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Simples Nacional pode perder espaço após reforma tributária; entenda o motivo

A reforma tributária brasileira tem sido apresentada como uma grande transformação voltada para simplificar impostos, reduzir disputas judiciais e modernizar a cobrança sobre o consumo. Porém, além das mudanças conhecidas pelo público, existem impactos estratégicos que podem alterar a forma como empresas negociam entre si. Um dos principais pontos de atenção envolve as empresas enquadradas […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 7 min de leitura
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A reforma tributária brasileira tem sido apresentada como uma grande transformação voltada para simplificar impostos, reduzir disputas judiciais e modernizar a cobrança sobre o consumo. Porém, além das mudanças conhecidas pelo público, existem impactos estratégicos que podem alterar a forma como empresas negociam entre si.

Um dos principais pontos de atenção envolve as empresas enquadradas no Simples Nacional que atuam como fornecedoras de produtos e serviços para outras empresas.

A mudança pode afetar principalmente relações comerciais entre pequenos fornecedores e grandes contratantes, pois a nova estrutura tributária dará maior importância ao aproveitamento de créditos tributários ao longo da cadeia produtiva.

Na prática, a decisão tributária de uma pequena empresa poderá deixar de ser apenas uma questão contábil e passar a influenciar diretamente sua competitividade no mercado.

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Por que a reforma tributária preocupa empresas do Simples Nacional

O Simples Nacional foi criado para facilitar o pagamento de tributos por micro e pequenas empresas, reunindo diferentes impostos em uma única guia de recolhimento.

O regime simplificado reduziu burocracias e permitiu que milhares de pequenos negócios permanecessem formalizados.

Com a implementação da reforma tributária, entretanto, a lógica de funcionamento do sistema de impostos sobre consumo será alterada.

A criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista na regulamentação da reforma, introduz uma estrutura baseada no princípio da não cumulatividade, no qual empresas podem aproveitar créditos tributários relacionados às operações realizadas.

Essa característica pode criar uma diferença competitiva entre fornecedores dependendo do regime escolhido para recolhimento dos tributos.

Escolha do regime poderá influenciar decisões comerciais

A partir das novas regras, empresas do Simples Nacional precisarão avaliar se permanecerão exclusivamente dentro do regime simplificado ou se adotarão uma alternativa que permita maior geração de créditos de CBS para seus clientes empresariais.

Embora a decisão tenha natureza tributária, seus efeitos podem alcançar diretamente a área comercial.

Isso acontece porque empresas compradoras, especialmente aquelas enquadradas no regime regular de tributação, poderão considerar o volume de créditos gerados por seus fornecedores como um fator econômico relevante.

Em uma negociação entre empresas, dois fornecedores podem oferecer:

  • o mesmo produto;
  • preços semelhantes;
  • qualidade equivalente;
  • prazos de entrega parecidos.

Ainda assim, um deles poderá ser mais atrativo para o comprador caso permita maior aproveitamento de créditos tributários.

Como funciona a lógica dos créditos tributários

A reforma tributária adota um modelo em que os tributos pagos ao longo da cadeia podem gerar créditos para as empresas seguintes.

Esse mecanismo busca evitar o chamado efeito cascata, no qual um imposto acaba sendo acumulado diversas vezes durante a produção e comercialização de um produto.

Em cadeias empresariais complexas, como construção civil, infraestrutura e indústria, esse sistema pode ter impacto significativo.

Por isso, a capacidade de gerar créditos poderá se transformar em um elemento adicional de competitividade.

Pequenos fornecedores podem sentir impactos principalmente no mercado B2B

Um dos pontos mais relevantes da mudança está no relacionamento entre empresas, conhecido como mercado B2B (business to business).

Hoje, muitos pequenos negócios conseguem competir com empresas maiores principalmente por fatores como:

  • preço competitivo;
  • proximidade regional;
  • flexibilidade no atendimento;
  • conhecimento do mercado local.

Com a nova estrutura tributária, porém, o comprador empresarial poderá incluir o impacto fiscal da contratação na análise de fornecedores.

Isso não significa que empresas do Simples Nacional deixarão de participar das cadeias produtivas, mas indica que a questão tributária poderá ganhar mais peso nas decisões comerciais.

Setor de infraestrutura concentra grande número de pequenos fornecedores

A discussão ganha ainda mais importância no setor de infraestrutura brasileira.

Apesar de grandes obras geralmente serem associadas a grandes empresas, a cadeia de fornecimento depende de milhares de pequenos negócios espalhados pelo país.

Levantamentos realizados com base em dados empresariais oficiais e bases estatísticas nacionais indicam que segmentos ligados ao fornecimento de materiais e serviços para obras reúnem centenas de milhares de empresas ativas.

Grande parte desses negócios está enquadrada no Simples Nacional.

Entre os setores envolvidos estão:

  • comércio de materiais de construção;
  • lojas de ferragens;
  • extração de areia, pedra e brita;
  • fabricação de concreto e artefatos de cimento;
  • fornecedores de equipamentos e serviços especializados.

Essas empresas possuem papel fundamental no funcionamento da infraestrutura nacional.

Municípios do interior podem ser os mais impactados

A importância dos pequenos fornecedores fica ainda mais evidente fora dos grandes centros urbanos.

Quando uma concessionária realiza uma obra rodoviária, uma empresa de saneamento amplia uma rede ou uma construtora inicia um empreendimento em uma cidade do interior, muitas compras são feitas localmente.

Materiais como:

  • areia;
  • brita;
  • concreto;
  • ferragens;
  • equipamentos;
  • serviços de apoio;

frequentemente são adquiridos de empresas instaladas na própria região.

Grande parte desses fornecedores está enquadrada no Simples Nacional.

Dessa forma, alterações na lógica de créditos tributários podem influenciar não apenas pequenas empresas, mas também grandes projetos que dependem desses fornecedores.

Empresas precisarão analisar estratégia antes da mudança

A reforma tributária exige que empresários não observem apenas a carga tributária direta.

Será necessário avaliar outros fatores, como:

  • perfil dos clientes;
  • participação em cadeias empresariais;
  • volume de vendas para outras empresas;
  • necessidade de gerar créditos tributários;
  • impacto nos preços praticados.

Para alguns negócios, permanecer no Simples Nacional pode continuar sendo a melhor alternativa.

Para outros, especialmente aqueles que vendem majoritariamente para empresas maiores, uma mudança de estratégia poderá ser considerada.

Não existe uma regra única aplicável a todos os negócios.

Grandes empresas também precisam acompanhar a mudança

O impacto não está restrito aos pequenos fornecedores.

Empresas de maior porte também precisarão revisar suas políticas de compras e relacionamento com fornecedores.

Setores como:

  • construção civil;
  • energia;
  • logística;
  • saneamento;
  • concessões públicas;
  • indústria;

terão de avaliar como a nova dinâmica tributária afetará suas cadeias de abastecimento.

A escolha dos fornecedores poderá envolver uma análise mais ampla, considerando não apenas preço e qualidade, mas também eficiência fiscal.

Reforma tributária não significa exclusão automática dos pequenos negócios

Apesar das preocupações, especialistas alertam que ainda não existem elementos suficientes para afirmar que haverá saída em massa de empresas do Simples Nacional ou perda generalizada de espaço no mercado.

A reforma tributária não elimina automaticamente a competitividade dos pequenos negócios.

Muitos fatores continuarão sendo decisivos nas relações comerciais, como:

  • capacidade de entrega;
  • confiabilidade;
  • localização;
  • atendimento;
  • especialização.

O ponto central é que o sistema tributário passará a ser mais um elemento considerado nas negociações empresariais.

O que as empresas devem fazer antes da implementação da CBS

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Imagem criada por IA/ Seu Crédito Digital

A preparação antecipada pode reduzir riscos e melhorar a tomada de decisão.

Entre as medidas recomendadas estão:

Revisar o perfil dos clientes

Empresas que vendem principalmente para consumidores finais podem ter impactos diferentes daquelas que fornecem para grandes companhias.

Avaliar contratos existentes

Negociações de longo prazo podem precisar considerar a nova dinâmica tributária.

Conversar com profissionais contábeis

A análise deve considerar faturamento, margem de lucro, tipo de operação e perfil dos compradores.

Planejar preços e posicionamento comercial

A tributação poderá influenciar a formação de preços e a relação com clientes empresariais.

Imagem: Reprodução

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