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Soja reduz ganhos no fim do pregão e fecha com leves altas na Bolsa de Chicago

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
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A soja fechou a segunda-feira (5) em alta na Bolsa de Chicago, mas devolveu boa parte dos ganhos registrados durante a manhã. Os contratos chegaram a avançar mais de 10 pontos no início dos negócios, impulsionados principalmente pela valorização do trigo em meio às tensões no Leste Europeu.

Ao longo da sessão, porém, a soja perdeu força. O avanço da colheita nos Estados Unidos aumentou a oferta disponível no curto prazo, enquanto as dúvidas sobre a demanda internacional limitaram uma recuperação mais consistente.

No Brasil, o cenário foi ainda mais desafiador para os produtores. A valorização do real frente ao dólar reduziu o valor das cotações internacionais quando convertidas para a moeda brasileira, pressionando as referências nos portos.

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Como fechou a soja em Chicago?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Os principais contratos terminaram o pregão no campo positivo:

  • Novembro/26: US$ 12,80 por bushel, alta de 2,50 pontos;
  • Janeiro/27: US$ 12,97 por bushel, avanço de 3 pontos;
  • Março/27: US$ 13,08 por bushel, alta de 3,25 pontos;
  • Maio/27: US$ 13,17 por bushel, valorização de 3,25 pontos.

Apesar do resultado positivo, o fechamento ficou distante das máximas alcançadas durante a manhã.

A diferença entre a abertura e o encerramento mostra que o mercado encontrou resistência para sustentar o movimento de alta diante dos fundamentos específicos da soja.

Por que a soja subiu no início do pregão?

O principal fator de sustentação veio do trigo.

As preocupações relacionadas aos corredores de exportação no Leste Europeu, em meio à continuidade das tensões entre Rússia e Ucrânia, impulsionaram os preços do cereal.

O movimento acabou influenciando também outras commodities agrícolas negociadas em Chicago.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities, explicou que a valorização do trigo ofereceu suporte ao complexo de grãos durante os primeiros negócios.

O trigo chegou a apresentar ganhos superiores a 10 pontos pela manhã, criando um ambiente positivo para soja e milho.

O que o trigo tem a ver com a soja?

Embora tenham fundamentos diferentes, trigo, milho e soja fazem parte do mesmo grande mercado de commodities agrícolas.

Movimentos de preço provocados por fatores externos, como clima, geopolítica ou problemas de exportação, podem influenciar o posicionamento dos investidores em diferentes contratos.

Foi o que aconteceu nesta segunda-feira.

A alta do trigo ajudou a soja no começo do pregão, mas esse suporte perdeu força à medida que os operadores voltaram a concentrar atenção nos fundamentos da própria oleaginosa.

Avanço da colheita nos EUA limita recuperação

O principal fator de pressão sobre a soja continua sendo o avanço da colheita norte-americana.

Com a entrada da nova safra nos Estados Unidos, aumenta a disponibilidade física do produto. Esse movimento tende a limitar altas mais expressivas quando a demanda não cresce no mesmo ritmo.

O mercado também acompanha de perto os números de produtividade da safra americana.

A confirmação de uma produção maior pode aumentar a pressão sobre as cotações, principalmente porque os estoques e a disponibilidade futura passam a ser avaliados de maneira mais confortável pelos compradores.

Por outro lado, qualquer redução nas estimativas de produtividade pode funcionar como um fator de sustentação para Chicago.

É justamente por isso que o próximo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) está entre os principais eventos da semana.

WASDE será divulgado na sexta-feira

O mercado já começa a se posicionar para a divulgação do relatório WASDE, sigla em inglês para World Agricultural Supply and Demand Estimates.

O documento do USDA reúne projeções para produção, consumo, estoques e comércio de diversas commodities agrícolas.

A divulgação está prevista para sexta-feira (9).

Para a soja, os investidores estarão especialmente atentos a possíveis mudanças nas estimativas para a produção norte-americana.

Uma produtividade maior que a esperada poderia aumentar a pressão sobre Chicago. Já uma revisão para baixo teria potencial de sustentar os preços.

Além dos Estados Unidos, os números de oferta e demanda mundial também serão importantes para determinar a direção do mercado.

Dólar muda o cenário para o produtor brasileiro

Enquanto Chicago terminou em alta, o produtor brasileiro encontrou um cenário menos favorável.

A valorização do real diante do dólar reduziu a conversão das cotações internacionais para reais.

Isso significa que uma alta da soja em Chicago não necessariamente representa aumento equivalente no preço recebido pelo produtor brasileiro.

A formação dos preços domésticos depende de uma combinação de fatores, entre eles:

  • cotação internacional em Chicago;
  • taxa de câmbio;
  • prêmios de exportação;
  • oferta e demanda no mercado brasileiro;
  • custos logísticos;
  • disponibilidade regional do produto.

Por isso, o comportamento do dólar pode ser tão importante quanto o da própria Bolsa de Chicago para quem comercializa soja no Brasil.

Produtor aproveitou preços mais altos para avançar nas vendas

Antes da pressão provocada pela valorização do real, produtores brasileiros vinham aproveitando momentos de preços mais elevados para aumentar a comercialização.

Eduardo Vanin também destacou esse movimento durante a análise do mercado.

Com o câmbio menos favorável, porém, novas vendas podem encontrar maior resistência.

Para o produtor que ainda possui soja armazenada, a decisão entre vender agora ou esperar depende de fatores individuais, como necessidade de caixa, custo de armazenagem, compromissos financeiros e percentual da produção já comercializado.

Não existe uma estratégia única que seja adequada para todos os produtores.

Quanto a soja vale no mercado brasileiro?

A diferença entre Chicago e o mercado doméstico ficou evidente no pregão.

Enquanto os contratos futuros em Chicago terminaram em alta, referências brasileiras apresentaram queda.

O indicador da soja ESALQ/B3 em Paranaguá terminou o dia em R$ 158,09, com recuo de 1,16%.

No Paraná, o indicador ficou em R$ 149,89 por saca de 60 quilos, queda de 2,73%.

O comportamento mostra como o câmbio pode neutralizar parte da valorização registrada no mercado internacional.

O que esperar da soja nos próximos dias?

A semana deve continuar marcada por volatilidade.

De um lado, o avanço da colheita nos Estados Unidos aumenta a oferta disponível. De outro, fatores climáticos, geopolíticos e comerciais podem alterar rapidamente as expectativas dos investidores.

A demanda chinesa também permanece no radar.

Como principal comprador mundial de soja, qualquer mudança no ritmo das importações chinesas pode provocar impacto significativo nas cotações internacionais.

O câmbio será outro fator decisivo para o mercado brasileiro.

Se o real continuar valorizado, a alta de Chicago poderá ter dificuldade para chegar integralmente aos preços domésticos.

O que pode fazer a soja subir?

Entre os fatores capazes de oferecer sustentação às cotações estão:

  • redução das estimativas de produção nos Estados Unidos;
  • problemas climáticos;
  • aumento das compras chinesas;
  • queda dos estoques projetados;
  • problemas logísticos ou geopolíticos;
  • valorização de outras commodities agrícolas.

Uma combinação desses fatores poderia favorecer uma recuperação mais consistente da soja em Chicago.

O que pode pressionar os preços?

Por outro lado, o mercado enfrenta fatores que podem limitar novas altas.

Uma produção maior nos Estados Unidos, avanço da colheita, demanda chinesa abaixo das expectativas e fortalecimento do dólar diante do real poderiam aumentar a pressão sobre os preços brasileiros.

No caso do mercado internacional, estoques mais elevados também tendem a reduzir a necessidade de valorização dos contratos.

Soja terminou em alta, mas mercado continua cauteloso

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A segunda-feira mostrou um mercado dividido.

A soja recebeu suporte da valorização do trigo durante a manhã e chegou a registrar ganhos expressivos. Entretanto, o avanço da colheita nos Estados Unidos e as incertezas sobre a demanda limitaram o movimento.

No Brasil, a situação foi ainda mais complexa devido à valorização do real, que reduziu o impacto da alta de Chicago sobre os preços domésticos.

Agora, a atenção se volta principalmente para o relatório WASDE de sexta-feira.

Até lá, produtores e investidores devem acompanhar o comportamento do dólar, o andamento da colheita norte-americana, as compras chinesas e os novos sinais sobre oferta e demanda mundial.

Conclusão

A soja encerrou a segunda-feira em alta em Chicago, mas o movimento perdeu força ao longo do pregão diante do avanço da colheita nos Estados Unidos e das incertezas sobre a demanda internacional. No Brasil, a valorização do real aumentou a pressão sobre os preços, limitando o impacto positivo da Bolsa de Chicago para o produtor.

Nos próximos dias, o mercado deve permanecer atento ao comportamento do dólar, ao ritmo das compras chinesas e, principalmente, ao relatório WASDE do USDA, previsto para sexta-feira (9). Os novos dados sobre produção, estoques e oferta mundial poderão definir o próximo movimento das cotações e ajudar a indicar se a soja terá espaço para sustentar a recuperação ou se continuará enfrentando pressão.

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