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Shoppings estudam fechar mais cedo com queda nas vendas

Queda no movimento e avanço do online fazem shoppings discutirem horários menores e novo modelo de negócio no Brasil.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
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A redução no fluxo de consumidores e o avanço acelerado do comércio eletrônico estão levando o setor de shopping centers a repensar um dos pilares do varejo físico: o horário de funcionamento. Tradicionalmente abertos até as 22h, muitos empreendimentos agora avaliam jornadas mais curtas para reduzir custos e se adaptar ao novo comportamento de consumo.

O debate ganhou força após dados recentes indicarem uma mudança estrutural no varejo brasileiro. Com consumidores mais cautelosos e cada vez mais habituados às compras online, lojistas questionam se manter longos períodos de funcionamento ainda é viável — especialmente em dias de menor movimento.

Queda no fluxo e nas vendas reais preocupa o setor

Leia mais: Maior shopping do país inicia processo para possível venda

Levantamento da Abrasce mostra que as visitas caíram 6,2% entre 2019 e 2025. Embora o faturamento nominal tenha registrado crescimento no período, as vendas reais — descontada a inflação — recuaram cerca de 25%.

Esse cenário revela um ponto importante: mesmo com aumento no valor total vendido, o poder de compra do consumidor diminuiu, impactando diretamente o desempenho das lojas físicas.

O que explica essa mudança?

Diversos fatores ajudam a entender o novo cenário:

  • Inflação acumulada nos últimos anos
  • Redução do poder de compra das famílias
  • Crescimento do comércio eletrônico
  • Mudança nos hábitos de consumo pós-pandemia

Na prática, o consumidor visita menos os shoppings e compra de forma mais planejada — muitas vezes comparando preços online antes de decidir.

Avanço do comércio eletrônico acelera transformação

O crescimento do e-commerce é um dos principais motores dessa mudança. No segmento de celulares, por exemplo, a participação das vendas online saltou de 25% em 2020 para 45% atualmente.

No varejo geral, a internet já supera os shopping centers em faturamento, consolidando uma tendência que se intensificou durante a pandemia e segue em expansão.

Exemplo prático do mercado

A Allied, distribuidora responsável por grande parte das lojas Samsung no Brasil, reduziu sua operação física de 180 para 95 unidades desde 2020.

A estratégia não significa retração total, mas sim foco em eficiência: menos lojas, porém mais rentáveis. As unidades mantidas passaram a concentrar maior faturamento médio, priorizando localizações estratégicas e alto fluxo qualificado.

Esse movimento reflete uma lógica cada vez mais comum no varejo: presença física mais enxuta e integrada ao digital.

Horários mais curtos entram no radar dos lojistas

Com menos circulação de clientes em determinados períodos, lojistas questionam a necessidade de manter lojas abertas até as 22h todos os dias.

Entre os principais argumentos para reduzir o horário estão:

  • Alto custo operacional (energia, funcionários, segurança)
  • Baixo movimento em horários noturnos em dias úteis
  • Margens de lucro pressionadas
  • Necessidade de eficiência operacional

Em alguns casos, a proposta envolve horários flexíveis, com funcionamento reduzido em dias de menor movimento e horários estendidos apenas em datas estratégicas, como fins de semana e datas comemorativas.

Debate sobre escala de trabalho também influencia

Outro fator que pressiona a discussão é o debate sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e folga um.

Uma eventual mudança nesse sistema pode impactar diretamente o funcionamento dos shoppings, exigindo reestruturação das jornadas e aumento de custos com pessoal.

Para muitos lojistas, reduzir o horário seria uma forma de equilibrar essa possível nova realidade trabalhista.

Administradoras resistem, mas modelo está em transformação

Apesar da pressão dos lojistas, administradoras de shopping centers ainda resistem à ideia de redução generalizada no horário. Isso porque o funcionamento estendido faz parte do modelo tradicional desses empreendimentos e influencia a experiência do consumidor.

No entanto, há consenso de que o papel dos shoppings está mudando.

Novo posicionamento dos shoppings

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Para se manterem relevantes, muitos centros comerciais estão ampliando sua atuação em áreas como:

  • Gastronomia
  • Entretenimento
  • Serviços (academias, clínicas, coworkings)
  • Eventos e experiências

A ideia é transformar o shopping em um espaço de convivência e lazer — e não apenas de compras.

O que muda para o consumidor?

Para o público, as possíveis mudanças no horário podem trazer impactos diretos:

  • Menor disponibilidade de lojas à noite
  • Maior concentração de movimento em horários específicos
  • Experiência mais focada em lazer e serviços

Por outro lado, a adaptação do setor pode tornar os shoppings mais eficientes e alinhados com as novas demandas.

Tendência é de ajuste, não de desaparecimento

Apesar dos desafios, especialistas do setor apontam que os shopping centers não devem desaparecer, mas sim evoluir.

O modelo tende a se tornar mais híbrido, combinando:

  • Presença física estratégica
  • Integração com o digital
  • Foco em experiência do cliente

Assim como aconteceu em outros países, o varejo físico brasileiro está passando por um processo de adaptação — e os shoppings seguem como parte importante desse ecossistema.

Considerações finais

A discussão sobre a redução do horário de funcionamento dos shoppings reflete uma transformação mais ampla no varejo brasileiro. Com menos circulação, custos elevados e crescimento do comércio eletrônico, lojistas buscam alternativas para manter a rentabilidade.

Embora ainda exista resistência por parte das administradoras, o movimento indica que mudanças são inevitáveis. O futuro dos shoppings passa pela adaptação — seja no horário, no mix de lojas ou na proposta de valor.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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