Uma rede de supermercados de Minas Gerais passou a testar um modelo de jornada que garante até 15 dias de folga por mês aos funcionários. A iniciativa rapidamente ganhou repercussão entre trabalhadores, especialistas em recursos humanos e empresas de diferentes setores, especialmente em um momento em que o debate sobre equilíbrio entre vida pessoal e profissional se intensifica no Brasil.
Nova escala garante até 15 dias de descanso por mês em rede mineira
Entenda como funciona a escala 12x36 adotada por uma rede de supermercados e os impactos para trabalhadores e empresas.
O novo formato busca melhorar a qualidade de vida dos colaboradores sem comprometer a produtividade da operação. Embora escalas diferenciadas já sejam utilizadas em segmentos como saúde, segurança e indústria, sua adoção no varejo supermercadista representa uma mudança relevante em um setor historicamente marcado por jornadas intensas, trabalho em finais de semana e alta rotatividade de funcionários.
A experiência levanta uma questão importante: modelos mais flexíveis podem se tornar tendência no mercado de trabalho brasileiro?
Como funciona a escala que garante 15 dias de folga por mês?

O modelo implantado utiliza uma jornada conhecida como 12×36.
Na prática, o trabalhador atua durante 12 horas consecutivas e, em seguida, descansa pelas próximas 36 horas.
Isso significa que, ao longo do mês, o colaborador trabalha menos dias presenciais do que em escalas tradicionais de segunda a sábado ou de segunda a sexta-feira.
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Exemplo prático
Um funcionário que trabalha na segunda-feira das 8h às 20h terá folga até a manhã de quarta-feira.
Depois de cumprir o próximo turno, volta a descansar por mais 36 horas.
Ao final do mês, essa dinâmica pode resultar em aproximadamente 15 dias livres.
Esse formato já é previsto pela legislação trabalhista brasileira e é amplamente utilizado em setores que exigem funcionamento contínuo.
O que diz a legislação sobre a escala 12×36?
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite a adoção da jornada 12×36 mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho.
A reforma trabalhista de 2017 consolidou essa possibilidade e trouxe maior segurança jurídica para empresas que desejam utilizar o modelo.
Segundo as regras atuais, a remuneração mensal já contempla:
- Descanso semanal remunerado;
- Feriados trabalhados;
- Intervalos previstos em lei, quando aplicáveis.
Por isso, a implementação da escala exige planejamento para garantir conformidade com a legislação e evitar passivos trabalhistas.
Por que empresas estão repensando a jornada de trabalho?
O tema ganhou força nos últimos anos devido a mudanças no comportamento dos trabalhadores e à transformação do mercado de trabalho.
Busca por qualidade de vida
Pesquisas nacionais e internacionais mostram que equilíbrio entre trabalho e vida pessoal passou a ser um dos fatores mais valorizados pelos profissionais.
Benefícios como flexibilidade, jornadas diferenciadas e possibilidade de descanso adequado frequentemente aparecem entre as prioridades dos trabalhadores.
Dificuldade para contratar
Diversos setores enfrentam escassez de mão de obra qualificada.
Nesse contexto, oferecer condições diferenciadas pode ajudar empresas a atrair e reter talentos.
Redução da rotatividade
O varejo brasileiro tradicionalmente apresenta índices elevados de turnover.
Escalas mais atrativas podem reduzir pedidos de demissão e aumentar o engajamento das equipes.
Quais são as vantagens para os funcionários?
O principal benefício é o aumento do tempo livre.
Mais tempo para a família
Com mais dias de descanso, os trabalhadores conseguem dedicar mais horas ao convívio familiar.
Possibilidade de estudar
Muitos profissionais utilizam períodos de folga para realizar cursos técnicos, graduação ou capacitação profissional.
Atividades complementares
Outra vantagem é a possibilidade de desenvolver atividades paralelas, desde que respeitadas as condições contratuais e legais.
Menos deslocamentos
Trabalhar menos dias presencialmente também reduz gastos com transporte e tempo perdido no trânsito.
Em grandes cidades brasileiras, esse fator pode representar ganho significativo na qualidade de vida.
Existem desafios nesse modelo?
Sim.
Embora o formato ofereça benefícios, ele também exige adaptação.
Turnos mais longos
Trabalhar 12 horas seguidas pode ser desgastante para algumas funções.
Por isso, o perfil da atividade desempenhada influencia diretamente o sucesso da jornada.
Gestão de escalas
Empresas precisam organizar equipes de forma eficiente para garantir cobertura operacional sem sobrecarregar colaboradores.
Saúde ocupacional
Especialistas recomendam acompanhamento constante dos impactos físicos e psicológicos da jornada prolongada.
A qualidade dos intervalos e das condições de trabalho torna-se ainda mais importante nesse modelo.
O modelo pode aumentar a produtividade?
Estudos internacionais indicam que jornadas mais flexíveis podem gerar ganhos de produtividade quando bem implementadas.
Isso ocorre porque trabalhadores mais descansados tendem a apresentar:
- Menor índice de faltas;
- Menor risco de esgotamento;
- Melhor concentração;
- Maior satisfação profissional.
No entanto, os resultados dependem de fatores como liderança, cultura organizacional e condições de trabalho.
O varejo brasileiro está mudando?
O setor vem passando por transformações importantes.
Além da digitalização das operações, empresas têm investido cada vez mais em estratégias voltadas para experiência do colaborador.
Benefícios corporativos
Programas de bem-estar, apoio psicológico, horários flexíveis e políticas de desenvolvimento profissional ganharam espaço nos últimos anos.
Concorrência por talentos
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+311 mil seguidores
Com a redução do desemprego em determinadas regiões e setores, a disputa por profissionais se tornou mais intensa.
Nesse cenário, benefícios ligados à qualidade de vida passaram a funcionar como diferencial competitivo.
Escalas diferenciadas são tendência?
Ainda é cedo para afirmar que a jornada 12×36 se tornará padrão no varejo.
No entanto, especialistas observam um movimento crescente de experimentação de novos formatos de trabalho.
Semana de quatro dias
Empresas no Brasil e em outros países já testaram modelos com redução da jornada semanal sem redução salarial.
Trabalho híbrido
Mesmo após o retorno presencial, diversas organizações mantiveram formatos flexíveis.
Jornadas personalizadas
Outra tendência é a criação de escalas adaptadas às necessidades específicas de cada equipe.
O objetivo comum dessas iniciativas é aumentar produtividade e satisfação dos trabalhadores simultaneamente.
Como a mudança afeta o consumidor?

Quando bem executada, a adoção de jornadas diferenciadas pode gerar benefícios indiretos para os clientes.
Funcionários mais satisfeitos tendem a apresentar:
- Melhor atendimento;
- Menor índice de erros;
- Maior engajamento;
- Melhor relacionamento com consumidores.
No setor supermercadista, onde a experiência do cliente influencia diretamente os resultados, esse fator pode se tornar um diferencial relevante.
Quais setores já utilizam a escala 12×36?
O modelo não é novidade em diversas áreas.
Entre os segmentos que utilizam essa jornada estão:
- Hospitais;
- Clínicas;
- Segurança privada;
- Portarias;
- Indústrias;
- Transporte;
- Serviços de monitoramento.
A diferença está no fato de que o varejo alimentício historicamente utilizou escalas mais convencionais.
O futuro das jornadas de trabalho no Brasil
A discussão sobre redução de carga horária, flexibilidade e bem-estar deve continuar crescendo nos próximos anos.
Mudanças tecnológicas, automação e novas expectativas dos trabalhadores pressionam empresas a buscar modelos mais eficientes.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que não existe uma solução única para todos os setores.
Cada atividade possui necessidades específicas relacionadas à operação, atendimento ao cliente e produtividade.
Por isso, a tendência é que o mercado avance para modelos cada vez mais personalizados.
Conclusão
A decisão de uma rede mineira de supermercados de adotar uma escala que proporciona até 15 dias de folga por mês mostra como o mercado de trabalho está passando por transformações significativas.
Embora a jornada 12×36 não seja uma novidade na legislação brasileira, sua aplicação em um segmento tão relevante quanto o varejo chama atenção para novas formas de equilibrar produtividade e qualidade de vida.
O sucesso dessa iniciativa poderá servir como referência para outras empresas que buscam reduzir a rotatividade, aumentar o engajamento das equipes e se tornar mais competitivas na atração de profissionais.
Mais do que uma mudança operacional, a experiência reforça um debate cada vez mais presente no Brasil: como construir relações de trabalho mais sustentáveis para empresas e trabalhadores.
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