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Tarifaço provoca forte recuo nos preços da carne, café e laranja no Brasil

Mesmo antes de vigorar, tarifas dos EUA já afetam exportações brasileiras. Carne, café e laranja registram queda de preços no Brasil.

Luiza NiewinskiPor Luiza Niewinski5 min de leitura
Tarifaço

Mesmo antes da entrada em vigor das novas tarifas de importação anunciadas pelos Estados Unidos, os reflexos da medida já são sentidos no mercado brasileiro. Os principais produtos exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano, como carne, café e laranja, apresentaram queda expressiva de preços nas últimas semanas. A reação dos atacadistas e exportadores é marcada por cautela, incertezas e preocupação com o futuro das relações comerciais.

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Efeitos antecipados das tarifas

US Chamber of Commerce tarifaço
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

O anúncio das novas tarifas, que elevam de 10% para 50% a alíquota de importação de determinados produtos brasileiros, só passa a valer a partir de 1º de agosto. No entanto, as expectativas negativas do mercado já vêm influenciando o comportamento dos preços no Brasil, indo na contramão da tendência observada nos Estados Unidos, onde os mesmos itens apresentaram alta no índice de preços ao consumidor.

Carne bovina tem maior queda entre as commodities

Entre os produtos mais impactados, a carne bovina lidera o recuo nos preços. Segundo dados do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o valor da arroba do boi gordo, em dólares, caiu 8,05% apenas em julho. O índice CEPEA para exportação da carne bovina recuou de cerca de US$ 58 para US$ 53,20 no fechamento de ontem, 23 de julho.

Setor teme redução da produção

A queda nos preços preocupa o setor de carnes, que já sinaliza desaceleração na produção para evitar excesso de oferta sem demanda externa garantida. “O setor não tem por que produzir sem ter para quem entregar”, afirmou o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), refletindo o clima de apreensão entre produtores e exportadores.

Queda também atinge laranja e café

Além da carne, outras commodities brasileiras tradicionais no mercado norte-americano também estão em queda. A laranja, cuja caixa de 40,8 kg é negociada para o processamento da fruta, teve redução de 5% no valor em dólar. O preço caiu de US$ 8 para US$ 7,60 no mesmo período, afetando diretamente a cadeia citrícola.

Café sente instabilidade com cenário global

O café arábica, variedade mais consumida nos EUA e principal item exportado pelo Brasil nesse setor, também registrou recuo. Até o dia 23 de julho, a queda acumulada do arábica foi de 4,18%, enquanto o café robusta apresentou um tombo ainda maior: 11,41% no mês.

“O anúncio das tarifas aumentou a instabilidade no mercado global de café. Isso afeta o Brasil, líder nas exportações, e pressiona as cotações internacionais”, aponta relatório do CEPEA.

Concorrência favorecida pelas tarifas

O impacto das tarifas também tem efeito sobre a competitividade brasileira. Enquanto o Brasil será penalizado com uma tarifa de 50% a partir de agosto, países concorrentes como a Colômbia continuarão isentos. A Colômbia responde por 20% das exportações de café para os EUA, enquanto o Brasil abastece cerca de um terço do mercado norte-americano.

Já o Vietnã, grande exportador de robusta, enfrenta tarifa de 20%, ainda inferior ao novo patamar imposto ao Brasil. Essa diferença tarifária pode alterar o equilíbrio global do setor, prejudicando a posição brasileira nas exportações.

Preços sobem nos EUA antes da tarifa

Enquanto os preços caem no Brasil, os consumidores americanos já sentem o contrário. Segundo dados recentes do CPI (Consumer Price Index), os três principais produtos brasileiros exportados tiveram aumento nos Estados Unidos em junho — mesmo antes do início da vigência das tarifas.

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Carne: “o novo ovo” da inflação americana

A carne moída, por exemplo, subiu 1,4% em junho, acumulando alta de 9% no ano. Analistas do mercado norte-americano consideram que a carne pode se tornar o “novo ovo” da inflação, já que os preços da proteína avícola explodiram nos últimos meses por conta da gripe aviária.

A laranja também teve aumento de 4,4% em junho em comparação com maio. O café, por sua vez, ficou 2,2% mais caro ao consumidor americano, mostrando uma tendência de elevação nos preços ao consumidor que pode se intensificar com a entrada em vigor das tarifas contra o Brasil.

Incertezas à frente para exportadores brasileiros

EXPORTAÇÃO
Imagem: EyeEm – Freepik

Com a aproximação da data de início das tarifas, o cenário é de insegurança para os exportadores brasileiros. A perda de competitividade em relação a concorrentes isentos de taxação e o risco de retração nas encomendas americanas já começam a pressionar decisões estratégicas de produção, contratos futuros e investimentos no setor agroexportador.

A preocupação se estende ao governo federal, que sinalizou que ações de apoio às empresas afetadas serão pontuais. A avaliação da equipe econômica é de que medidas estruturais dependerão do impacto real observado após o início da tarifação.

Brasil pode perder protagonismo no mercado americano

A depender da duração e extensão dos efeitos das novas tarifas, o Brasil pode ver sua participação nas exportações para os Estados Unidos encolher em diversos segmentos. Isso afeta diretamente o agronegócio brasileiro, um dos pilares da balança comercial do país.

A necessidade de diversificação de mercados e o fortalecimento de acordos bilaterais fora do eixo EUA–Brasil ganham força como alternativas estratégicas. Ainda assim, o impacto imediato nas cadeias produtivas e nas receitas das exportações será inevitável.

Luiza Niewinski

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Luiza Niewinski

Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.

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