% dos novos MEIs eram caminhoneiros. Já no setor de alojamento e alimentação, 40,9% trabalhavam como cozinheiros.
Distribuição Regional
São Paulo lidera como o estado com o maior número de MEIs, concentrando aproximadamente 4 milhões de microempreendedores, o que equivale a 27% do total do país. Esse dado reflete a alta densidade populacional e a diversidade econômica do estado, que oferece oportunidades variadas para empreendimentos individuais.
MEIs e a Formalização
Apesar do crescimento do número de MEIs, menos de 1% (0,9%) dos microempreendedores empregam outra pessoa. Além disso, uma parcela significativa (38%) dos MEIs opera no mesmo endereço de residência do trabalhador, o que sugere uma predominância de negócios de pequeno porte e de baixa complexidade operacional.
A Relação entre o MEI e o Cadastro Único
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O levantamento do IBGE identificou que 28,4% dos MEIs em 2022 estavam inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), que lista as famílias de baixa renda do país. Dentre esses, metade (49,8%) recebia o Auxílio Brasil (atualmente Bolsa Família).
Impacto Social do MEI
O fato de que uma parcela expressiva dos MEIs está cadastrada em programas de assistência social mostra que, para muitos, o microempreendedorismo individual é uma forma de complementar a renda familiar em condições de vulnerabilidade. Isso também levanta questões sobre a sustentabilidade e a capacidade de crescimento desses empreendimentos no longo prazo.
Desafios e Oportunidades para o Futuro dos MEIs

Sobrevivência dos Negócios
Embora o cenário econômico para os microempreendedores seja desafiador, o estudo do IBGE indica que 80% dos MEIs estabelecidos em 2019 ainda estavam em atividade após três anos. Vale ressaltar que a série histórica do IBGE começou em 2020.
O Futuro do Microempreendedorismo no Brasil
Com quase metade (48,6%) dos MEIs existentes no Brasil tendo sido criados entre 2020 e 2022, o microempreendedorismo individual continua sendo uma solução relevante para a crise de desemprego e a falta de oportunidades formais. No entanto, para que esses empreendedores possam crescer e prosperar, será necessário um maior apoio em termos de acesso a crédito, capacitação e formalização.
Considerações Finais
O levantamento do IBGE revela que ser MEI no Brasil é mais do que uma simples opção; é uma necessidade para milhões de pessoas que, após perderem seus empregos formais, veem no microempreendedorismo individual uma alternativa de sobrevivência.
Embora o cenário seja desafiador, a alta taxa de sobrevivência dos MEIs indica um potencial de resiliência e crescimento. No entanto, para que esse potencial seja plenamente realizado, é essencial que haja um suporte adequado em termos de políticas públicas e incentivos que possam fortalecer esses microempreendimentos e integrá-los de forma mais robusta à economia formal do país.
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com
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