Nesta quarta-feira (6), entrou em vigor a tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros, medida que eleva a tensão nos mercados e pode afetar o panorama econômico do Brasil a médio e longo prazo. O chamado “tarifaço” não só altera a dinâmica da inflação como influencia diretamente as expectativas em relação à taxa de juros — fatores que já começam a repercutir nos investimentos.
Tarifaço impacta investimentos: orientações de 10 corretoras para renda fixa, ações e exterior
O tarifaço de 50% imposta por Trump sobre produtos brasileiros eleva incertezas, impacta inflação e investimentos locais, e ajusta carteiras para agosto.
Corretoras e bancos ajustaram suas estratégias para o mês de agosto, revisando carteiras e realocando ativos para tentar mitigar os riscos advindos do cenário internacional adverso, somado a outros desafios locais.
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A aversão ao risco e o impacto do tarifaço na economia brasileira

O impacto imediato da tarifa foi identificado pela equipe de research em renda fixa do Itaú BBA, que destacou em relatório recente: “O anúncio da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros elevou a aversão ao risco, provocando saída de recursos e aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores.” Essa percepção negativa reflete diretamente na valorização do dólar e na maior volatilidade das taxas de juros.
A XP Investimentos reforçou essa visão, apontando que “a curva de juros refletiu maior aversão ao risco, com o cenário de incerteza em relação às eleições de 2026 e o impacto das tarifas aplicadas pelos EUA às exportações brasileiras”.
Como o tarifaço influencia a renda fixa local
Títulos prefixados: atratividade e riscos
Segundo o Itaú BBA, apesar da volatilidade observada em julho, os fundamentos para investir em renda fixa permanecem sólidos. Para títulos prefixados com prazos em torno de 3 anos, o banco considera que continuam atrativos, desde que o investidor esteja atento ao “carrego” — ou seja, à remuneração obtida pelo título durante a sua manutenção, especialmente importante diante da possibilidade de reprecificação do cenário da taxa Selic.
Títulos IPCA+: proteção contra a inflação
Os títulos atrelados ao IPCA com prazo a partir de 5 anos surgem como a principal alternativa para capturar a esperada desinflação e desaceleração econômica previstas nos próximos anos, mantendo a proteção contra eventuais surpresas inflacionárias. Atualmente, a taxa real para esse prazo está em torno de 7,5% ao ano — um nível historicamente elevado e atrativo.
Títulos pós-fixados: flexibilidade para curto prazo
Para horizontes de até dois anos, os títulos pós-fixados são recomendados pelo Itaú BBA por apresentarem elevado carrego e visibilidade limitada sobre possíveis cortes na Selic no curto prazo. Essa classe é indicada tanto para estratégias defensivas quanto para compor reservas de caixa em carteiras diversificadas.
Carteira de renda fixa da XP: equilíbrio entre público e privado
A XP investe em uma mescla entre títulos públicos, como Letras Financeiras do Tesouro (LFT) atreladas à Selic, Notas do Tesouro Nacional (NTN) prefixadas e indexadas ao IPCA, e crédito privado, com CDBs e debêntures ligados ao IPCA. A diversificação considera perfis variados, prazos e riscos.
A equipe da XP destaca a importância de limitar a exposição a emissores, sugerindo, por exemplo, máximo de 5% da carteira em um único emissor e até 20% em crédito privado, reforçando que essas são orientações que devem ser ajustadas conforme o perfil e objetivo de cada investidor.
Ações brasileiras e o cenário político-econômico

A combinação entre o conflito comercial EUA-Brasil, incertezas políticas em relação às eleições de 2026 e os juros altos criou um ambiente que, segundo o BTG Pactual, afastou temporariamente o interesse dos investidores pelo mercado acionário brasileiro. O banco manteve em sua carteira para agosto empresas que oferecem retornos atrativos mesmo com taxas reais elevadas.
Destaques entre as ações locais recomendadas
O Itaú (ITUB4) permanece o mais recomendado, presente em seis carteiras, demonstrando resiliência frente ao cenário adverso. Petrobras (PETR4) também aparece com cinco recomendações, impulsionada pela expectativa de dividend yield médio de 8,5% para 2025 e 2026. A Vale (VALE3), com cinco recomendações, é apontada como outra empresa resiliente.
Outras companhias como Vivo (VIVT3) e Prio (PRIO3) figuram entre as recomendações, embora com desempenho variado.
Ranking das ações brasileiras mais recomendadas em agosto
- Itaú (ITUB4): 6 recomendações | Retorno em julho: -4,80%
- Petrobras (PETR4): 5 recomendações | Retorno em julho: 4,02%
- Vale (VALE3): 5 recomendações | Retorno em julho: 1,54%
- Vivo (VIVT3): 4 recomendações | Retorno em julho: 2,25%
- Prio (PRIO3): 4 recomendações | Retorno em julho: -0,50%
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Ações internacionais: big techs seguem em foco
Apesar da decepção no primeiro semestre, as grandes empresas de tecnologia dos EUA divulgaram resultados positivos no segundo trimestre de 2025, animando os investidores. Microsoft (MSFT34) ultrapassou a marca de US$ 4 trilhões em valor de mercado após apresentar lucro acima do esperado. Meta (M1TA34) registrou aumento de 22% na receita anual e Alphabet (GOGL34) viu suas ações valorizarem.
Recomendação de corretoras
As big techs dominam as carteiras recomendadas para ações internacionais e BDRs, com Microsoft e Amazon liderando, ambas com cinco indicações. Para a Toro Investimentos, a Microsoft se destaca pelo amplo portfólio e elevada fidelização da marca, enquanto a Amazon brilha pela sua forte presença global e liderança de mercado nos EUA.
Ranking das ações internacionais mais recomendadas
- Microsoft (MSFT34): 5 recomendações | Retorno em julho: 7,60%
- Amazon (AMZO34): 5 recomendações | Retorno em julho: -3%
- Alphabet (GOGL34): 4 recomendações | Retorno em julho: 9%
- Meta (M1TA34): 3 recomendações | Retorno em julho: 5,69%
- JPMorgan (JPMC34): 3 recomendações | Retorno em julho: -0,40%
- Nvidia (NVDC34): 3 recomendações | Retorno em julho: 12%
Renda fixa internacional: Treasuries americanos atraem

No mercado de renda fixa externo, os títulos do Tesouro americano continuam sendo destaque, pagando rendimento de 4,20% ao ano, um nível historicamente elevado, o que torna essa opção atrativa para investidores que buscam retorno passivo em dólar, mesmo diante do cenário global de incertezas.
Considerações finais
O tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros eleva as tensões nos mercados, aumentando a volatilidade e a aversão ao risco, o que se traduz em ajustes tanto na renda fixa quanto no mercado acionário. Enquanto investidores locais reavaliam suas posições, as big techs internacionais mostram sinais de força, criando um cenário híbrido de oportunidades e desafios.
Para os investidores, a principal recomendação é observar o perfil de risco, diversificar adequadamente e manter atenção às mudanças políticas e econômicas, tanto domésticas quanto internacionais, que podem impactar diretamente seus retornos.
