Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Situação fiscal em 2026 preocupa: entenda os impactos e medidas

O governo Lula enfrenta desafios fiscais em 2026 com superávit primário apertado e medidas de arrecadação em debate.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Décimo Governo

O ano de 2026 apresenta desafios significativos para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente na área fiscal. A equipe econômica, comandada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, precisa lidar com um cenário complexo de metas apertadas e a necessidade de garantir equilíbrio nas contas públicas em meio a pressões políticas e econômicas.

Segundo especialistas, o governo entra no próximo ano com uma situação fiscal delicada, marcada por uma meta de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 34 bilhões, com intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual. Ou seja, se o governo alcançar o equilíbrio das contas, mesmo que ligeiramente acima ou abaixo do previsto, a meta será considerada cumprida.

O que pressiona o orçamento federal

Leia mais: Governo encerra pagamento de R$ 1.800 do Pé-de-Meia nesta terça-feira, entenda!

Despesas contratadas e receitas projetadas

Uma das principais preocupações da equipe econômica está relacionada à necessidade orçamentária já contratada em 2025. O Orçamento enviado ao Congresso previa medidas que ainda estavam em tramitação, exigindo do governo alternativas rápidas para sustentar a arrecadação e cumprir a meta fiscal.

Tentativas de arrecadação

Em 2025, o governo tentou aumentar a arrecadação por meio de um decreto sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). No entanto, após pressão política, parte da medida foi revertida. Uma Medida Provisória (MP 1303/2025) foi enviada como alternativa, incluindo taxação de apostas online e fintechs, além de revisões em benefícios sociais, estimando gerar R$ 30 bilhões para o orçamento de 2026.

Entretanto, a MP caducou antes da votação no Congresso, obrigando o governo a buscar novas fontes de arrecadação para atingir o superávit primário.

Estratégias do governo para equilibrar as contas

Revisão de benefícios e taxação de apostas

O governo passou a utilizar projetos de lei já em tramitação para incorporar medidas da MP, prática conhecida como “jabuti”. Entre as ações aprovadas estão a revisão de benefícios sociais, como o seguro defeso, e a taxação das apostas online, com aprovação em comissão no Senado e encaminhamento à Câmara.

Limitação de benefícios fiscais

Outra aposta do Executivo é um projeto de lei que limita benefícios fiscais, com previsão de arrecadar R$ 20 bilhões. Essa medida poderia ser suficiente para atingir o superávit de 0,25% do PIB em 2026.

Fatores que dificultam o equilíbrio fiscal

Crescimento das despesas obrigatórias

O governo federal, com políticas expansionistas, vê o aumento das despesas atreladas ao PIB, como saúde e educação, reduzir a margem para gastos discricionários. Despesas obrigatórias, como folha de pagamento, consomem grande parte do orçamento.

Déficit da Previdência

O déficit do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) continua elevado, principalmente em relação a aposentadorias rurais e contribuições de Microempreendedores Individuais (MEIs). Segundo especialistas, o subfinanciamento da Previdência impacta diretamente o resultado fiscal do governo.

Papel do TCU e fiscalização do arcabouço fiscal

O Tribunal de Contas da União (TCU) alertou o governo sobre a prática de mirar o piso da meta fiscal em vez do centro da meta, que corresponderia a déficit zero. Apesar do alerta, o Congresso autorizou a utilização da banda inferior da meta, medida que, segundo o TCU, traz riscos ao equilíbrio fiscal.

A equipe econômica, por sua vez, afirma que trabalha para atingir o centro da meta, considerando a banda de tolerância como margem de segurança. O Ministério da Fazenda destaca ainda que o déficit primário está em trajetória de consolidação, e que fatores como a taxa Selic influenciam mais o déficit nominal do que o primário.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Cenário fiscal e impactos políticos

A situação fiscal delicada se soma ao contexto eleitoral de 2026, aumentando a pressão sobre o governo Lula. A necessidade de manter popularidade e confiança nos mercados exige equilíbrio entre arrecadação, controle de despesas e execução de políticas públicas.

O cumprimento do superávit primário, mesmo que apertado, será um indicativo importante de responsabilidade fiscal, impactando tanto a avaliação internacional do país quanto a percepção da população sobre a gestão econômica.

FAQ

O que é superávit primário?
Superávit primário ocorre quando as receitas do governo superam suas despesas, antes do pagamento de juros da dívida pública.

Quais medidas o governo está adotando para alcançar a meta?
O governo revisou benefícios sociais, aprovou a taxação de apostas e busca limitar benefícios fiscais com projetos de lei.

Por que o déficit do INSS preocupa?
O déficit da Previdência, especialmente em relação a aposentadorias rurais e MEIs, compromete o equilíbrio fiscal a médio e longo prazo.

Qual é o papel do TCU na fiscalização fiscal?
O TCU alerta o governo sobre práticas fiscais que possam comprometer o cumprimento das metas, como mirar no piso em vez do centro da meta fiscal.

Considerações finais

O ano de 2026 exigirá do governo Lula habilidade política e econômica para cumprir a meta de superávit primário, controlar despesas obrigatórias, garantir arrecadação suficiente e manter a estabilidade fiscal. A combinação de medidas emergenciais, revisão de benefícios e taxação de setores específicos mostra a complexidade do desafio que a equipe econômica enfrenta.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

Topicos relacionados