O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira, 4 de junho de 2025, o bloqueio de todas as contas bancárias e bens da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A decisão foi tomada no mesmo despacho que também decretou a prisão preventiva da parlamentar, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
STF bloqueia contas, verbas e bens de Carla Zambelli após pedido de prisão preventiva
Ministro Alexandre de Moraes ordena bloqueio de contas bancárias, bens e verbas parlamentares da deputada Carla Zambelli.
A medida atinge não apenas os recursos financeiros, mas também bens móveis e imóveis, ativos digitais, verbas parlamentares, e qualquer instrumento que possa ser usado para movimentar patrimônio ou financiar eventual fuga internacional. A decisão tem caráter imediato e deve ser cumprida em até 24 horas pelas instituições financeiras.
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Alcance da decisão do STF: contas, bens e verbas bloqueadas
Segundo a decisão de Alexandre de Moraes, o bloqueio determinado envolve:
1. Contas bancárias e recursos digitais
- Contas pessoais e jurídicas de Carla Zambelli em todos os bancos e instituições financeiras;
- Contas vinculadas ao recebimento de salários e verbas parlamentares;
- Transferências via Pix, uso de cartões de crédito e débito associados ao CPF da parlamentar;
- Plataformas de pagamentos digitais, carteiras eletrônicas e contas de fintechs.
2. Bens e ativos físicos
- Imóveis registrados em nome da deputada;
- Veículos, embarcações e aeronaves, com matrícula e registro nos órgãos competentes;
- Bloqueio de transferência de propriedade desses bens até nova ordem judicial.
3. Investimentos e aplicações financeiras
- Ações em bolsa de valores, derivativos, títulos públicos e privados;
- Fundos de investimento e previdência privada;
- Criptomoedas e ativos digitais localizados em corretoras nacionais ou internacionais.
4. Suspensão de verbas da Câmara dos Deputados
O ministro também determinou que a Câmara dos Deputados suspenda imediatamente qualquer repasse financeiro relacionado ao exercício parlamentar de Carla Zambelli, incluindo:
- Verba de gabinete
- Auxílio-moradia
- Cotão parlamentar
- Recursos para contratação de assessores e serviços externos
A medida é vista como uma forma de impedir a utilização de recursos públicos por parte da parlamentar durante o curso das investigações e de uma eventual fuga internacional.
Fuga ao exterior e pedido de prisão preventiva
O cerco à deputada se intensificou depois que, na terça-feira (3/6), Carla Zambelli anunciou publicamente que havia deixado o Brasil. Em declarações à imprensa e nas redes sociais, Zambelli afirmou estar nos Estados Unidos, com planos de seguir para a Itália, onde possui cidadania italiana.
“Na Itália, sou intocável”, disse a deputada em vídeo divulgado nas redes sociais, ao sugerir que, por ser cidadã italiana, não poderia ser extraditada com facilidade.
Essas declarações motivaram auxiliares do procurador-geral da República, Paulo Gonet, a formalizarem o pedido de prisão preventiva da parlamentar, com base na suspeita de que ela teria deixado o país para escapar da jurisdição brasileira. O pedido foi acatado prontamente pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Condenação anterior no STF e agravamento da situação jurídica

A situação de Carla Zambelli no Supremo se agravou após condenação recente, ocorrida em maio de 2025, quando a Primeira Turma do STF decidiu que a deputada invadiu ilegalmente o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A corte impôs à parlamentar:
- Condenação ao pagamento de R$ 2 milhões por danos morais e coletivos;
- Obrigação de reparação à imagem institucional do Judiciário;
- Manutenção de restrições a comunicação institucional com servidores do CNJ.
A defesa da parlamentar recorreu, mas o recurso ainda não havia sido julgado. A fuga do país e as novas declarações públicas complicaram o cenário processual da deputada e fortaleceram os argumentos da PGR de que há risco concreto de obstrução da Justiça.
Reações políticas e impacto institucional
A decisão do STF gerou repercussão imediata no meio político, especialmente na Câmara dos Deputados, onde parlamentares da base e da oposição debateram os limites da imunidade parlamentar frente às ações do Judiciário.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ainda não se manifestou oficialmente sobre a determinação de suspensão das verbas do gabinete de Zambelli, mas já há articulações nos bastidores sobre como a Casa deve proceder.
O caso também reacende o debate sobre:
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- Limites da imunidade parlamentar em crimes comuns;
- Extraterritorialidade da justiça brasileira para parlamentares com cidadania estrangeira;
- Aplicação de medidas cautelares extremas, como o bloqueio total de bens e contas, antes de julgamento definitivo.
O que diz a defesa de Carla Zambelli?
Em nota enviada à imprensa e em entrevistas à CNN, Carla Zambelli confirmou que está no exterior e se considera “alvo de perseguição política”. Afirmou ainda que não pretende retornar ao Brasil “neste momento” e que recorrerá a tribunais internacionais de direitos humanos caso sua prisão seja efetivada.
“Estou nos Estados Unidos e seguirei para a Itália, onde sou cidadã. Lá tenho garantias que não terei aqui. Não confio no STF, não confio em Moraes”, declarou.
A defesa jurídica da parlamentar não havia se manifestado oficialmente até a publicação deste artigo, mas a expectativa é que sejam impetrados habeas corpus e medidas cautelares nos tribunais superiores e cortes internacionais.
Entenda os próximos passos do processo

Com a prisão preventiva decretada e os bens bloqueados, o caso de Carla Zambelli entra agora em uma fase internacional, caso ela permaneça no exterior. Os próximos passos jurídicos incluem:
1. Comunicação à Interpol
Com a decretação da prisão, o STF pode solicitar a inclusão do nome de Zambelli na lista de difusão vermelha da Interpol, o que autorizaria sua prisão em qualquer país signatário, inclusive os Estados Unidos.
2. Pedido de extradição à Itália
Caso a deputada siga para a Itália, o governo brasileiro pode requerer extradição, embora dupla cidadania complique o processo. Em muitos casos, países recusam extraditar seus próprios cidadãos.
3. Suspensão de mandato
Com a prisão e o bloqueio de recursos, há possibilidade de que a Câmara dos Deputados analise pedido de afastamento ou até mesmo cassação do mandato, caso se configure abandono ou quebra de decoro parlamentar.
Imagem: Lula Marques / Agência Brasil EBC
