A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu um passo importante para viabilizar a conexão direta entre satélites e celulares no Brasil. A atualização das regras permite o uso de frequências voltadas à tecnologia Direct-to-Device (D2D), abrindo caminho para serviços como o Starlink Direct to Cell, que promete conectar smartphones diretamente aos satélites, sem necessidade da tradicional antena residencial.
Conexão da Starlink direto no celular pode ampliar cobertura em áreas sem sinal
Anatel abre caminho para conexão da Starlink direto no celular sem antena. Entenda como a tecnologia funcionará, quem poderá usar e quando chega ao Brasil.
A novidade gerou dúvidas entre consumidores, especialmente sobre a possibilidade de abandonar as operadoras de telefonia ou navegar na internet via satélite em qualquer lugar do país. No entanto, apesar do avanço regulatório, ainda existem etapas técnicas e comerciais antes que o serviço esteja disponível.
Veja o que realmente muda na prática e o que os brasileiros podem esperar dessa nova tecnologia.
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O que a Anatel aprovou?

Ao contrário do que muitos imaginam, a Anatel não autorizou imediatamente a operação comercial da Starlink diretamente nos celulares.
O que foi aprovado foi uma atualização na regulamentação brasileira para permitir o uso de faixas de radiofrequência destinadas à comunicação entre satélites e dispositivos móveis.
Na prática, a agência criou o ambiente regulatório necessário para que empresas interessadas solicitem autorização para oferecer esse tipo de serviço futuramente.
Essa mudança coloca o Brasil entre os países preparados para receber soluções de comunicação via satélite diretamente em smartphones.
O que é a tecnologia Direct-to-Device?
A tecnologia Direct-to-Device (D2D) permite que celulares compatíveis se conectem diretamente a satélites em órbita baixa (LEO), sem depender de torres de telefonia convencionais.
Em vez de utilizar exclusivamente antenas instaladas no solo, o smartphone envia e recebe sinais diretamente dos satélites, que funcionam como verdadeiras “torres de celular no espaço”.
Essa solução tem potencial para reduzir áreas sem cobertura, principalmente em regiões remotas.
Será necessário instalar uma antena da Starlink?
Não.
Essa é justamente a principal diferença em relação ao serviço residencial da Starlink.
Hoje, quem utiliza a internet via satélite da empresa precisa instalar uma antena específica na residência ou em um veículo.
Com a tecnologia Direct to Cell, o próprio smartphone compatível fará a comunicação com os satélites, utilizando sua antena interna.
Isso elimina a necessidade de equipamentos adicionais para esse tipo de conexão móvel.
Vou poder cancelar meu plano de celular?
Ainda não.
Pelo menos nas primeiras fases, a tecnologia não pretende substituir as redes móveis tradicionais.
A proposta é funcionar como uma cobertura complementar.
Na prática, quando houver sinal de uma operadora convencional, o celular continuará utilizando essa rede normalmente.
Já em locais onde não existir cobertura terrestre, o aparelho poderá recorrer automaticamente à comunicação via satélite, desde que o serviço esteja disponível e o dispositivo seja compatível.
Além disso, a operação dependerá de acordos entre empresas como a Starlink e operadoras brasileiras.
A internet será tão rápida quanto o 5G?
Não neste primeiro momento.
As primeiras versões do serviço devem priorizar funcionalidades essenciais, como:
- envio e recebimento de mensagens;
- compartilhamento de localização;
- chamadas e mensagens de emergência;
- comunicação básica em áreas sem cobertura.
O acesso à internet com velocidades comparáveis ao 4G ou 5G deverá acontecer gradualmente, conforme a infraestrutura da rede evoluir e novos satélites forem lançados.
Portanto, inicialmente, a tecnologia será mais voltada para garantir conectividade em situações onde hoje simplesmente não existe sinal.
Como o celular consegue falar com um satélite?
Embora pareça algo complexo, o funcionamento é relativamente simples.
Os satélites de baixa órbita passam constantemente sobre diferentes regiões do planeta.
Quando um smartphone compatível estiver fora da área de cobertura das torres tradicionais, ele poderá estabelecer comunicação direta com esses satélites.
Esses equipamentos retransmitem o sinal para estações terrestres conectadas à internet, permitindo a troca de mensagens e, futuramente, outros tipos de comunicação.
Tudo isso acontece sem que o usuário precise instalar qualquer equipamento adicional.
Quais frequências entram na nova regulamentação?
A Anatel autorizou a destinação de diversas faixas de radiofrequência para comunicações via satélite.
Entre elas estão bandas como:
- 12,7 GHz a 13,25 GHz;
- 13,75 GHz a 14 GHz;
- 14,5 GHz a 14,8 GHz;
- 17,7 GHz a 20,2 GHz;
- 29,1 GHz a 29,5 GHz.
Essas frequências são utilizadas pelos satélites e pelas estações terrestres.
O smartphone continua utilizando tecnologias como o modem LTE (4G), enquanto toda a infraestrutura espacial opera em espectros específicos autorizados pela agência reguladora.
Todos os celulares funcionarão?
Não.
A compatibilidade dependerá do hardware instalado no aparelho.
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Os fabricantes vêm desenvolvendo smartphones preparados para esse tipo de conexão, principalmente modelos mais recentes.
Em muitos casos, a compatibilidade também poderá depender de atualizações de software e de acordos firmados entre fabricantes, operadoras e empresas responsáveis pelos satélites.
Celulares mais antigos, em geral, não deverão suportar a tecnologia.
Quem será mais beneficiado?
A comunicação direta entre satélites e celulares pode transformar a conectividade em diversas regiões do Brasil.
Entre os principais beneficiados estão:
- moradores de áreas rurais;
- comunidades isoladas;
- produtores rurais;
- caminhoneiros;
- motoristas que percorrem rodovias sem cobertura;
- pescadores e embarcações;
- praticantes de trilhas e esportes de aventura;
- equipes de resgate e defesa civil.
Em situações de emergência, a tecnologia também pode facilitar pedidos de socorro em locais onde atualmente não existe qualquer sinal de telefonia.
O que muda para quem mora nas cidades?
Para quem vive em centros urbanos, o impacto inicial deve ser pequeno.
As redes 4G e 5G continuarão sendo o principal meio de acesso à internet móvel.
A conexão via satélite deverá entrar em funcionamento apenas quando não houver cobertura convencional.
Isso significa que a tecnologia atuará como uma camada extra de conectividade, reduzindo as chamadas “áreas de sombra” onde hoje o celular simplesmente perde o sinal.
Quando o serviço estará disponível no Brasil?
Ainda não existe uma data oficial.
A decisão da Anatel representa apenas uma etapa regulatória.
Antes do lançamento comercial, ainda será necessário concluir diversos processos, como:
- aprovação dos pedidos de operação pelas empresas interessadas;
- coordenação internacional das frequências;
- homologação técnica dos equipamentos;
- acordos entre empresas de satélite e operadoras brasileiras;
- testes de funcionamento em território nacional.
Somente após essas etapas a tecnologia poderá chegar aos consumidores brasileiros.
O que esperar da Starlink Direct to Cell nos próximos anos?

A comunicação direta entre satélites e smartphones é considerada uma das maiores evoluções das telecomunicações da década. Embora ainda esteja em fase inicial de implantação, a expectativa é que a tecnologia reduza significativamente as áreas sem cobertura de telefonia no Brasil, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros.
Para o consumidor, isso significa maior segurança durante viagens, melhor conectividade em áreas rurais e novas possibilidades de comunicação em locais onde hoje o sinal das operadoras simplesmente não chega.
Nos próximos anos, conforme novos satélites forem lançados e a capacidade da rede aumentar, a tendência é que os serviços evoluam para oferecer velocidades mais altas e ampliar o acesso à internet móvel via satélite, tornando a conectividade cada vez mais abrangente no país.
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