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Pix ganha força fora do Brasil e vira alvo de críticas de Donald Trump

Pix cresce em países visitados por brasileiros e vira alvo de Trump. Tecnologia brasileira avança com apoio de fintechs e credenciadoras.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Pix Parcelado estreia em setembro com regras definidas pelo Banco Central

O sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, o Pix, atravessou fronteiras. Impulsionado por fintechs brasileiras, o modelo está sendo utilizado em destinos turísticos populares entre brasileiros, como Paraguai, Argentina, Uruguai, Estados Unidos e países da Europa.

O crescimento acelerado do Pix no exterior, no entanto, tem chamado atenção política — inclusive do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente criticou o sistema.

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O crescimento internacional do Pix

Pix
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Desde seu lançamento em 2020, o Pix se consolidou como o principal método de pagamento no Brasil. O sucesso foi tamanho que, nos últimos anos, começou a ser exportado de maneira indireta, graças a soluções criadas por startups financeiras, que viabilizam o uso dele fora do país.

Presença nos países vizinhos

Durante as férias de julho de 2025, a dentista Tuanny Monteiro Noronha, de Brasília, visitou o Paraguai e a Argentina. Em ambos os países, ela notou uma forte presença do Pix no comércio.

“No Paraguai, quase todas as lojas aceitavam. Em Ciudad del Este, mais de 90% das lojas ofereciam essa opção”, conta Tuanny.

Já em Buenos Aires, a aceitação era ampla nos restaurantes:

“Eram poucos os locais que não tinham Pix. Isso tornou tudo mais prático e seguro.”

Como funciona o Pix no exterior?

Apesar de o Pix não permitir transferências internacionais diretas, a tecnologia é usada no exterior por meio de intermediação de fintechs e credenciadoras.

O processo é simples: o estabelecimento estrangeiro exibe um QR Code em moeda local, que é convertido automaticamente em reais no momento da transação.

Entenda o processo

  1. O cliente escaneia o QR Code do estabelecimento.
  2. A fintech converte o valor automaticamente para reais.
  3. O pagamento é efetuado via transferência, com IOF já embutido.
  4. O lojista recebe em sua moeda local por meio de uma empresa intermediadora (eFX).

Segundo Alex Hoffmann, CEO da PagBrasil, essa conversão é imediata e segura:

“O câmbio é garantido no ato do pagamento, diferente do cartão de crédito, onde só se conhece a cotação no fechamento da fatura.”

Fintechs brasileiras lideram a expansão

PagBrasil e outras líderes do setor

Empresas como PagBrasil, Wise, Remessa Online estão entre as principais responsáveis por viabilizar o Pix em locais turísticos internacionais. Elas firmam parcerias com credenciadoras locais, que operam as maquininhas de cartão e permitem a geração de QR Codes Pix.

Segundo Hoffmann, a inspiração veio de uma experiência pessoal:

“Passei um réveillon em Punta del Este e percebi que 80% dos turistas eram brasileiros. Faria todo o sentido usar Pix por lá.”

Poucos meses depois, ele estava disponível em diversos comércios do balneário uruguaio.

Onde ele já é aceito no exterior?

América do Sul

  • Paraguai: Muito difundido em Ciudad del Este e Assunção.
  • Argentina: Forte presença em Buenos Aires, Mendoza e Bariloche.
  • Uruguai: Usado em Punta del Este e Montevidéu.
  • Chile: Está em fase de expansão em Santiago e cidades turísticas.

América do Norte

  • Estados Unidos: Acordo recente entre a PagBrasil e a Verifone, maior adquirente do país, viabilizou a transferência em grandes redes varejistas.
  • A tendência é que estados com alta presença de brasileiros, como Flórida e Nova York, sejam os primeiros a incorporar a tecnologia.

Europa

  • Portugal e França: Fintechs já operam com apps de conta multimoeda, onde o Pix é usado para adicionar crédito.
  • Espanha: Presença crescente, principalmente em áreas turísticas como Barcelona e Madri.

Pix e as contas multimoeda

Outra forma popular de usar a transferência fora do país é por meio de contas internacionais digitais, como Wise, Nomad ou C6 Global. O usuário envia um Pix para sua própria conta no exterior e usa um cartão de débito (físico ou virtual) para pagar despesas na moeda local.

A jornalista Verônica Soares, de férias em Paris, aprovou a experiência:

“Não precisei trocar dinheiro em casas de câmbio. Fiz o Pix e converti direto para euros, tudo pelo celular.”

Pix ainda não é oficialmente internacional

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Apesar da crescente aceitação, o Banco Central do Brasil reforça que o Pix ainda é um sistema doméstico. Ou seja, ele só opera entre contas no Brasil. A atuação internacional se dá apenas em uma das pontas da operação — a de envio.

Conexão com o sistema Nexus

O BC estuda a integração do Pix com o Nexus, sistema internacional desenvolvido pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS). O objetivo é permitir transações entre países com a mesma facilidade que existe internamente no Brasil.

“Ainda é cedo para falar em Pix internacional, mas há avanços no sentido de integrar redes de pagamentos entre países”, disse a assessoria do BC.

Críticas de Donald Trump

O sucesso da transferência também causou ruídos políticos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluiu o sistema em uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

Trump argumenta que o modelo representa uma ameaça à hegemonia dos sistemas de pagamento norte-americanos, como Visa e Mastercard, e poderia impactar o setor financeiro americano.

Avaliação do mercado

Apesar das críticas, especialistas acreditam que a movimentação tem mais caráter político do que prático. Alex Hoffmann, da PagBrasil, acredita que os benefícios econômicos da presença do Pix nos EUA superam qualquer eventual risco:

“Estamos falando de mais de 2 milhões de turistas brasileiros por ano, com bilhões em gastos. É dinheiro entrando na economia americana.”

O que torna o Pix tão especial?

Imagem: Tirachard Kumtanom / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital
  • Velocidade: Pagamentos em até 10 segundos.
  • Gratuito: Para pessoas físicas, não há tarifas.
  • Versatilidade: Funciona com QR Code, chave, aproximação e agora também com agendamento.
  • Segurança: Camadas de autenticação e rastreabilidade.
  • Baixo custo para empresas: Menores taxas comparado ao cartão.

Novidades em breve

O Banco Central já trabalha em novos recursos para o Pix:

  • Pix garantido: Pagamento parcelado com garantia de recebimento.
  • Pix por aproximação NFC: Em testes em terminais Android.
  • Pix automático: Débito recorrente para mensalidades e assinaturas.

Considerações finais

O Pix não apenas revolucionou o sistema bancário brasileiro, como agora se consolida como uma alternativa prática e econômica para pagamentos no exterior.

Seu avanço em destinos turísticos e a aceitação entre lojistas mostram que o sistema pode, sim, ser um dos primeiros passos rumo a uma rede global de pagamentos instantâneos.

Mesmo com críticas de figuras políticas como Donald Trump, o Pix parece ter encontrado uma via irreversível de crescimento. O sistema já não é apenas uma marca registrada do Brasil — está a caminho de se tornar uma referência mundial.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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