A discussão sobre se supermercados podem vender remédios volta à cena política brasileira após quase três décadas. Uma proposta aprovada pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado pode autorizar a comercialização de medicamentos em grandes redes varejistas, com novas regras que visam conciliar acesso, preço e segurança. A medida ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados e, se aprovada, depende de sanção presidencial.
Supermercados brasileiros poderão começar a vender remédios
Proposta no Senado autoriza supermercados a vender remédios no Brasil, com regras específicas e presença de farmacêuticos. Veja como funcionaria.
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O que a proposta prevê

O texto aprovado autoriza supermercados a venderem qualquer tipo de remédio, desde os mais simples, que não exigem receita, até os de controle especial. Contudo, para evitar riscos à saúde, o projeto impõe uma série de condições.
Regras principais para a venda em supermercados
- Espaços exclusivos: os supermercados deverão criar áreas exclusivas para farmácias, separadas do restante da loja.
- Presença de farmacêuticos: profissionais deverão estar presentes em tempo integral para orientar os consumidores.
- Medicamentos de controle especial: só poderão ser entregues após o pagamento, em embalagens lacradas e invioláveis, caso a compra seja feita em caixas fora da farmácia.
- Gestão das farmácias: poderão ser administradas diretamente pelo supermercado ou por drogarias licenciadas que operem dentro do espaço.
A inspiração em modelos internacionais
Em vários países, como Estados Unidos e Canadá, supermercados oferecem medicamentos em farmácias próprias dentro das lojas. No Brasil, esse modelo só é permitido em hipermercados que abrigam farmácias independentes. A proposta busca aproximar a realidade brasileira dessa prática internacional, mas com salvaguardas específicas.
O histórico da discussão
O tema não é inédito. Entre 1994 e 1995, durante o Plano Real, a venda de medicamentos em supermercados chegou a ser autorizada, mas foi posteriormente revogada pelo Congresso. Em 2004, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforçou a proibição, alegando a necessidade de controle sanitário mais rigoroso.
Atualmente, apenas farmácias instaladas dentro de hipermercados podem operar, mas sempre como estabelecimentos independentes e licenciados.
Os argumentos a favor da proposta
Supermercadistas defendem que a mudança pode representar um avanço no acesso da população aos medicamentos.
Acesso ampliado à saúde
Em regiões do país onde há escassez de farmácias, supermercados poderiam suprir a demanda, principalmente em áreas periféricas e pequenas cidades.
Redução de preços
Outro argumento é que a concorrência aumentaria, com potencial para baixar os preços dos medicamentos, que representam um gasto significativo no orçamento das famílias brasileiras.
Resposta à diversificação das farmácias
Nos últimos anos, farmácias passaram a vender produtos típicos de supermercados, como alimentos, cosméticos e itens de higiene. A medida é vista como uma resposta inversa a esse movimento, equilibrando o mercado.
As preocupações do setor farmacêutico
Representantes da indústria e de entidades ligadas à saúde levantam questionamentos importantes sobre a proposta.
Risco de automedicação
A facilidade de acesso pode estimular o uso indiscriminado de medicamentos, aumentando os riscos de intoxicação e agravamento de doenças.
Impacto sobre farmácias independentes
Pequenas farmácias, sobretudo em cidades menores, poderiam perder competitividade frente ao poder de compra e negociação das grandes redes de supermercados.
A visão da Fenafar
O presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), Fábio Basílio, destacou que a proposta atual está “bem melhor do que a original”, graças às negociações que garantiram a presença obrigatória de farmacêuticos e áreas restritas de venda. Ainda assim, a entidade mantém a preocupação com os impactos sociais e econômicos da medida.
Como funcionaria na prática
Se aprovada, a venda de remédios nos supermercados no Brasil dependerá de adaptação da estrutura física e de contratação de profissionais farmacêuticos.
Estrutura obrigatória
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- Espaço restrito com balcão de atendimento
- Controle de entrada e saída de medicamentos
- Registro digital de vendas de medicamentos controlados
- Sistemas de segurança para evitar desvios
Rotina do consumidor
O consumidor poderia comprar medicamentos comuns, como analgésicos ou antigripais, diretamente na farmácia instalada no supermercado. Para medicamentos controlados, seria necessária a apresentação de receita médica, e a entrega seria feita apenas após conferência do farmacêutico.
Próximos passos da proposta
O texto ainda será analisado pela Câmara dos Deputados. Caso aprovado sem alterações, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se houver modificações, retornará ao Senado.
Analistas políticos avaliam que a proposta pode gerar forte debate, tanto no Congresso quanto na sociedade, já que envolve saúde pública, economia e regulamentação de mercado.
Experiências internacionais
Nos Estados Unidos, grandes redes como Walmart e Costco já oferecem farmácias dentro dos supermercados, com preços competitivos e grande conveniência. No entanto, esses países enfrentam também problemas de automedicação, o que reforça a necessidade de regulação rígida.
Na União Europeia, o modelo varia de acordo com cada país. Em alguns, a venda em supermercados é restrita apenas a medicamentos sem prescrição, enquanto outros permitem um leque mais amplo de opções.
Impactos esperados caso a proposta seja aprovada
Especialistas apontam diferentes cenários possíveis:
- Positivo: maior acesso, preços reduzidos e conveniência para a população.
- Negativo: enfraquecimento das farmácias independentes e aumento da automedicação.
O desafio será equilibrar os benefícios econômicos com a segurança sanitária.
Um debate que vai além da economia

A proposta de liberar a venda de medicamentos em supermercados no Brasil reacende um debate histórico e complexo. De um lado, consumidores podem ganhar em acesso e preços; de outro, entidades de saúde alertam para riscos sérios de automedicação. O resultado final dependerá de como o Congresso e o governo vão ajustar a regulamentação para equilibrar esses interesses.
