Um novo estudo da Abrace acende o alerta sobre o impacto oculto da energia no bolso dos brasileiros. Longe de se restringir à fatura mensal, o custo energético está presente em boa parte dos produtos e serviços consumidos diariamente, chegando a representar até 92% do preço final em alguns casos.
Energia pode compor até 92% do preço dos alimentos, segundo estudo
Estudo da Abrace revela que o custo da energia pode representar até 92% do preço de produtos essenciais como o queijo.
O levantamento revela como esse fator vem pressionando a inflação, reduzindo a competitividade industrial e ampliando o custo de vida no país. Ao mesmo tempo, mudanças recentes propostas pelo governo no setor elétrico acendem o debate sobre quem, de fato, arca com a conta da energia no Brasil.
Energia como fator de inflação

Leia mais: Conta de energia grátis para famílias de baixa renda: saiba como pedir
Produtos mais afetados
De acordo com o levantamento, produtos amplamente consumidos pela população apresentam alta participação do custo de energia no preço final. Entre os exemplos estão:
- Queijo: 92,5%
- Água e esgoto: 53,5%
- Gás de botijão: 53,1%
- Revestimento cerâmico: 43,9%
- Cimento: 31,6%
- Pão francês: 29,8%
- Vidro: 29,8%
- Leite e derivados: 28,3%
- Carnes: 27,2%
Essa composição revela um cenário preocupante: a energia é um dos principais vetores de aumento de preços no Brasil, atingindo diretamente alimentos e bens essenciais à construção civil e ao saneamento.
Inflação elevada e acima da meta
A Abrace destaca que a elevação dos custos energéticos foi um dos fatores responsáveis por o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter ultrapassado a meta definida pelo Banco Central em mais de 50% dos anos entre 2000 e 2024. No período, enquanto o IPCA acumulou alta de 326%, o custo da eletricidade para a indústria cresceu 1.299% e o do gás natural, 2.251%.
Comparação internacional desfavorável
Custo da energia no Brasil x exterior
Mesmo quando analisado em dólares, o custo da energia no Brasil para o setor industrial apresentou aumento mais expressivo do que em países desenvolvidos. Entre 2000 e 2024:
- Eletricidade industrial no Brasil: +231,4%
- EUA: +127,5%
- União Europeia: +100,2%
Já o gás natural subiu:
- Brasil: +115,8%
- EUA: queda de 72,6%
Esses números demonstram que a indústria brasileira enfrenta desvantagem competitiva global, o que impacta sua capacidade de exportação, atração de investimentos e geração de empregos.
Reforma do setor elétrico e seus efeitos
Medida Provisória 1.300/2025 e a nova tarifa social
A MP 1.300/2025, enviada ao Congresso em maio, propõe uma nova tarifa social de energia. A medida prevê isenção total na conta de luz para famílias do CadÚnico que ganham até meio salário mínimo por pessoa (R$ 759) e consomem até 80 kWh por mês. Também isenta da cobrança da CDE os domicílios com renda de até um salário mínimo (R$ 1.518) e consumo mensal de até 120 kWh.
Consequências econômicas amplas
Impacto sobre a competitividade e o consumo
O aumento no custo da energia impacta diretamente a competitividade da indústria nacional, que já enfrenta dificuldades para competir com países onde os custos de produção são menores. Isso leva à redução de investimentos, desestímulo à inovação e até desemprego em setores intensivos em energia.
Além disso, o repasse dos custos ao consumidor final afeta o poder de compra das famílias, gerando uma espiral inflacionária que penaliza principalmente as camadas mais pobres da população.
Setores mais vulneráveis
A elevação dos custos impacta setores fundamentais como:
- Alimentos: afeta diretamente a segurança alimentar
- Construção civil: dificulta a execução de obras públicas e privadas
- Varejo: encarece produtos e diminui margens de lucro
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Caminhos possíveis e debate político

Alternativas defendidas pela Abrace
A associação propõe medidas para mitigar os efeitos da energia cara sobre a economia, como:
- Redução de encargos setoriais repassados à indústria
- Incentivo à contratação livre de energia
- Reforma tributária específica sobre energia
- Ampliação da geração distribuída e das fontes renováveis
Necessidade de debate no Congresso
Como a MP 1.300/2025 ainda depende de aprovação no Congresso Nacional, há espaço para negociação e revisão de seus efeitos colaterais. Setores industriais pressionam por compensações ou por uma redistribuição mais equitativa dos encargos do setor elétrico.
FAQ – Perguntas frequentes
A energia influencia diretamente o preço dos alimentos?
Sim. Em produtos como queijo, leite, carne e pão, o custo da energia representa uma parcela significativa do valor final. Em alguns casos, ultrapassa 90%, como no queijo, segundo a Abrace.
Por que o custo da energia no Brasil é mais alto que em outros países?
Os altos encargos setoriais, tributos elevados, subsídios cruzados e a falta de um mercado plenamente competitivo fazem com que a energia brasileira, especialmente para a indústria, seja mais cara do que em países como EUA e os da União Europeia.
Considerações finais
A construção de um sistema elétrico mais justo e competitivo exige transparência, diálogo entre os setores público e privado e foco no longo prazo. Caso contrário, o país continuará pagando caro — não só na conta de luz, mas também no supermercado, no aluguel e nas oportunidades perdidas de desenvolvimento.
