O comércio digital está se consolidando como uma das principais formas de consumo no Estado de São Paulo. Segundo a Pesquisa de Hábitos de Consumo por Aplicativos 2023-2025, realizada pela Fundação Seade, metade da população paulista já utiliza aplicativos para comprar produtos ou contratar serviços.
Comércio digital cresce em São Paulo: Metade da população já compra pelo app!
Comércio digital cresce em São Paulo. Saiba como apps transformam hábitos e por que inclusão digital ainda é um desafio.
Esse número revela um cenário cada vez mais tecnológico, no qual o celular se firma como protagonista das transações digitais.
A pesquisa, que analisa o comportamento digital dos paulistas ao longo de três anos, também evidencia desigualdades importantes no acesso e uso dessas tecnologias, refletindo os contrastes sociais, econômicos e regionais do estado mais populoso do Brasil.
Leia mais:
Fim da autoescola pode reduzir custo da CNH em até 80%
Perfil dos consumidores digitais em São Paulo

Jovens e população de alta renda lideram o uso
De acordo com o levantamento, 65% dos jovens entre 18 e 29 anos utilizam aplicativos para consumo, evidenciando uma familiaridade maior com a tecnologia e uma rotina de compras mais digitalizada. Essa taxa contrasta fortemente com a dos mais pobres, cuja adesão é de apenas 22%.
Além da faixa etária, nível de escolaridade e renda familiar também influenciam significativamente. Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, a taxa de uso de apps é muito mais expressiva que entre os grupos de baixa renda. O padrão de consumo digital, portanto, ainda está condicionado à exclusão digital, que limita o acesso pleno à nova economia.
Diferença entre capital e interior
A capital paulista lidera a penetração dos aplicativos de consumo, com 53% de adesão, enquanto o interior registra 47%. As maiores taxas são encontradas na Região Metropolitana de São Paulo (54%), no Vale do Paraíba e Litoral Norte (53%), e na Baixada Santista (52%). Por outro lado, regiões como Piracicaba (45%) e Sorocaba (47%) apresentam números mais baixos.
Cidades maiores, maior digitalização
O tamanho dos municípios também é um fator determinante. Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, 52% da população utiliza aplicativos. Já em cidades com até 20 mil habitantes, o índice despenca para 38%, confirmando que a infraestrutura urbana e tecnológica impacta diretamente o comportamento de consumo.
Celular é o dispositivo preferido para comprar
Smartphones dominam o comércio digital
O smartphone é o principal meio de acesso às plataformas de consumo: 80% das compras por aplicativos foram realizadas via celular, segundo o Seade. A estabilidade desse índice nos últimos três anos mostra que o celular continua sendo o canal de preferência dos consumidores digitais paulistas.
Além da acessibilidade, os aplicativos são desenvolvidos com interfaces amigáveis e otimizadas para dispositivos móveis, o que contribui para a popularização do consumo digital entre diferentes faixas etárias.
Frequência e tipos de consumo por apps
Compras diárias e semanais ganham força
A pesquisa mostra que 28% dos usuários realizam compras diárias por meio de aplicativos, enquanto 38% compram pelo menos uma vez por semana. Entre os jovens, o número é ainda mais expressivo: 74% fazem compras com essa frequência, o que indica um hábito já consolidado.
Comida pronta lidera as preferências
O pedido de comida pronta (lanches e refeições) foi citado por 37% dos entrevistados como a última compra realizada, com destaque para os mais jovens (54%) e pessoas com maior poder aquisitivo (45%).
Em segundo lugar, aparecem os serviços de transporte, com 13% das menções. Entre os consumidores mais velhos (acima de 60 anos), os produtos mais adquiridos são medicamentos, roupas e cosméticos, com 56% das preferências.
Pagamento digital: Pix cresce entre os mais pobres
Cartão ainda é líder, mas Pix avança
O cartão de crédito ainda é o método de pagamento mais utilizado, com 62% das transações. No entanto, o Pix apresenta um crescimento expressivo, passando de 19% em 2023 para 27% em 2025.
Entre a população de menor renda e escolaridade, o Pix já ultrapassou o cartão de crédito, alcançando 36% das transações. O avanço do Pix revela não apenas sua conveniência e agilidade, mas também sua capacidade de inclusão financeira, especialmente entre os consumidores tradicionalmente menos bancarizados.
Serviços ainda têm pouca adesão digital
Baixa contratação de serviços domésticos e pessoais
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Apesar da consolidação do consumo de produtos e alimentos por apps, a contratação de serviços via aplicativos ainda é tímida. Apenas 7% dos entrevistados afirmaram ter contratado serviços como limpeza ou manutenção doméstica. Quando se trata de cuidados pessoais ou com outras pessoas, o índice é ainda menor: 3%.
Esses números sugerem que o custo desses serviços, a informalidade do setor e a baixa digitalização de prestadores de serviço podem estar entre os fatores que impedem um avanço mais expressivo.
Inclusão digital é o novo desafio para o e-commerce
Desigualdade digital limita a expansão
A pesquisa revela que, embora o comércio digital esteja consolidado entre certos grupos sociais e regiões, a exclusão digital permanece como um entrave à democratização dos benefícios da economia digital.
Fatores como renda, escolaridade, faixa etária e localização continuam sendo barreiras significativas para a universalização do acesso às tecnologias de consumo. Isso reforça a necessidade de políticas públicas de inclusão digital e acesso à internet de qualidade, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Força dos marketplaces populares

Variedade e preços acessíveis atraem novos públicos
A chegada dos grandes marketplaces também impulsionou a diversificação do consumo digital, principalmente entre consumidores de menor renda.
Esses ambientes oferecem produtos de menor valor agregado e grande variedade, o que atrai um público que antes não encontrava oferta ou preços compatíveis com sua realidade. O e-commerce, assim, se fortalece como uma alternativa viável ao varejo tradicional, principalmente pela conveniência e pela competitividade de preços.
Considerações finais
O comércio digital em São Paulo está em plena expansão, com metade da população consumindo por meio de aplicativos. Essa tendência já se tornou um hábito diário, principalmente entre os jovens e moradores das grandes cidades. No entanto, as desigualdades estruturais ainda representam um grande desafio à universalização do consumo digital.
O futuro do e-commerce no Estado de São Paulo dependerá de estratégias que promovam a inclusão digital, reduzam as barreiras socioeconômicas e ampliem o acesso à conectividade, serviços bancários e educação tecnológica.
Imagem: snowing – Freepik
