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Stablecoins crescem como opção de pagamento e desafiam Visa e Mastercard

Stablecoins desafiam Visa e Mastercard como nova forma de pagamento. Entenda os impactos para o mercado financeiro.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
stablecoins

As stablecoins vêm se consolidando como uma alternativa real aos sistemas tradicionais de pagamento, como os cartões de crédito e débito. Com o avanço da regulação nos Estados Unidos e a adesão de grandes empresas do setor cripto, o cenário para essas moedas digitais está se tornando cada vez mais promissor. Enquanto isso, gigantes como Visa e Mastercard enfrentam a perspectiva de um dos seus piores desempenhos mensais em anos.

A promessa das stablecoins é simples, porém ambiciosa: permitir transações rápidas, globais, mais baratas e sem intermediários bancários, tudo isso ancorado na estabilidade do dólar.

Leia mais: Fed apoia lei de cripto nos EUA, diz Powell

Avanço regulatório e reação do mercado

Stablecoins criptomoedas
Imagem: Freepik

O mercado reagiu positivamente à recente aprovação de um projeto de lei no Senado dos EUA voltado à regulamentação das stablecoins. Empresas como Circle e Coinbase, envolvidas diretamente na emissão e negociação desses ativos, tiveram suas ações valorizadas logo após o anúncio. Enquanto isso, Visa e Mastercard enfrentam um momento delicado, com queda nas ações e incertezas quanto ao futuro da sua hegemonia nos pagamentos.

Por que ainda é difícil superar os cartões

Apesar do crescimento das stablecoins, a substituição dos cartões não será simples. A razão é que os cartões não se sustentam apenas pela tecnologia, mas também por uma complexa estrutura econômica e de confiança.

Nos EUA, por exemplo, quase toda a população possui ao menos um cartão de débito ou crédito. Os comerciantes estão acostumados a aceitá-los, e os consumidores se beneficiam de recompensas, segurança nas compras e mecanismos de resolução de disputas — um conjunto de vantagens difíceis de serem igualadas.

Além disso, os cartões oferecem conectividade universal e estão integrados a praticamente todos os sistemas de pagamento do varejo, tanto físico quanto digital.

O apelo das stablecoins: agilidade e alcance global

Mesmo com as vantagens dos cartões, as stablecoins têm seu apelo, especialmente fora dos EUA. Em países onde abrir uma conta em dólar é inviável ou custoso, tokens estáveis como USDC podem ser uma solução prática e segura.

A estrutura baseada em blockchains públicas permite movimentações rápidas e acessíveis, reduzindo custos e intermediários. Para comerciantes, o incentivo está em reduzir taxas cobradas por operadoras de cartão e aumentar margens de lucro.

Segundo o Wall Street Journal, grandes varejistas já estão considerando a emissão das próprias stablecoins, o que poderia iniciar uma mudança mais profunda no ecossistema financeiro.

Cartões com criptomoedas: adaptação das gigantes

Tanto Visa quanto Mastercard estão se adaptando à nova realidade. As duas redes já permitem que parceiros lancem cartões que podem ser financiados com criptomoedas, incluindo stablecoins. O comerciante continua a receber o valor como em uma transação tradicional, sem precisar alterar nada na sua operação.

Além disso, a Visa já aceita USDC como forma de liquidação, enquanto a Mastercard também estuda integrar moedas digitais em sua infraestrutura global. Isso mostra que, em vez de serem substituídas, essas redes estão incorporando a tecnologia emergente.

Recompensas: o próximo passo das stablecoins?

Um dos diferenciais dos cartões é o sistema de recompensas. Com stablecoins, algo semelhante é possível. Os emissores mantêm reservas para garantir a paridade com o dólar, e essas reservas geram juros, que podem financiar programas de benefícios aos usuários — como cashbacks ou pontos.

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No entanto, essa vantagem ainda é restrita aos emissores. Para os comerciantes usufruírem dessas economias, precisariam negociar acordos diretos, ou até mesmo criar suas próprias moedas digitais, como fazem empresas que mantêm carteiras fechadas (caso do Starbucks, por exemplo).

Crédito ainda depende das redes tradicionais

Criptomoedas espalhadas sobre tela de cotações. Stablecoins
Imagem: Chinnapong / Shutterstock.com

Outro fator a ser considerado é o acesso ao crédito. Hoje, esse serviço ainda depende fortemente das operadoras tradicionais, como American Express, que inclusive já anunciou um cartão de crédito da Coinbase com recompensas em criptomoedas.

Para que stablecoins substituam de fato os cartões, seria necessário um sistema de crédito descentralizado e amplamente aceito, algo que ainda está em estágio inicial.

Perspectivas: coexistência ou disrupção?

As stablecoins devem crescer como método de pagamento — especialmente em países emergentes e em nichos específicos. No entanto, a integração com os cartões parece ser o caminho mais provável, ao menos nos próximos anos.

Em vez de substituição, o cenário mais realista é o da coexistência entre cartões e stablecoins. As moedas digitais podem operar em segundo plano, ampliando a eficiência dos sistemas existentes e oferecendo novas funcionalidades para emissores, comerciantes e consumidores.

Com informações de: InvestNews

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Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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