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Mais de 7 milhões renegociam dívidas em três meses, aponta Serasa

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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A busca dos brasileiros por alternativas para quitar dívidas ganhou força no segundo trimestre de 2026. Dados divulgados pela Serasa apontam que mais de 14 milhões de renegociações foram realizadas no Serasa Limpa Nome entre maio e julho, volume 41% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Segundo a empresa, mais de 7 milhões de consumidores participaram das negociações. Parte dos acordos contabilizados na plataforma está relacionada ao Novo Desenrola Brasil, programa federal criado em 2026 para ampliar as possibilidades de reequilíbrio financeiro das famílias.

O movimento ocorre em um cenário ainda delicado para o orçamento doméstico. O levantamento mais recente disponível da Serasa mostra que junho terminou com 83,7 milhões de consumidores negativados, o maior número da série histórica da empresa.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Renegociação de dívidas ganha força entre os brasileiros

O aumento dos acordos mostra que uma parcela maior dos consumidores está procurando transformar débitos atrasados em contratos com condições mais viáveis de pagamento.

A estratégia é importante principalmente para quem acumulou juros durante meses. Uma dívida de cartão de crédito, por exemplo, pode crescer rapidamente quando permanece no rotativo ou quando o consumidor deixa de pagar a fatura integral. Ao renegociar, o valor pode ser reorganizado em parcelas e, dependendo da oferta do credor, acompanhado de desconto.

No Serasa Limpa Nome, as condições não são iguais para todos. O desconto e o número de parcelas dependem do credor, do tipo da dívida, do tempo de atraso e das condições disponibilizadas na plataforma.

Em junho de 2026, o valor médio de cada acordo realizado pela plataforma foi de R$ 793, enquanto os descontos concedidos naquele mês ultrapassaram R$ 15,9 bilhões.

Inadimplência desacelera, mas continua em nível elevado

Apesar do aumento das renegociações, os dados não indicam que o problema das dívidas tenha sido resolvido.

A Serasa registrou crescimento de 0,28% no número de negativados em junho. O avanço foi considerado relativamente baixo diante de outros períodos recentes, mas ainda representa a entrada de novos consumidores na inadimplência. O levantamento apontou também que o valor médio devido por pessoa chegou a R$ 6.920,63.

A comparação entre períodos ajuda a entender o efeito das renegociações. Entre maio e julho de 2025, a inadimplência teria avançado, em média, 0,7%. No mesmo intervalo de 2026, a alta média ficou em 0,2%, segundo os dados apresentados pela Serasa.

Isso não significa que cada acordo tenha provocado diretamente a desaceleração. O comportamento da inadimplência também depende de emprego, renda, juros, inflação, concessão de crédito e capacidade de pagamento das famílias. Ainda assim, o aumento das renegociações contribui para interromper ou reduzir a permanência de consumidores nos cadastros de inadimplentes.

Novo Desenrola Brasil amplia as alternativas

O cenário de 2026 também foi influenciado pelo Novo Desenrola Brasil, programa criado pelo governo federal por meio da Medida Provisória nº 1.355, de 4 de maio de 2026. O Ministério da Fazenda regulamentou a iniciativa e posteriormente houve medidas relacionadas à extensão de sua vigência.

O programa foi estruturado para atender famílias com renda de até cinco salários mínimos, entre outras condições, permitindo renegociação de determinadas modalidades de crédito. Entre elas estão cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem consignação.

Na Caixa Econômica Federal, por exemplo, as condições divulgadas para o programa preveem descontos que podem chegar a 90%, dependendo da situação da dívida e da negociação.

Outro diferencial de 2026 é a possibilidade de utilização de recursos do FGTS em determinadas renegociações. A Caixa informou que o trabalhador pode autorizar instituições financeiras a consultar e utilizar valores disponíveis no fundo para liquidar ou amortizar dívidas enquadradas nas regras do programa.

O que muda para quem está com o nome negativado

Para o consumidor endividado, o aumento das ofertas de negociação representa uma oportunidade, mas não significa que qualquer acordo seja vantajoso.

Antes de aceitar uma proposta, é necessário comparar o valor total que será pago, e não apenas o tamanho da parcela. Uma prestação baixa pode esconder um prazo muito longo e elevar significativamente o custo final da dívida.

Também é importante verificar se a negociação realmente cabe no orçamento mensal. Assumir uma parcela que consuma grande parte da renda disponível pode levar a um novo atraso e colocar o consumidor novamente em situação de inadimplência.

Um exemplo simples: se uma pessoa tem R$ 3 mil em dívidas e recebe uma proposta de R$ 1 mil à vista ou 12 parcelas de R$ 110, o pagamento parcelado parece mais acessível. Entretanto, o custo final será de R$ 1.320. A escolha deve considerar tanto o desconto quanto a capacidade de manter as parcelas em dia.

Como negociar dívidas com segurança

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O consumidor deve priorizar canais oficiais da Serasa, dos bancos e das empresas credoras. Links recebidos por mensagens, redes sociais ou aplicativos de conversa precisam ser conferidos antes de qualquer pagamento.

Também é recomendável confirmar o nome do credor, o valor original da dívida, o desconto oferecido e as condições do acordo. Em pagamentos via Pix, a conferência do destinatário antes da confirmação é uma etapa essencial para evitar golpes.

Depois de fechar uma negociação, o consumidor deve guardar o comprovante e o contrato ou documento que registre as condições acertadas.

A Serasa também mantém seu Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas, atualizado mensalmente, permitindo acompanhar a evolução dos indicadores e o comportamento dos consumidores brasileiros.

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