O governo do Estado de São Paulo lançou oficialmente o SuperAção SP, um novo programa social de combate à pobreza que tem como meta retirar 35 mil famílias paulistas da extrema pobreza até 2026. O anúncio foi feito na última terça-feira (20), em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, na capital, com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e da secretária de Desenvolvimento Social, Andrezza Rosalém.
SP: secretária de Tarcísio descarta conflito entre Bolsa Família e programa estadual
Governo de SP lança o programa SuperAção com investimento de R$ 500 milhões para tirar 35 mil famílias da pobreza até 2026.
O programa prevê pagamento mensal de R$ 150 e um atendimento individualizado e contínuo por agentes estaduais, com o objetivo de promover inclusão produtiva, acesso à rede de serviços públicos e autonomia financeira para famílias em situação de vulnerabilidade. Com orçamento inicial de R$ 500 milhões, o SuperAção se propõe a ir além da transferência de renda.
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“Não é rivalidade com o Bolsa Família”, diz secretária
Durante o lançamento, a secretária Andrezza Rosalém reforçou que não há concorrência com o Bolsa Família, programa federal de transferência de renda que foi ampliado nas gestões petistas. “O Bolsa Família é um programa importante, mas o SuperAção oferece mais. Estamos olhando para as lacunas que os programas existentes deixam. Nosso foco é garantir que essas famílias tenham acesso a uma rede de serviços que as tire da pobreza de forma estruturada”, afirmou.
A fala vem em meio à especulação de que o SuperAção seria uma tentativa de disputar protagonismo na área social com o governo federal. Nos bastidores, aliados do governador negam a intenção de antagonizar com o Palácio do Planalto ou usar o programa como vitrine para uma eventual candidatura presidencial em 2026.
Tarcísio: “Não estamos olhando para grupos políticos”
O governador Tarcísio de Freitas foi enfático ao rebater a ideia de que o programa tenha conotação política. “Isso não passa pela cabeça quando a gente faz um programa desses. A transferência de renda é essencial, mas precisa vir acompanhada de oportunidades. O SuperAção é uma prioridade. Ele fecha lacunas deixadas por outras iniciativas”, declarou.
Segundo Tarcísio, o objetivo é fazer do SuperAção uma política de estado perene e sustentável, com ajustes orçamentários contínuos conforme a demanda. Ele também criticou a ideia de que políticas públicas devem ser divididas entre “dar o peixe ou ensinar a pescar”. “Essa discussão não leva a lugar nenhum. O importante é garantir que as famílias tenham os meios para se desenvolver”, afirmou.
Como funciona o SuperAção SP
O SuperAção SP será voltado para famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 759 em 2025). O foco inicial são 105 mil famílias até 2026, sendo que 35 mil estão abaixo da linha da pobreza (renda inferior a R$ 280 por pessoa), e 70 mil com renda entre R$ 281 e R$ 759 per capita.
Valor do benefício
Cada família receberá R$ 150 mensais, pagos diretamente por meio do sistema bancário, de forma semelhante ao modelo do Bolsa Família. No entanto, o diferencial está no acompanhamento ativo que será oferecido.
Atendimento individualizado
O programa prevê a contratação de 567 agentes sociais e 38 supervisores, que terão a função de acompanhar até 20 famílias cada um. Eles farão visitas mensais, identificarão as necessidades específicas de cada núcleo familiar e definirão, junto aos municípios, qual trilha de atendimento será aplicada.
Trilha de atendimento
As trilhas são os percursos de atendimento socioassistencial, com foco na inclusão produtiva, educação, acesso a serviços de saúde, capacitação profissional, inserção no mercado de trabalho e orientação sobre direitos sociais. O modelo é inspirado em experiências internacionais de sucesso, como programas desenvolvidos no Chile e na Colômbia, segundo o governo paulista.
Integração com outras políticas públicas
O SuperAção é intersecretarial, envolvendo nove pastas do governo estadual e integrando 29 políticas públicas já existentes. Municípios que desejarem aderir ao programa deverão firmar termos de cooperação e colaborar com as ações locais. A meta é construir uma rede de proteção contínua.
Comparativo com o Bolsa Família

Embora o governo de São Paulo evite comparações diretas, as semelhanças e diferenças entre os dois programas são inevitáveis:
| Característica | SuperAção SP | Bolsa Família Federal |
|---|---|---|
| Valor do benefício | R$ 150 por mês | Mínimo de R$ 600 por família |
| Público-alvo | Até R$ 759 per capita (SP) | Até R$ 218 per capita (Brasil) |
| Acompanhamento individual | Sim, com agentes estaduais | Não |
| Integração com outros serviços | Sim, com políticas estaduais | Sim, com políticas federais |
| Foco principal | Inclusão produtiva e autonomia | Transferência de renda e proteção social |
| Abrangência | Até 105 mil famílias (SP) até 2026 | Mais de 20 milhões de famílias (nacional) |
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Sustentabilidade e orçamento
O SuperAção foi lançado com um orçamento inicial de R$ 500 milhões, valor que poderá ser ajustado ao longo dos anos. Tarcísio destacou que o programa será sustentável e eficiente, com custos decrescentes à medida que as famílias deixem de depender do auxílio e ingressem no mercado formal.
Segundo Andrezza Rosalém, a proposta é garantir recursos mínimos em momentos críticos, mas sem transformar o benefício em algo permanente. “Queremos que as famílias ganhem autonomia e deixem o programa por mérito próprio”, destacou.
Impacto social esperado
São Paulo possui hoje 634 mil famílias vivendo abaixo da linha da pobreza. A expectativa do governo é que o SuperAção atinja cerca de 16% desse total até 2026. Para especialistas em políticas públicas, esse percentual é ambicioso, mas viável, especialmente se houver cooperação efetiva com os municípios e continuidade administrativa nos próximos governos.
A combinação entre transferência de renda e acompanhamento técnico é considerada promissora, pois aumenta as chances de mobilidade social real e redução do ciclo de pobreza estrutural.
O que dizem os bastidores políticos

Apesar das negativas do Palácio dos Bandeirantes, a criação do SuperAção é vista nos bastidores como uma jogada estratégica para fortalecer a imagem do governador Tarcísio de Freitas no campo social, tradicionalmente dominado por adversários de esquerda.
Com Jair Bolsonaro inelegível, Tarcísio surge como possível nome da direita para disputar a Presidência em 2026, e programas como o SuperAção podem servir como pilar de sua plataforma eleitoral, mostrando que a agenda social não é exclusividade de um espectro político.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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