A regulamentação do mercado de streaming no Brasil pode estar prestes a ganhar novos contornos. Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados propõe alterações significativas nas regras de cobrança de tributos sobre as plataformas digitais, como Netflix, Amazon Prime Video, Max e outras. A principal mudança é o aumento da alíquota da Condecine-VoD (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), que passaria de 3% para 6% sobre o faturamento bruto das empresas.
Projeto de lei propõe dobrar taxa sobre streamings e exigir 10% de conteúdo nacional
Proposta em discussão na Câmara eleva a taxa sobre streamings de 3% para 6% e mantém exigência de 10% de conteúdo nacional.
O texto, que já passou pelo Senado, deve ser rebatizado como Lei Toni Venturi, em homenagem ao cineasta brasileiro. A relatoria do projeto está prevista para ser assumida pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). A nova versão da proposta será apresentada oficialmente nos próximos dias.
Entenda as mudanças propostas

A proposta representa um endurecimento em relação à versão aprovada no Senado. A nova redação dobra a cobrança sobre as empresas de streaming que atuam no país, o que deve impactar diretamente os custos operacionais dessas plataformas.
Leia mais: Projeto de lei pode regulamentar o streaming e dobrar a taxação
O principal propósito da cobrança é impulsionar a indústria audiovisual brasileira, assegurando recursos para o desenvolvimento do setor. A arrecadação será destinada ao Fundo Setorial do Audiovisual, que apoia financeiramente iniciativas voltadas à produção de filmes, programas de TV e, mais recentemente, conteúdos desenvolvidos para serviços de streaming.
Exigência de cota mínima de conteúdo nacional
Outro ponto de destaque do projeto é a obrigatoriedade de que ao menos 10% do catálogo das plataformas seja composto por obras brasileiras.
A medida visa assegurar espaço para a produção nacional no ambiente digital, cada vez mais dominado por conteúdos estrangeiros. A exigência se aplica tanto a filmes quanto a séries, documentários e animações.
Incentivo à produção nacional independente
Para aliviar parte da carga tributária e estimular o investimento direto no setor audiovisual brasileiro, a proposta permite que até 60% da nova alíquota possa ser abatida se as empresas aplicarem esses recursos no licenciamento ou pré-licenciamento de conteúdos nacionais independentes.
Essa alternativa busca criar um ambiente de colaboração entre as grandes plataformas e os produtores brasileiros, incentivando o fomento de obras locais com maior diversidade temática e cultural.
Impactos no setor audiovisual
Entidades que representam produtores independentes e artistas veem com bons olhos a proposta de ampliação da contribuição. No entanto, muitos defendem que o valor ideal da taxa seria ainda maior, chegando a 12% do faturamento bruto anual das plataformas, o dobro do que está sendo sugerido agora.
Governo busca equilíbrio entre setor e empresas
Com a possibilidade de aumento na tributação, empresas como Netflix e Amazon têm intensificado o diálogo com representantes do governo. Há relatos de que as plataformas têm sugerido ações compensatórias, como a reforma de salas de cinema públicas, patrocínio a festivais culturais, campanhas de promoção do turismo brasileiro e até mesmo a revitalização de equipamentos culturais.
As ofertas são vistas como uma tentativa de evitar a taxação direta, mas também demonstram que as empresas reconhecem a necessidade de uma contribuição mais ativa no ecossistema cultural do país.
Tela Brasil: nova plataforma pública de streaming
Em paralelo, o governo federal tem investido na criação de sua própria plataforma de streaming, batizada de “Tela Brasil”. A iniciativa busca centralizar e distribuir conteúdos brasileiros em um ambiente público e acessível, com curadoria voltada à valorização da cultura nacional. A ideia é que a plataforma complemente as ações previstas no projeto de lei, oferecendo um espaço exclusivo para a produção local.
Tramitação e próximos passos
Debate segue na Câmara dos Deputados
Apesar do avanço do texto, ainda não há previsão para votação no plenário da Câmara. O projeto precisa passar por comissões temáticas e pode sofrer novas alterações antes de ser aprovado definitivamente.
Enquanto entidades do setor cultural pressionam por uma taxação mais robusta e cotas mais rígidas de conteúdo nacional, as plataformas buscam negociar formas de minimizar os impactos financeiros. O governo, por sua vez, atua como mediador, tentando equilibrar os interesses de ambos os lados sem comprometer o desenvolvimento do mercado digital no país.
O que está em jogo

A proposta revisita discussões mais amplas sobre a soberania cultural brasileira em tempos de globalização digital.
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Ao buscar uma legislação específica para o setor, o Brasil segue a tendência de outros países que já adotaram medidas similares, como França, Alemanha e Canadá. O ponto central é garantir que a cultura local não seja engolida pelo mercado global.
Perguntas frequentes
O que é a Condecine-VoD?
É uma contribuição cobrada das empresas de vídeo sob demanda (VoD) com o objetivo de financiar o setor audiovisual brasileiro.
Quem será impactado pela nova taxa?
Empresas de streaming como Netflix, Amazon Prime Video, Max, Disney+ e outras plataformas que operam no Brasil.
O que muda com a nova lei?
A alíquota da Condecine-VoD passará de 3% para 6%, e as plataformas deverão garantir que 10% do catálogo seja de conteúdo nacional.
É possível reduzir a nova taxa?
Sim. As plataformas poderão deduzir até 60% da alíquota caso invistam diretamente em produções brasileiras independentes.
Considerações finais
Ao dobrar a alíquota da Condecine-VoD e manter a exigência de 10% de conteúdo nacional nos catálogos, o projeto busca assegurar que as plataformas estrangeiras que atuam no país contribuam de forma justa com o desenvolvimento da cultura local.
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