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Projeto de lei pode regulamentar o streaming e dobrar a taxação

Novo projeto de lei propõe dobrar a taxação do streaming para 6% e estabelece cota mínima de 10% de conteúdo brasileiro. Confira!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Pessoa apontando controle para televisão, que está mostrando alguma plataforma de serviço de streamings. record

O cenário da produção audiovisual brasileira pode estar prestes a passar por uma transformação significativa. Um novo Projeto de Lei que circula nos bastidores da Câmara dos Deputados propõe a regulamentação das plataformas de streaming que atuam no Brasil.

A proposta, que ainda não foi protocolada oficialmente, ficou conhecida como “Lei Toni Venturi” e já provoca reações intensas entre agentes do setor e gigantes internacionais da tecnologia.

O que propõe a “Lei Toni Venturi”?

Globo streaming
Imagem: stokkurs – freepik

Um dos pontos centrais do projeto é a alteração na cobrança da Condecine . O projeto propõe que as plataformas de streaming passem a contribuir com 6% de seu faturamento bruto, aumentando significativamente a carga tributária em comparação aos atuais 3%.

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A Condecine é um tributo essencial para o financiamento do setor audiovisual brasileiro, com recursos direcionados ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Com a ampliação da alíquota, espera-se um reforço significativo nas verbas públicas destinadas à produção nacional.

Cota de 10% de obras brasileiras nos catálogos

Outro ponto que chama atenção na proposta é a exigência de que, no mínimo, 10% do catálogo das plataformas de streaming seja composto por produções brasileiras. A medida visa ampliar a presença de conteúdo nacional nas vitrines digitais, promovendo a diversidade cultural e a valorização de obras locais.

Substitutivo na Câmara: da autoria ao impacto

A nova versão do PL está sendo relatada pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), substituindo um texto anterior do Senado, relatado pelo senador Eduardo Gomes (PL-TO). A intenção é consolidar as propostas em uma legislação mais robusta e adaptada à realidade do mercado atual.

A deputada defende que a regulamentação sirva não apenas para tributar, mas também para estimular o ecossistema criativo brasileiro, ampliando oportunidades para produtores independentes e distribuidores nacionais.

Incentivo com compensação fiscal

Para equilibrar a arrecadação com o estímulo à produção local, o texto prevê que até 60% do valor a ser recolhido à Condecine poderá ser abatido, desde que investido diretamente em produções independentes brasileiras.

Essa dedução seria aplicada tanto em licenciamento quanto em pré-licenciamento de conteúdos, o que, em tese, incentivaria as empresas a apostarem em novas produções e talentos nacionais.

Riscos de evasão e baixa efetividade

Apesar da proposta de compensação fiscal, entidades do setor audiovisual demonstram preocupação. Segundo elas, a medida pode permitir que empresas driblem a cobrança real, comprometendo a eficácia da tributação sem garantir retornos proporcionais à indústria local.

Reações do setor e críticas à condução do governo

O debate em torno do PL também trouxe à tona críticas à forma como o governo federal tem conduzido o processo. Entidades representativas do setor divulgaram uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Na carta, os signatários alegam que o projeto ainda é tímido frente aos desafios do mercado audiovisual brasileiro. Eles sugerem uma taxação mais robusta — de até 12% — e maior rigor na definição do que pode ser considerado “investimento em produção brasileira”.

Receio de favorecimento às big techs

Entre os temores, está a possibilidade de que as regras de dedução sejam moldadas para beneficiar as gigantes internacionais do streaming, como Netflix, Amazon Prime Video e Disney+, em detrimento de produtoras locais menores e independentes.

Outros projetos tramitam no Congresso

Paralelamente ao texto relatado por Jandira Feghali, o Projeto de Lei 8889/2017, relatado por André Figueiredo (PDT-CE), também propõe a taxação das plataformas em 6%. O projeto recebeu regime de urgência em 2023, acelerando sua tramitação e aumentando a pressão para uma definição legislativa em curto prazo.

Ambas as propostas têm pontos em comum, mas ainda geram dúvidas sobre a regulamentação das deduções, a definição precisa de conteúdo nacional e a fiscalização efetiva da aplicação dos recursos arrecadados.

Aproximação estratégica entre plataformas e governo

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Diante da possibilidade de regulamentação, empresas como Netflix e Amazon vêm intensificando o diálogo com o governo federal. Participam de mesas de negociação e têm manifestado interesse em projetos sociais e culturais, como a reforma de salas de cinema, promoção do turismo e capacitação de profissionais.

A estratégia busca mostrar compromisso com o desenvolvimento cultural do país, ao mesmo tempo em que tenta suavizar os impactos da nova tributação sobre seus modelos de negócios.

Bastidores políticos em ebulição

O debate ganhou ainda mais força com o envolvimento direto de figuras centrais do governo. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, tem se reunido com representantes do setor, enquanto o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, também participou de encontros com parlamentares e líderes da indústria.

As articulações envolvem ainda o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, que tem atuado como ponte entre o Executivo e o Congresso na tentativa de viabilizar um texto de consenso.

Texto ainda em construção

Mão segurando controle remoto na frente de TV.
Imagem: Said Marroun / shutterstock.com

Apesar da movimentação intensa nos bastidores, o Ministério da Cultura afirma que ainda não há um texto final consolidado. As negociações seguem em andamento, e há expectativa de que um substitutivo unifique os projetos em análise na Câmara.

Especialistas alertam que, para que a nova lei seja efetiva, será fundamental estabelecer critérios claros para a definição de conteúdo nacional, garantir fiscalização rigorosa e assegurar que os recursos arrecadados sejam, de fato, reinvestidos na cadeia produtiva do audiovisual.

Considerações finais

O novo Projeto de Lei voltado à regulamentação do streaming no Brasil tem potencial para transformar significativamente o setor audiovisual do país. A proposta é vista como uma oportunidade de impulsionar a produção nacional, mas também levanta discussões delicadas envolvendo questões de soberania cultural, interesses comerciais e disputas políticas em torno da definição das regras.

Enquanto governo, Congresso e plataformas digitais negociam os termos da nova legislação, produtores e artistas acompanham de perto, conscientes de que o futuro do conteúdo brasileiro nas telas está em jogo.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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