A cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 pode estar com os dias contados. De acordo com informações divulgadas pela revista Veja, integrantes do governo federal discutem internamente a possibilidade de revogar o tributo criado em 2024, medida que vem gerando debate no Congresso, entre setores da economia e entre consumidores.
‘Taxa das blusinhas’ pode ser cancelada pelo governo, afirma publicação
Governo federal estuda a possibilidade de revogar a taxa das blusinhas, imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
A eventual revogação, porém, ainda é tratada como especulação, já que não houve manifestação oficial do Palácio do Planalto. Mesmo assim, a discussão vem ganhando força e reacendendo polêmicas sobre o equilíbrio entre arrecadação, comércio internacional, competitividade das empresas nacionais e o impacto político que a taxação pode provocar.
Discussões internas no governo
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Segundo a Veja, integrantes da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom-PR) estão entre os principais defensores da revogação. A motivação não seria apenas econômica, mas também estratégica.
Impacto político nas eleições de 2026
- A retirada da taxa poderia impulsionar a popularidade do presidente Lula;
- O governo se anteciparia a eventuais avanços de projetos no Congresso que buscam extinguir a cobrança;
- A medida reduziria desgastes em um tema altamente impopular entre consumidores de plataformas internacionais.
Competição com o Congresso
Nos últimos meses, parlamentares apresentaram projetos de lei e requerimentos para derrubar a taxação. Alguns deles ganharam grande repercussão nas redes sociais e se tornaram bandeiras políticas.
Se o governo revogar a taxa por conta própria, esvaziaria a pauta no Legislativo e preservaria protagonismo no tema.
Fim da taxa de 20% — mas não de todos os tributos
A revogação trataria exclusivamente do Imposto de Importação de 20%, cobrado sobre compras de até US$ 50.
O que continuaria sendo cobrado
- ICMS (17% a 20%): tributo estadual dentro do programa Remessa Conforme;
- Imposto de Importação de 60%: mantido para compras acima de US$ 50.
Por que o ICMS não seria afetado
O ICMS é uma competência estadual e faz parte do acordo firmado entre governadores e o governo federal para regulamentar a entrada de marketplaces estrangeiros no país. Portanto, mesmo que a taxa das blusinhas acabe, esse imposto continuará sendo cobrado.
Redução nas compras internacionais em 2024
A implantação da taxa causou queda significativa no volume de pedidos de pequeno valor feitos por consumidores brasileiros em plataformas internacionais.
Motivos para a queda
- A cobrança adicional tornou algumas compras menos vantajosas;
- A fiscalização passou a ser mais rígida;
- As plataformas precisaram adaptar a logística e os sistemas para cumprir o Remessa Conforme.
Apesar da queda, algumas empresas mantiveram crescimento no país, impulsionadas pela estrutura logística instalada recentemente — o que torna as discussões sobre o fim da taxa ainda mais complexas.
Impacto no comércio nacional
Empresários brasileiros dos segmentos têxtil, de calçados e de moda já se posicionaram contra o fim da taxa. O argumento é que as plataformas internacionais têm escala e custo muito inferiores às empresas nacionais, tornando a concorrência desleal.
Visão do deputado Zé Neto (PT-BA)
O parlamentar afirmou que:
- As plataformas internacionais construíram estruturas robustas no Brasil com a implantação da taxa de 20%;
- A retirada do imposto poderia desequilibrar a relação competitiva;
- Pequenas e médias empresas brasileiras seriam as mais prejudicadas.
Risco de fechamento de negócios
Para entidades do varejo, o fim da taxação pode levar ao:
- Enfraquecimento do setor produtivo nacional;
- Demissões em massa em fábricas de calçados e vestuário;
- Redução da arrecadação tributária nacional.
Por que as plataformas estrangeiras podem não apoiar a revogação
Embora a revogação favoreça o consumidor e aumente a demanda por compras internacionais, algumas plataformas estrangeiras teriam receio da mudança.
Motivos
- O Remessa Conforme organizou a logística e proporcionou previsibilidade aos marketplaces;
- A taxa de 20% foi incorporada ao modelo de negócios e precificação;
- Uma mudança repentina poderia desestabilizar contratos, sistemas e operações já consolidadas.
Assim, mesmo com queda momentânea nas importações, muitos marketplaces preferem um ambiente regulatório estável — e não novas alterações tributárias.
O que esperar?
Sem manifestação oficial, o cenário permanece incerto. Entretanto:
Cenário 1 — Governo revoga a taxa
- Consumidores voltam a comprar produtos internacionais de até US$ 50 pagando apenas ICMS;
- A medida pode se tornar um trunfo político eleitoral;
- Setores brasileiros reclamam de concorrência externa.
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Cenário 2 — Congresso derruba a taxa
- O governo perde protagonismo;
- A revogação vira pauta parlamentar, gerando disputas políticas;
- A aprovação pode demorar mais.
Cenário 3 — Nada muda
- A taxa permanece valendo;
- O governo usa o tema como moeda de negociação política;
- As plataformas mantêm a operação atual.
Por enquanto, nenhum dos cenários é definitivo.
FAQ – Perguntas frequentes
1. A taxa das blusinhas vai realmente acabar?
Ainda não. Há discussões internas no governo, mas nenhuma decisão oficial foi anunciada.
2. A revogação afetaria o ICMS cobrado nas compras internacionais?
Não. O ICMS é estadual e continuaria sendo cobrado, com alíquota entre 17% e 20%.
3. O imposto de 60% sobre compras acima de US$ 50 deixa de existir?
Não. Esse imposto federal segue valendo normalmente.
4. Por que o governo avalia revogar a taxa agora?
A revogação poderia fortalecer a popularidade do presidente e evitar que o Congresso liderasse a derrubada da cobrança.
5. Empresas brasileiras seriam afetadas?
Sim. Setores como o têxtil e o calçadista afirmam que o fim da taxa aumentaria a concorrência com plataformas estrangeiras e poderia prejudicar pequenos negócios.
Considerações finais
A possibilidade de revogação da taxa das blusinhas reacende a disputa entre interesses políticos, econômicos e sociais. De um lado, consumidores pedem menos tributação sobre compras internacionais. De outro, setores produtivos brasileiros alertam para os riscos de uma concorrência desequilibrada. No centro disso tudo, o governo pondera impactos eleitorais e fiscais, enquanto o Congresso pressiona por protagonismo na decisão.
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