Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

‘Taxa das blusinhas’ pode ser cancelada pelo governo, afirma publicação

Governo federal estuda a possibilidade de revogar a taxa das blusinhas, imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Celulares

A cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 pode estar com os dias contados. De acordo com informações divulgadas pela revista Veja, integrantes do governo federal discutem internamente a possibilidade de revogar o tributo criado em 2024, medida que vem gerando debate no Congresso, entre setores da economia e entre consumidores.

A eventual revogação, porém, ainda é tratada como especulação, já que não houve manifestação oficial do Palácio do Planalto. Mesmo assim, a discussão vem ganhando força e reacendendo polêmicas sobre o equilíbrio entre arrecadação, comércio internacional, competitividade das empresas nacionais e o impacto político que a taxação pode provocar.

Discussões internas no governo

Leia mais: 13º salário cai no mesmo dia da Black Friday; entenda o que esperar das compras

Segundo a Veja, integrantes da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom-PR) estão entre os principais defensores da revogação. A motivação não seria apenas econômica, mas também estratégica.

Impacto político nas eleições de 2026

  • A retirada da taxa poderia impulsionar a popularidade do presidente Lula;
  • O governo se anteciparia a eventuais avanços de projetos no Congresso que buscam extinguir a cobrança;
  • A medida reduziria desgastes em um tema altamente impopular entre consumidores de plataformas internacionais.

Competição com o Congresso

Nos últimos meses, parlamentares apresentaram projetos de lei e requerimentos para derrubar a taxação. Alguns deles ganharam grande repercussão nas redes sociais e se tornaram bandeiras políticas.

Se o governo revogar a taxa por conta própria, esvaziaria a pauta no Legislativo e preservaria protagonismo no tema.

Fim da taxa de 20% — mas não de todos os tributos

A revogação trataria exclusivamente do Imposto de Importação de 20%, cobrado sobre compras de até US$ 50.

O que continuaria sendo cobrado

  • ICMS (17% a 20%): tributo estadual dentro do programa Remessa Conforme;
  • Imposto de Importação de 60%: mantido para compras acima de US$ 50.

Por que o ICMS não seria afetado

O ICMS é uma competência estadual e faz parte do acordo firmado entre governadores e o governo federal para regulamentar a entrada de marketplaces estrangeiros no país. Portanto, mesmo que a taxa das blusinhas acabe, esse imposto continuará sendo cobrado.

Redução nas compras internacionais em 2024

A implantação da taxa causou queda significativa no volume de pedidos de pequeno valor feitos por consumidores brasileiros em plataformas internacionais.

Motivos para a queda

  • A cobrança adicional tornou algumas compras menos vantajosas;
  • A fiscalização passou a ser mais rígida;
  • As plataformas precisaram adaptar a logística e os sistemas para cumprir o Remessa Conforme.

Apesar da queda, algumas empresas mantiveram crescimento no país, impulsionadas pela estrutura logística instalada recentemente — o que torna as discussões sobre o fim da taxa ainda mais complexas.

Impacto no comércio nacional

Empresários brasileiros dos segmentos têxtil, de calçados e de moda já se posicionaram contra o fim da taxa. O argumento é que as plataformas internacionais têm escala e custo muito inferiores às empresas nacionais, tornando a concorrência desleal.

Visão do deputado Zé Neto (PT-BA)

O parlamentar afirmou que:

  • As plataformas internacionais construíram estruturas robustas no Brasil com a implantação da taxa de 20%;
  • A retirada do imposto poderia desequilibrar a relação competitiva;
  • Pequenas e médias empresas brasileiras seriam as mais prejudicadas.

Risco de fechamento de negócios

Para entidades do varejo, o fim da taxação pode levar ao:

  • Enfraquecimento do setor produtivo nacional;
  • Demissões em massa em fábricas de calçados e vestuário;
  • Redução da arrecadação tributária nacional.

Por que as plataformas estrangeiras podem não apoiar a revogação

Embora a revogação favoreça o consumidor e aumente a demanda por compras internacionais, algumas plataformas estrangeiras teriam receio da mudança.

Motivos

  • O Remessa Conforme organizou a logística e proporcionou previsibilidade aos marketplaces;
  • A taxa de 20% foi incorporada ao modelo de negócios e precificação;
  • Uma mudança repentina poderia desestabilizar contratos, sistemas e operações já consolidadas.

Assim, mesmo com queda momentânea nas importações, muitos marketplaces preferem um ambiente regulatório estável — e não novas alterações tributárias.

O que esperar?

Sem manifestação oficial, o cenário permanece incerto. Entretanto:

Cenário 1 — Governo revoga a taxa

  • Consumidores voltam a comprar produtos internacionais de até US$ 50 pagando apenas ICMS;
  • A medida pode se tornar um trunfo político eleitoral;
  • Setores brasileiros reclamam de concorrência externa.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Cenário 2 — Congresso derruba a taxa

  • O governo perde protagonismo;
  • A revogação vira pauta parlamentar, gerando disputas políticas;
  • A aprovação pode demorar mais.

Cenário 3 — Nada muda

  • A taxa permanece valendo;
  • O governo usa o tema como moeda de negociação política;
  • As plataformas mantêm a operação atual.

Por enquanto, nenhum dos cenários é definitivo.

FAQ – Perguntas frequentes

1. A taxa das blusinhas vai realmente acabar?

Ainda não. Há discussões internas no governo, mas nenhuma decisão oficial foi anunciada.

2. A revogação afetaria o ICMS cobrado nas compras internacionais?

Não. O ICMS é estadual e continuaria sendo cobrado, com alíquota entre 17% e 20%.

3. O imposto de 60% sobre compras acima de US$ 50 deixa de existir?

Não. Esse imposto federal segue valendo normalmente.

4. Por que o governo avalia revogar a taxa agora?

A revogação poderia fortalecer a popularidade do presidente e evitar que o Congresso liderasse a derrubada da cobrança.

5. Empresas brasileiras seriam afetadas?

Sim. Setores como o têxtil e o calçadista afirmam que o fim da taxa aumentaria a concorrência com plataformas estrangeiras e poderia prejudicar pequenos negócios.

Considerações finais

A possibilidade de revogação da taxa das blusinhas reacende a disputa entre interesses políticos, econômicos e sociais. De um lado, consumidores pedem menos tributação sobre compras internacionais. De outro, setores produtivos brasileiros alertam para os riscos de uma concorrência desequilibrada. No centro disso tudo, o governo pondera impactos eleitorais e fiscais, enquanto o Congresso pressiona por protagonismo na decisão.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

Topicos relacionados