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Soja no Brasil: preços recuam e só uma região mantém estabilidade

Preços da soja recuam no Brasil, com exceção de Rondonópolis. Clima favorável nos EUA e tensões comerciais pressionam mercado global.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Soja

A semana começou com um cenário de baixa para o mercado da soja no Brasil. A combinação de clima favorável ao desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, incertezas comerciais e a recente valorização do dólar compôs um ambiente de pressão sobre as cotações, tanto no mercado externo quanto interno. O único polo de estabilidade foi registrado em Rondonópolis, no Mato Grosso.

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Imagem: jcomp – freepik

Na Bolsa de Chicago, referência global para o preço da soja, os contratos futuros encerraram o dia com quedas expressivas. O contrato de julho fechou cotado a US$ 10,31 1/2 por bushel, com recuo de 24 centavos (2,27%), enquanto a posição para novembro caiu 28,5 centavos (2,71%), atingindo US$ 10,20 3/4 por bushel.

A desvalorização foi puxada principalmente pelas condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas. O clima mais ameno no cinturão agrícola dos EUA aumentou a perspectiva de uma safra robusta, o que exerce pressão baixista sobre os preços.

Outro fator de peso foi o anúncio do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que afirmou que tarifas sobre importações podem voltar aos patamares elevados de abril, caso não haja progresso em acordos com cerca de 100 países até 1º de agosto.

Para agravar o cenário, o presidente Donald Trump declarou que pretende impor uma tarifa adicional de 10% a países que se alinharem a políticas consideradas “antiamericanas” pelo grupo BRICS. A falta de clareza sobre os critérios de alinhamento gerou instabilidade nos mercados globais.

Brasil: produtores resistem à venda e mercado trava

No Brasil, a queda nas cotações internacionais não foi totalmente compensada pela alta do dólar, o que resultou em um mercado praticamente travado. Segundo o consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, há um descompasso entre os valores pedidos pelos produtores e os ofertados pelos compradores, o que freia os negócios.

“É um mercado travado. Os produtores continuam segurando o produto e exigindo preços muito altos para fechar negócio, o que reduz bastante a liquidez”, afirmou Silveira.

Preços da soja no Brasil: recuos generalizados

A maioria das praças acompanhou a tendência de baixa. A única exceção foi Rondonópolis (MT), que manteve a estabilidade em R$ 117,00. Veja os principais preços:

Quedas registradas:

  • Passo Fundo (RS): de R$ 131,00 para R$ 130,00
  • Santa Rosa (RS): de R$ 132,00 para R$ 131,00
  • Rio Grande (RS): de R$ 137,00 para R$ 135,00
  • Cascavel (PR): de R$ 131,00 para R$ 130,00
  • Paranaguá (PR): de R$ 136,00 para R$ 134,00
  • Dourados (MS): de R$ 120,00 para R$ 118,00
  • Rio Verde (GO): de R$ 120,00 para R$ 118,00

Estabilidade:

  • Rondonópolis (MT): R$ 117,00

Subprodutos também seguem em queda

Imagem: Freepik

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Os subprodutos da soja também sentiram os efeitos da pressão externa. O farelo para agosto teve queda de US$ 5,20 (1,87%), encerrando a US$ 272,20 por tonelada. Já o óleo com vencimento em agosto recuou 0,61 centavo (1,11%), sendo cotado a 53,94 centavos de dólar por libra-peso.

Alta do dólar limita perdas, mas não reverte cenário

A valorização do dólar frente ao real ajudou a conter parte das perdas no mercado doméstico. O dólar comercial fechou em alta de 1%, vendido a R$ 5,4788 e comprado a R$ 5,4768. Durante o dia, a moeda oscilou entre R$ 5,4378 e R$ 5,4838, influenciada pelo aumento da aversão ao risco no cenário internacional e pela força global da moeda americana.

Apesar disso, a alta cambial não foi suficiente para garantir negócios mais aquecidos no mercado da soja. O descompasso entre oferta e demanda interna, aliado à instabilidade global, manteve os agentes do setor em alerta e retraídos.

Expectativas para o curto prazo

Com os mercados globais monitorando atentamente os desdobramentos das negociações comerciais dos Estados Unidos e o comportamento climático nas lavouras norte-americanas, o cenário para a soja segue incerto.

A resistência dos produtores brasileiros em aceitar os preços atuais adiciona mais um obstáculo para a retomada da liquidez. Para Rafael Silveira, o mercado deve seguir travado nos próximos dias, a menos que haja um movimento significativo no câmbio ou nos preços internacionais.

Conclusão

O mercado da soja vive um momento de volatilidade e incerteza, refletindo diretamente no comportamento dos preços no Brasil. A estabilidade em Rondonópolis (MT) se apresenta como exceção em um cenário marcado por quedas generalizadas e por negociações emperradas entre produtores e compradores. A influência de fatores externos, como clima e geopolítica, deverá continuar ditando o rumo do setor nas próximas semanas.

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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