O açaí, fruta típica da Amazônia brasileira que conquistou o paladar dos norte-americanos, enfrenta agora uma ameaça que pode elevar seu preço e limitar seu consumo. A partir de 1º de agosto de 2025, entra em vigor uma tarifa de 50% sobre a importação da polpa de açaí vinda do Brasil, imposta pelo governo de Donald Trump.
Açaí do Brasil pode virar produto de luxo nos EUA após tarifaço de Trump
Tarifa de 50% sobre açaí brasileiro pode encarecer produto e afetar mercado nos EUA a partir de agosto.
Essa medida pode transformar um alimento popular e acessível em um artigo de luxo para consumidores nos EUA, com impactos diretos sobre produtores brasileiros e redes de lojas que vendem tigelas e smoothies da fruta em cidades como Nova York e Los Angeles.
Leia mais: Tarifas de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros: efeitos
A explosão do açaí no mercado internacional e a nova barreira tarifária

Nos últimos anos, o açaí passou de iguaria regional, consumida principalmente no Pará, para um fenômeno nacional e internacional. Segundo dados do IBGE e governos locais, a produção brasileira saltou de 150 mil toneladas, há uma década, para quase 2 milhões de toneladas em 2024. A maior parte dessa produção destina-se à exportação, com os Estados Unidos como o maior mercado estrangeiro, seguidos da Europa e do Japão.
Porém, o anúncio da tarifa de 50% pelo governo Trump, sem um acordo comercial que contrabalance essa medida, colocou em xeque o futuro do açaí brasileiro nos EUA. A taxa tornará o produto consideravelmente mais caro, reduzindo a competitividade frente a alternativas locais e impactando o volume de vendas.
Repercussões no consumidor final: açaí pode virar luxo em Nova York
As redes americanas que comercializam o açaí já começam a sentir a pressão. Lojas como a Playa Bowls, que tem 300 unidades pelo país, e a Oakberry, com 700 lojas em 35 países, dependem da importação brasileira para abastecer seus cardápios.
Atualmente, uma tigela de açaí em Nova York custa cerca de US$ 18 (cerca de R$ 100) na Playa Bowls, e US$ 13 (R$ 72) em uma unidade da Oakberry próxima. Com o aumento previsto da tarifa, esses valores podem subir bastante, fazendo com que o produto deixe de ser acessível para muitos consumidores.
Ashley Ibarra, gerente da Playa Bowls em Manhattan, afirmou que o preço já gera reclamações, e um aumento pode transformar o açaí em algo restrito a um público de luxo. O consumidor Milan Shek, que frequenta a loja, confessou que provavelmente diminuirá o consumo se os preços aumentarem.
Impacto para produtores brasileiros: o desafio de absorver os custos
Para os produtores, a tarifa de Trump representa um grande obstáculo. Nazareno Alves da Silva, presidente da Associação de Produtores de Açaí do Amazonas, admitiu que as empresas brasileiras ainda tentam entender como absorver esse custo adicional, mas as perspectivas são difíceis.
Ele destacou que a operação pode se tornar muito cara para importadores americanos, que dificilmente aceitarão preços mais altos. Assim, os produtores enfrentam o dilema de repassar o custo para o consumidor final — arriscando queda nas vendas — ou buscar novos mercados para a fruta.
O efeito dominó: outras exportações brasileiras também ameaçadas
O açaí não é o único produto brasileiro que pode ser afetado pelas tensões comerciais com os EUA. O Brasil é responsável por cerca de um terço do café consumido nos Estados Unidos, além de fornecer grandes volumes de suco de laranja e carne bovina. Caso a política tarifária se mantenha ou se expanda, esses setores também poderão sofrer impactos negativos.
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A resistência das redes e o papel da FDA

As empresas de açaí nos EUA vendem o produto como fonte natural de energia, antioxidantes e nutrientes como o ômega-3, embora a agência reguladora norte-americana FDA recomende que mais estudos sejam feitos para confirmar seus benefícios à saúde.
Essa promoção ajudou a popularizar o açaí em cidades norte-americanas, mas o aumento do preço pode frear o consumo e reduzir a demanda.
Cenário futuro: negociações, adaptação ou perda de mercado?
A ausência de um acordo comercial que evite ou diminua a tarifa colocará os produtores brasileiros e as redes americanas em uma posição delicada. Sem alternativas claras, a tendência é que o consumo de açaí caia, e o Brasil precise acelerar a busca por novos mercados, especialmente na Ásia e Europa, para compensar a perda.
Alternativamente, as empresas poderão tentar estratégias para minimizar o impacto, como otimização da cadeia logística, redução de margens de lucro ou aumento da eficiência produtiva.
Com informações de: G1
