Em um cenário de incertezas fiscais, o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) surpreendeu ao registrar superávit primário de R$ 1,096 bilhão em março de 2025. O resultado positivo vai na contramão das expectativas do mercado, que projetava déficit de R$ 3,5 bilhões no período, segundo o levantamento Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda.
Governo tem superávit de R$ 1 bi em março e surpreende mercado
Governo Central registrou superávit primário de R$ 1 bilhão em março, superando as expectativas e marcando o melhor desempenho desde 2021.
Superávit histórico no primeiro trimestre

Entre janeiro e março, o Governo Central registrou um superávit primário de R$ 54,532 bilhões — o mais elevado desde o início da série histórica, em 1997. No primeiro trimestre de 2024, o resultado também foi positivo, mas bem inferior: R$ 20,171 bilhões.
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Meta fiscal e limites
O resultado anima o governo em meio à meta ambiciosa de zerar o déficit primário em 2025, conforme estabelecido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e pelo novo arcabouço fiscal. A legislação permite margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB, o que equivale a um déficit de até R$ 30,97 bilhões no ano.
Receita sobe e impulsiona superávit
O desempenho favorável de março teve como principal impulsionador o aumento na arrecadação. As receitas líquidas apresentaram crescimento nominal de 6,3% em comparação com março de 2024. Quando ajustadas pela inflação medida pelo IPCA, a alta foi de 0,8%.
No caso das receitas administradas, formadas sobretudo por tributos, o avanço foi de 5,6% em termos reais no mesmo período.
Destaques: Imposto de Renda e Importação
O crescimento da arrecadação foi puxado por:
- Imposto de Importação: Beneficiado pela valorização do dólar nos últimos 12 meses.
- IRPF: Alavancado pelos resultados positivos das companhias no trimestre, especialmente aquelas do ramo financeiro.
Queda nas receitas não administradas
Em contrapartida, as receitas não administradas pela Receita Federal caíram 12,5% em termos reais. O recuo se deve à:
- Redução no pagamento de dividendos pelas estatais, principalmente a Caixa Econômica Federal.
- Ausência do repasse de depósitos judiciais ao Tesouro, que havia ocorrido em março do ano anterior.
Despesas sob controle com ajuda de precatórios e Orçamento
Efeitos do adiamento de precatórios
Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, os pagamentos — que somam cerca de R$ 70 bilhões — foram adiados para julho.
Essa decisão foi acordada com o Banco Central para evitar impacto na liquidez da economia. Em 2024, cerca de R$ 30 bilhões foram pagos antecipadamente em fevereiro, o que pressionou o caixa naquele ano.
Orçamento atrasado atrasou reajustes
Outro fator de contenção de gastos foi o atraso na aprovação do Orçamento de 2025, que postergou o reajuste ao funcionalismo público para maio. Até lá, o governo limitou a execução orçamentária a R$ 128,4 bilhões.
Detalhamento das despesas
Previdência e programas sociais
As despesas com a Previdência Social subiram um ponto seis por cento acima da inflação, motivadas pela valorização do salário mínimo e aumento no número de beneficiários.
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) teve alta real de 9,8%, enquanto as despesas com seguro-desemprego e abono salarial subiram 23,5% com a antecipação do seguro defeso.
Bolsa Família e saúde com retração
Alguns programas registraram queda:
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- Bolsa Família: Recuo de R$ 1 bilhão com revisão de cadastros.
- Saúde: Redução de R$ 1,2 bilhão em relação a março de 2024.
Investimentos em queda com orçamento atrasado

Nos três primeiros meses do ano, os investimentos do governo — que englobam obras e compras de equipamentos — somaram R$ 9,517 bilhões.
De acordo com o Tesouro, o motivo principal da retração foi o atraso na sanção da Lei Orçamentária Anual. Até então, os investimentos foram feitos com restos a pagar — verbas autorizadas em anos anteriores.
Perguntas frequentes
Por que a surpresa?
Porque os analistas previam déficit de R$ 3,5 bilhões, mas o governo conseguiu registrar superávit de R$ 1,096 bilhão.
Qual a principal razão para o superávit?
O aumento da arrecadação federal e o adiamento de despesas, como o pagamento de precatórios e reajustes salariais.
O superávit de março garante o cumprimento da meta fiscal?
Ainda é cedo para afirmar. O resultado é positivo, mas o segundo semestre trará pressões adicionais sobre o orçamento.
Considerações finais
Apesar do resultado positivo no primeiro trimestre, o governo ainda enfrenta desafios para manter as contas equilibradas ao longo de 2025. A execução dos precatórios e o reajuste do funcionalismo devem pressionar os gastos no segundo semestre. Além disso, a arrecadação dependerá da manutenção da atividade econômica e do desempenho das empresas.
O compromisso com a meta de déficit zero, dentro do novo arcabouço fiscal, será posto à prova com o avanço das despesas obrigatórias e a necessidade de ampliar investimentos em áreas estratégicas.
