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Tarifa Social entra em vigor com energia elétrica gratuita para famílias de baixa renda

A partir deste sábado, 5, famílias brasileiras de baixa renda poderão ter conta de luz totalmente gratuita, desde que o consumo mensal não ultrapasse 80 quilowatts-hora (kWh).

A mudança faz parte da nova regulamentação da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), aprovada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) com apoio do Ministério de Minas e Energia, e está prevista na Medida Provisória nº 1.300/2025, atualmente em análise no Congresso Nacional.

A expectativa do governo é beneficiar cerca de 60 milhões de pessoas em todo o país, promovendo inclusão energética e alívio financeiro às famílias mais vulneráveis.

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Como funciona a nova Tarifa Social

Tarifa Social de Energia Elétrica
Imagem: Canva

Quem tem direito à gratuidade na conta de luz

Para ter direito à isenção total da conta de energia elétrica, a família precisa atender aos seguintes critérios:

  • Estar inscrita no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal);
  • Ter renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa;
  • Manter consumo de energia igual ou inferior a 80 kWh mensais.

Caso o consumo ultrapasse esse limite, a família pagará apenas a diferença. Por exemplo, se o consumo atingir 100 kWh, a cobrança será feita apenas sobre os 20 kWh excedentes, mantendo o restante isento de pagamento.

Como solicitar o benefício

Quem ainda não está inscrito no CadÚnico deve procurar o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) mais próximo para efetuar o cadastro. Após a inscrição e a atualização de dados, o acesso ao benefício é feito de forma automática, desde que os critérios sejam cumpridos.

Instalações trifásicas também serão contempladas

Uma mudança importante da nova regulamentação diz respeito às famílias com instalações trifásicas.

Antes, essas famílias pagavam uma taxa mínima, mesmo com baixo consumo, por conta do chamado custo de disponibilidade da rede. Agora, mesmo em instalações trifásicas, não haverá cobrança se o consumo for inferior a 80 kWh.

O que muda com a nova regra

De descontos parciais à gratuidade total

Antes da mudança, os descontos concedidos pela Tarifa Social variavam de 10% a 65%, dependendo do consumo e do perfil familiar. Famílias indígenas e quilombolas, por exemplo, já tinham acesso a condições especiais.

Agora, com a nova norma, a isenção é total para todos que se enquadram nos critérios, democratizando o acesso à energia elétrica e fortalecendo o combate à pobreza energética.

Custo da gratuidade será bancado pela CDE

Os valores que deixam de ser pagos pelos beneficiários da Tarifa Social serão cobertos pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo setorial que já subsidia programas como Luz para Todos, incentivos às fontes renováveis e outras ações de interesse público.

A Aneel determina anualmente quanto cada distribuidora de energia deve contribuir para a CDE, garantindo que os custos da política pública sejam redistribuídos de maneira equilibrada entre os diversos agentes do setor elétrico.

Impacto social e econômico

Um alívio para o orçamento das famílias

A medida representa uma economia significativa para milhões de lares brasileiros, especialmente em um cenário de inflação e aumento do custo de vida. Para muitas famílias, a conta de luz representa um dos maiores gastos mensais fixos.

De acordo com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a política é um passo importante rumo à justiça social:

“Essa medida representa a garantia de dignidade e alívio no orçamento de milhões de famílias brasileiras, especialmente das mais vulneráveis. A Tarifa Social é um instrumento essencial para a inclusão energética.”

Inclusão energética e dignidade

Especialistas em políticas públicas destacam que o acesso à energia elétrica vai além da utilidade básica: ele representa acesso à educação, segurança, saúde e conectividade.

Segundo a pesquisadora Isabela Torres, da Fundação Getulio Vargas (FGV):

“Ter energia elétrica não é apenas acender uma lâmpada. É permitir que uma criança estude à noite, que alimentos sejam conservados, que se tenha acesso à informação. É um direito fundamental.”

Repercussão e desafios

Reação positiva de movimentos sociais

Entidades de defesa dos direitos sociais comemoraram a medida. Para o Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), a gratuidade da energia representa um avanço civilizatório.

“É o tipo de política que transforma a realidade de famílias invisíveis para o sistema. Parabéns ao governo por essa decisão sensível e necessária”, afirmou a coordenadora do movimento, Sandra Campos.

Sustentabilidade financeira da CDE

Por outro lado, a medida também levanta questionamentos sobre a sustentabilidade financeira da CDE. Analistas alertam que, sem uma compensação adequada, o fundo pode gerar pressões sobre as tarifas dos demais consumidores.

Em nota técnica, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) informou que apoia a medida, desde que os recursos da CDE sejam mantidos de forma estável e previsível.

Como a mudança afeta o setor elétrico

Mais previsibilidade, mais inclusão

Com a ampliação da Tarifa Social e a padronização da gratuidade até 80 kWh, o setor elétrico passa a operar com mais previsibilidade regulatória. Isso permite um planejamento mais efetivo por parte das distribuidoras e melhora a eficiência na aplicação dos subsídios.

A expectativa é de que a inclusão de mais famílias no sistema energético formal também leve à redução de ligações clandestinas, que hoje representam perdas significativas para as concessionárias.

Digitalização e eficiência energética

Outra aposta do governo é que, ao garantir o acesso básico à energia, também se possa investir em educação sobre consumo consciente e eficiência energética.

Famílias que hoje vivem em situação de vulnerabilidade energética podem passar a integrar programas de modernização de consumo, como troca de lâmpadas e eletrodomésticos por modelos mais eficientes.

O que vem a seguir

Tarifa Social
Imagem: Freepik

Tramitação da medida provisória

A Medida Provisória nº 1.300/2025, que regulamenta a nova regra da Tarifa Social, segue em tramitação no Congresso. Apesar de já estar em vigor, o texto precisa ser aprovado em até 120 dias para se transformar definitivamente em lei.

Líderes da base governista afirmam que há maioria para aprovar a proposta, enquanto a oposição questiona os impactos fiscais da gratuidade e a sustentabilidade da CDE.

Monitoramento e ajustes

A Aneel informou que o impacto da medida será monitorado trimestralmente, com base nos relatórios de consumo, número de beneficiários e arrecadação da CDE. Se necessário, ajustes poderão ser feitos por meio de resoluções normativas complementares.

Conclusão

A nova Tarifa Social de energia elétrica, que entra em vigor neste sábado, 5 de julho, representa um marco na política social brasileira. Ao garantir energia elétrica gratuita para milhões de famílias, o governo federal avança no combate à desigualdade e na construção de um país mais justo e inclusivo.

Embora ainda haja desafios a serem enfrentados — especialmente no que diz respeito ao financiamento do programa —, os benefícios sociais, econômicos e estruturais da medida são amplamente reconhecidos.

Para as famílias que hoje lutam para equilibrar o orçamento, ter luz gratuita em casa significa mais do que economia: é uma questão de dignidade.