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Tarifaço de 50% entra em vigor nos EUA sob governo Trump; confira detalhes

Tarifaço de 50% dos EUA ao Brasil entra em vigor; medidas impactam exportações e geram tensões políticas e econômicas.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Trump

A partir de 1h01 da manhã desta quarta-feira (6 de agosto de 2025, horário de Brasília), entrou em vigor o tarifaço imposto pelos Estados Unidos às importações brasileiras. A medida, anunciada pelo governo de Donald Trump, aplica uma alíquota total de 50% sobre os produtos brasileiros enviados ao mercado norte-americano, um imposto composto por uma taxa geral de 10% acrescida de uma sobretaxa adicional de 40%.

Essa ação representa um duro golpe para as exportações do Brasil, que se tornarão mais caras e menos competitivas nos EUA.

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Exceções e detalhes do tarifaço

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Imagem: Freepik

Apesar da rigidez da tarifa, nem todos os itens exportados pelo Brasil terão a cobrança integral de 50%. Foram excluídos da sobretaxa adicional 694 produtos, o que representa 43% das exportações brasileiras aos Estados Unidos em 2024. Entre eles, estão setores estratégicos como peças para aviões e suco de laranja, que permanecem sujeitos apenas à alíquota padrão de 10%.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) também comunicou que mercadorias enviadas até 5 de agosto de 2025 estarão isentas da sobretaxa, desde que desembarquem nos EUA até 5 de outubro de 2025.

Justificativas oficiais para o tarifaço

O anúncio da tarifa foi formalizado em carta do presidente Donald Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, datada de 9 de julho de 2025. Trump baseou sua decisão em relatório do United States Trade Representative (USTR), que destacou as elevadas barreiras comerciais brasileiras. De acordo com o USTR, o Brasil aplicou tarifas médias de 11,2% em 2023, sendo 8,1% para produtos agrícolas e 11,7% para itens não agrícolas. Essas barreiras foram estimadas como prejudiciais à economia americana, causando um impacto anual de cerca de US$ 8 bilhões.

Entretanto, um equívoco na carta chamou atenção: Trump afirmou que o déficit comercial dos EUA com o Brasil justificava as tarifas. No entanto, os dados oficiais indicam o contrário, com o Brasil comprando mais dos EUA do que vendendo.

Trecho da declaração controversa de Trump:
“Essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses deficits comerciais [sic] insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse deficit [sic] é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional!”

Motivações políticas por trás do tarifaço

Além das razões econômicas, o tarifaço tem um forte viés político. Uma das causas para a imposição das tarifas foi a situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Trump, em sua carta, criticou duramente o julgamento, classificando-o como uma “vergonha internacional” e “caça às bruxas” que deveria cessar “imediatamente”. Também acusou o STF de censurar ilegalmente plataformas americanas de redes sociais, violando a liberdade de expressão.

Em resposta, Bolsonaro declarou em julho de 2025 ser “apaixonado” por Trump, destacando ter sido tratado como “irmão” pelo presidente americano.

Reação do governo Lula e medidas de enfrentamento

O governo Lula culpa diretamente Bolsonaro pela crise comercial gerada pelo tarifaço. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi enfático nas críticas, alegando que a ação teria como objetivo proteger interesses específicos ligados à família Bolsonaro.

Haddad declarou em 10 de julho de 2025:
“A única explicação plausível pelo que foi feito ontem foi porque a família Bolsonaro urdiu esse ataque ao Brasil. E com um objetivo específico, que é escapar do processo que está em curso”.

Para mitigar os impactos, o governo prepara medidas de apoio às indústrias afetadas, com destaque para linhas de crédito. Haddad também afirmou que eventual uso de recursos públicos para financiamento não violaria as metas fiscais. Um comitê liderado pelo vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, está em atividade para coordenar as respostas. O Itamaraty deve anunciar uma posição oficial sobre o tema em 18 de agosto.

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Possível ação na OMC e limitações

Uma alternativa que o governo brasileiro considera é recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). A Camex (Câmara de Comércio Exterior) já autorizou a abertura de consultas para contestar a medida no âmbito internacional. Contudo, o processo é longo e enfrenta obstáculos: o órgão de apelação da OMC está paralisado desde 2019, dificultando decisões finais.

O fluxo simplificado da consulta à OMC inclui:

  • Pedido formal de negociação entre países;
  • Criação de painel se não houver acordo em 60 dias;
  • Relatório do painel com decisão;
  • Possibilidade de recurso, porém com órgão de apelação parado;
  • Cumprimento da decisão ou nova negociação.

Impactos econômicos no Brasil

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o tarifaço pode causar perdas de R$ 25,8 bilhões no PIB brasileiro em curto prazo (1 a 2 anos), o que equivale a 0,22% da atividade econômica. Além disso, cerca de 146,6 mil empregos formais e informais estariam ameaçados.

Produtos como café, carne bovina, ferro, aço e manufaturados figuram entre os mais afetados. A análise para longo prazo (5 a 10 anos) estima prejuízos de até R$ 110,4 bilhões no PIB e risco para 618 mil empregos.

Com informações de: Poder360

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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