O setor produtivo do Rio Grande do Norte quer que o próximo ciclo de governo, entre 2027 e 2030, seja marcado por maior previsibilidade econômica, controle das contas públicas e investimentos capazes de estimular a atividade empresarial. As propostas apresentadas por entidades representativas abrangem indústria, comércio, serviços, turismo, agronegócio e pequenos negócios.
Entre as principais reivindicações estão a revisão das despesas estaduais, a ampliação das parcerias com a iniciativa privada, a modernização da infraestrutura e a qualificação dos trabalhadores. A expectativa é que essas medidas contribuam para atrair empresas, ampliar a produção local e criar oportunidades de emprego e renda.
As agendas foram organizadas por instituições como a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-RN) e a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern). O Sebrae-RN também defende ações voltadas à competitividade dos pequenos empreendimentos.
Embora tenham demandas específicas, as entidades convergem em um ponto: as propostas precisam sair dos documentos e se transformar em políticas públicas com metas, orçamento, responsáveis e acompanhamento dos resultados.
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Ajuste fiscal e segurança jurídica estão entre as prioridades

Controle das despesas e planejamento de longo prazo
A responsabilidade fiscal aparece entre os principais pontos da agenda empresarial. A Fiern defende um plano plurianual de ajuste das contas estaduais, com controle de despesas e melhoria da capacidade de gestão.
Para as empresas, o equilíbrio financeiro do governo pode contribuir para reduzir incertezas sobre contratos, tributos, pagamentos e investimentos públicos. Um planejamento consistente também ajuda a preservar recursos para áreas essenciais, como infraestrutura, educação e segurança.
O desafio está em conciliar a contenção de gastos com a manutenção dos serviços públicos e a realização de investimentos estratégicos. Por isso, medidas de ajuste precisam considerar as obrigações legais do Estado, a qualidade dos serviços e os efeitos econômicos das decisões.
Outro tema é a segurança jurídica. Regras claras, procedimentos administrativos menos burocráticos e previsibilidade regulatória podem facilitar a abertura de negócios e a expansão de empresas já instaladas no estado.
Parcerias público-privadas para ampliar investimentos
A ampliação das Parcerias Público-Privadas (PPPs) também integra as reivindicações. Esse modelo permite que o poder público e empresas privadas compartilhem responsabilidades em projetos de infraestrutura e prestação de serviços, conforme contratos e regras específicas.
No Rio Grande do Norte, iniciativas desse tipo podem ser consideradas em áreas como saneamento, logística e outras estruturas necessárias à atividade econômica. A viabilidade de cada projeto, contudo, depende de estudos técnicos, avaliação dos custos, transparência contratual e capacidade de fiscalização.
O objetivo defendido pelo setor empresarial é ampliar a capacidade de investimento sem comprometer a sustentabilidade das contas estaduais.
Infraestrutura, água e logística são essenciais para a economia
A melhoria da infraestrutura é apontada como condição para fortalecer a indústria, o comércio e a produção rural. Estradas em boas condições, transporte eficiente e serviços de saneamento ajudam a reduzir custos operacionais e facilitam a circulação de mercadorias.
A segurança hídrica tem importância especial para um estado que convive com períodos de escassez de água. O acesso confiável ao recurso é fundamental para o abastecimento das cidades, a produção agropecuária e a instalação de empreendimentos industriais.
A infraestrutura também influencia o turismo. A Fecomércio-RN defende o fortalecimento do setor, com atenção à conectividade aérea e à estrutura dos destinos potiguares. A ampliação das conexões de transporte pode facilitar a chegada de visitantes, estimular a ocupação hoteleira e movimentar restaurantes, lojas, serviços e trabalhadores autônomos.
Para que os benefícios alcancem diferentes municípios, a estratégia precisa considerar não apenas os principais destinos turísticos, mas também a capacidade de integração de outras localidades aos roteiros e às cadeias de fornecimento.
Agronegócio cobra crédito, assistência técnica e inovação
A Faern apresentou uma agenda de demandas voltada ao desenvolvimento rural, com propostas relacionadas ao acesso à água, infraestrutura, crédito, assistência técnica e qualificação profissional.
O documento contempla 12 cadeias produtivas, reunindo atividades agrícolas, pecuárias, agroindustriais, aquícolas e ligadas à economia do mar. A diversidade mostra que as necessidades do setor vão além da produção primária e incluem processamento, armazenamento, transporte e comercialização.
O acesso ao crédito pode ajudar produtores a modernizar equipamentos e ampliar a produtividade. Já a assistência técnica contribui para melhorar a gestão, o uso de recursos naturais e a adoção de novas tecnologias.
Para que essas iniciativas tenham resultados duradouros, é importante que as políticas considerem as diferenças entre pequenos produtores, empreendimentos de maior porte e as condições de cada região do estado.
Pequenos negócios pedem menos burocracia e mais acesso a mercados

O Sebrae-RN destaca a necessidade de tornar mais simples os procedimentos para abrir, manter e regularizar empresas. A entidade também defende capacitação, financiamento para modernização e maior integração entre empreendedores, universidades e instituições de apoio.
A aplicação efetiva da Lei Geral da Microempresa é outro ponto levantado. A existência de uma legislação favorável, por si só, não garante resultados se faltarem regulamentação adequada, coordenação entre órgãos públicos e fiscalização.
Na prática, um pequeno negócio pode ganhar competitividade quando consegue regularizar sua atividade com menos etapas, acessar orientação técnica e encontrar oportunidades para vender a empresas maiores ou participar de cadeias produtivas locais.
O fortalecimento dos arranjos produtivos regionais e a ampliação das exportações também aparecem entre as possibilidades defendidas. Nesse contexto, fornecedores potiguares podem buscar espaço em setores como energia e petróleo, desde que atendam às exigências técnicas, comerciais e de qualidade dos compradores.
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