Uma falha crítica de segurança em versões desatualizadas do SharePoint, software de colaboração empresarial da Microsoft, foi explorada por hackers em uma operação de ciberespionagem de larga escala.
Falha em servidor da Microsoft deixa 400 instituições vulneráveis a ciberataques
Descubra como falha no Microsoft SharePoint expôs 400 instituições a ciberataques. Veja os riscos e saiba como proteger sua rede.
Segundo a empresa de segurança Eye Security, sediada na Holanda, ao menos 400 instituições já foram identificadas como comprometidas — número quatro vezes superior ao inicialmente divulgado.
A falha representa um dos maiores eventos de ciberataques em servidores corporativos nos últimos meses, levantando preocupações sobre a resiliência cibernética de organizações públicas e privadas ao redor do mundo.
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O que é o SharePoint e por que ele foi alvo?

Papel estratégico do SharePoint
O SharePoint é amplamente usado por empresas e órgãos governamentais para armazenar, organizar e compartilhar dados internos. Por sua natureza, o software opera dentro de redes corporativas, com acesso a informações confidenciais e operacionais.
Por que o SharePoint se tornou vulnerável?
A Microsoft foi alertada sobre uma vulnerabilidade crítica no SharePoint, mas, de acordo com especialistas, a correção inicial não foi suficiente para neutralizar a ameaça. Isso permitiu que atores maliciosos, incluindo grupos supostamente ligados à China, explorassem a falha para acessar remotamente os sistemas.
“Muitas organizações não aplicaram os patches de segurança, ou o fizeram de forma incompleta, o que facilitou a invasão”, afirma Vaisha Bernard, líder de hack da Eye Security.
Escala da invasão: mais de 400 alvos
Descoberta da Eye Security
Os pesquisadores da Eye Security chegaram à estimativa de 400 organizações impactadas após realizar varreduras em servidores que ainda executam versões vulneráveis do SharePoint. Os dados se baseiam em vestígios digitais deixados pelos invasores, como scripts modificados, comandos remotos e padrões de movimentação lateral dentro das redes.
Instituições afetadas incluem órgãos governamentais
Embora nem todas as vítimas tenham sido oficialmente reveladas, os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) confirmaram o comprometimento de pelo menos um de seus servidores. O caso foi inicialmente reportado pelo Washington Post, que apurou que outros servidores foram isolados preventivamente.
“Servidores adicionais foram isolados como medida de precaução”, disse um porta-voz do NIH.
Como o ataque foi conduzido?
Vetores de ataque e espionagem digital
A campanha de ciberespionagem explorou a falha para acessar remotamente os servidores, coletando dados estratégicos, credenciais e estruturas internas das redes corporativas.
Etapas do ataque:
- Reconhecimento: Varredura automatizada para localizar servidores vulneráveis.
- Exploração: Execução remota de código via SharePoint.
- Persistência: Criação de backdoors e contas administrativas.
- Extração de dados: Roubo silencioso de informações sensíveis.
A Eye Security acredita que muitos ataques não deixaram rastros visíveis, o que significa que o número real de vítimas pode ser ainda maior.
O que diz a Microsoft?
Posição oficial da empresa
A Microsoft confirmou a existência da falha e já emitiu atualizações de segurança para corrigir o problema. A empresa também colabora com órgãos de segurança para identificar os responsáveis pelos ataques.
Acusações contra hackers chineses
Tanto a Microsoft quanto a Alphabet (Google) sugerem que grupos de hackers chineses estariam por trás da operação. A acusação, no entanto, foi veementemente negada por autoridades de Pequim, que alegam estar sendo vítimas de campanhas de difamação.
Quais são os riscos para as instituições afetadas?
Impactos imediatos
- Exposição de dados sigilosos;
- Comprometimento de e-mails, senhas e documentos internos;
- Acesso não autorizado a redes corporativas;
- Risco de ransomware e chantagem digital.
Consequências a longo prazo
- Dano reputacional;
- Perda de confiança de parceiros e usuários;
- Multas por violação de normas de proteção de dados (como a LGPD e GDPR);
- Custos com mitigação e resposta ao incidente.
Como se proteger dessa e de outras vulnerabilidades?
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Boas práticas de cibersegurança
Atualizações e patches
Manter todos os sistemas atualizados com os patches de segurança mais recentes é a principal defesa contra esse tipo de ataque.
Monitoramento contínuo
Implementar ferramentas de detecção de intrusão, como SIEMs (Security Information and Event Management), que identificam atividades suspeitas em tempo real.
Treinamento de equipes
Capacitar profissionais de TI e segurança da informação para responder rapidamente a incidentes e adotar estratégias de defesa proativas.
Redução da superfície de ataque
- Eliminar serviços não utilizados.
- Restringir acessos administrativos.
- Implementar segmentação de rede.
O que esperar nos próximos meses?

Especialistas afirmam que o caso pode se desdobrar em investigações internacionais, especialmente se forem comprovados vínculos com operações de espionagem estatal. Além disso, espera-se que a Microsoft enfrente pressão regulatória e ações judiciais por parte de empresas prejudicadas que alegam negligência na correção da falha.
Investigação em andamento
As agências de segurança cibernética dos EUA e da União Europeia estão monitorando o caso, com possível envolvimento do FBI e do CERT-EU (Computer Emergency Response Team da União Europeia). A Eye Security segue rastreando novos sinais de comprometimento em outras regiões, inclusive na América Latina.
Conclusão
A falha no Microsoft SharePoint é mais do que um simples erro técnico. Ela revelou como a cibersegurança ainda é negligenciada em ambientes corporativos e governamentais.
Com ao menos 400 instituições vulneráveis — número que pode crescer —, este caso entra para a lista dos mais graves da década. A lição é clara: investir em segurança digital não é mais opcional. É uma necessidade estratégica.
Imagem: Asif Islam / shutterstock.com
