O mercado de supermercados no Brasil, já marcado pela forte competição entre atacarejos e redes tradicionais, está prestes a receber um novo e inesperado jogador. Trata-se da rede russa Svetofor, que no país adotará o nome Vantajoso, trazendo um modelo de negócios agressivo baseado no conceito de hard discount extremo.
A estreia está programada para Campinas (SP) em 2025, e a expectativa é de que até 50 unidades estejam em operação em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais nos próximos três anos.
Com preços até 30% mais baixos em comparação com os praticados por grandes concorrentes, a chegada da rede promete causar impacto tanto entre consumidores quanto nos bastidores do setor de varejo alimentar.
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O modelo Vantajoso: simplicidade e preços agressivos

Estrutura compacta
As lojas Vantajoso terão, em média, 1.000 m², um espaço reduzido em relação às grandes unidades de atacarejo. Diferente de supermercados tradicionais, não haverá padaria, açougue ou seções personalizadas. O foco está na eficiência, com prateleiras simples e exposição direta de produtos, o que reduz custos de montagem e operação.
Mix de produtos
O sortimento será enxuto: cerca de 80% em alimentos e o restante dedicado a itens de primeira necessidade, como limpeza, higiene pessoal e produtos básicos de uso doméstico. Essa limitação, segundo a empresa, faz parte da estratégia para manter alta rotatividade e custos reduzidos na gestão do estoque.
Compras diretas de fabricantes
Outro ponto central é a negociação direta com fornecedores, evitando intermediários. Essa prática permite cortar despesas logísticas e negociar preços mais competitivos, repassados ao consumidor em forma de descontos permanentes.
De acordo com Karina Storozhenko, diretora regional da rede, “a proposta é oferecer preços promocionais todos os dias, sem depender de datas específicas ou liquidações sazonais”.
Experiência internacional como diferencial
O Vantajoso não surge do zero. A marca Svetofor já conta com mais de 4 mil lojas espalhadas por países da Europa e Ásia, especialmente em regiões afetadas por inflação alta e queda no poder de compra. Essa expertise pode se transformar em vantagem no Brasil, onde o consumo popular é fortemente influenciado pela variação de preços e pela renda das famílias.
Nos mercados em que atua, a rede se destacou por conseguir equilibrar margens reduzidas com volume elevado de vendas. O desafio agora será replicar essa fórmula no território brasileiro, marcado por complexidades logísticas, alta carga tributária e forte presença de concorrentes locais.
Impacto esperado no mercado brasileiro
Concorrência direta com atacarejos
Redes como Assaí, Atacadão e Grupo Mateus, que atualmente operam com margens EBITDA entre 6% e 8%, devem sentir a pressão com a chegada do Vantajoso. O modelo russo, por oferecer preços ainda mais baixos, pode atrair especialmente consumidores de menor renda, público que também é o principal alvo dos atacarejos.
Fornecedores em alerta
A estratégia de negociação direta do Vantajoso pode provocar uma reconfiguração nas cadeias de suprimentos. Pequenos e médios fornecedores terão a oportunidade de negociar contratos sem intermediários, mas grandes indústrias podem precisar rever margens e condições comerciais para não perder espaço.
Consumidores em vantagem
O consumidor brasileiro, acostumado a enfrentar oscilações nos preços de alimentos e produtos básicos, tende a ser o grande beneficiado. A promessa de “preços baixos todos os dias” cria uma expectativa de fidelização, especialmente em períodos de inflação.
O desafio logístico no Brasil

Estrutura de distribuição
Embora o modelo de hard discount seja eficiente em mercados com logística consolidada, o Brasil representa um desafio adicional. A malha rodoviária extensa, os custos de transporte e os entraves burocráticos podem elevar despesas operacionais. A rede já estuda centros de distribuição regionais para garantir o abastecimento contínuo e evitar rupturas nas gôndolas.
Adaptação cultural
Outro fator será a adaptação ao gosto do consumidor brasileiro. Diferente da Europa, onde itens básicos têm grande padronização, no Brasil há forte demanda por diversidade de marcas e produtos regionais. A capacidade de equilibrar simplicidade operacional com adequação ao consumo local será decisiva para o sucesso.
Uma aposta ousada na América Latina
O Brasil será o primeiro mercado da América Latina a receber o Vantajoso. Para a rede russa, trata-se de um teste estratégico: se der certo, a expansão pode alcançar outros países da região, como Argentina, Chile e Colômbia.
A empresa aposta no cenário de renda comprimida das famílias brasileiras, que impulsiona a busca por alternativas mais baratas. Especialistas avaliam que, em um momento em que o consumidor se mostra mais sensível ao preço, a chegada de um modelo inovador pode transformar o varejo alimentar no país.
Perspectivas para o futuro
A inauguração da primeira unidade em Campinas em 2025 marcará apenas o início de uma disputa que promete redesenhar o setor de supermercados no Brasil. Se conseguir entregar a proposta de 30% de economia, o Vantajoso pode conquistar rapidamente espaço no orçamento das famílias e obrigar concorrentes a rever estratégias comerciais.
A expansão prevista para os próximos três anos indica que a rede russa não enxerga o Brasil como um experimento, mas como um mercado prioritário em sua estratégia global. A promessa de preços agressivos e estrutura simplificada pode ser o diferencial capaz de transformar a forma como milhões de brasileiros fazem suas compras.
Imagem: non c / shutterstock.com
