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Taxa do Ibirapuera suspensa: justiça derruba cobrança de assessoria esportiva; entenda o que muda para treinar

Avatar de Gisele Barbosa Gisele Barbosa · · 8 min de leitura
taxa

Decisão altera rotina das atividades esportivas no coração de São Paulo

Uma decisão judicial tomada nesta quarta-feira, 20 de novembro de 2025, suspendeu a cobrança de uma taxa imposta às assessorias esportivas que atuam no Parque Ibirapuera. O caso, que vinha gerando repercussão entre treinadores, atletas amadores e frequentadores do parque, reabre o debate sobre quais limites concessionárias privadas podem estabelecer em espaços públicos e até onde vai o direito de exploração comercial em uma área que pertence à cidade.

A determinação impede que a empresa responsável pela gestão do Ibirapuera continue exigindo pagamento das assessorias de corrida, ciclismo, treinamento funcional e demais modalidades que utilizam o local para aulas e treinos. A cobrança vinha sendo aplicada desde o início do segundo semestre e incluía mensalidades, cadastramentos obrigatórios e regras específicas de uso do espaço.

A suspensão produz efeitos imediatos. Grupos esportivos retomam as atividades sem custos adicionais e deixam de correr o risco de serem advertidos ou removidos por ausência de pagamento. Para muitos profissionais autônomos, a decisão representa um alívio financeiro e jurídico.

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Como surgiu a cobrança contestada pela Justiça

Implementação da taxa pela concessionária

A concessionária que administra o Ibirapuera havia criado uma taxa destinada a regularizar a atuação de assessorias esportivas dentro do parque. A medida envolvia:

  • pagamento mensal obrigatório
  • cadastramento prévio das empresas
  • regras de horário e delimitação de áreas
  • possibilidade de sanções em caso de descumprimento

Segundo a gestão do parque, a taxa buscava ordenar o uso do espaço e evitar ocupação excessiva de determinadas áreas. A empresa argumentava que as assessorias utilizam o parque para fins lucrativos e, por isso, deveriam contribuir para manutenção e organização.

Reação imediata das assessorias e treinadores

O anúncio da taxa provocou forte reação entre profissionais do esporte. Muitos afirmaram que a cobrança restringia o acesso ao parque, que é um bem público de uso comum. Treinadores autônomos alegaram que o valor adicional poderia inviabilizar suas atividades, especialmente para quem trabalha com grupos pequenos ou atende alunos de baixa renda.

Além disso, frequentadores regulares do parque relataram preocupação com a possibilidade de impactos negativos sobre a prática esportiva, que já é uma das marcas mais presentes na rotina do Ibirapuera.

Ação judicial apresentada por profissionais

Com a manutenção da cobrança, um grupo de treinadores entrou com ação na Justiça pedindo a suspensão da taxa. O pedido argumentava que a concessionária não poderia criar, sozinha, uma cobrança obrigatória em espaço público, sem respaldo em legislação municipal ou estadual.

A Justiça acatou o pedido, concedendo liminar que paralisa a cobrança até que o tema seja avaliado de forma definitiva.

O que diz a decisão judicial

Pontos centrais da sentença

A Justiça entendeu que a cobrança poderia desrespeitar o princípio constitucional do uso livre de bens públicos de uso comum. O parque, mesmo sob administração privada, continua sendo patrimônio da cidade e deve permanecer acessível à população sem barreiras econômicas que não estejam previstas em lei.

A decisão determina que:

  • a taxa está suspensa imediatamente
  • assessorias podem atuar sem exigir qualquer pagamento
  • treinadores não podem ser restringidos por falta de adesão ao cadastro
  • não pode haver cobrança retroativa caso a taxa seja posteriormente validada

Base jurídica utilizada

O entendimento do juiz se fundamentou em três eixos principais:

  1. Bens públicos de uso comum não podem ter acesso condicionado ao pagamento, salvo em situações excepcionalmente definidas por lei.
  2. A concessionária não possui competência para instituir taxa ou preço público sem aprovação do município.
  3. A atividade esportiva possui relevância social, especialmente em parques públicos, onde é incentivada por políticas de saúde e bem-estar.

Necessidade de legislação municipal

A sentença reforça que cobranças relacionadas ao uso de espaços públicos destinados a atividades esportivas só podem ocorrer se estiverem previstas em lei municipal específica. Sem regulamentação clara, a concessionária não pode impor valores.

Consequências da suspensão para assessorias esportivas

Alívio para os profissionais que dependem do parque

Treinadores e empresas de assessoria esportiva afirmaram que a taxação colocava em risco a continuidade dos treinos no Ibirapuera. Para muitos autônomos, a taxa mensal comprometeria a renda ou exigiria reajuste nas mensalidades cobradas aos alunos.

Com a suspensão, esses profissionais retomam segurança jurídica e preservam o acesso a um dos espaços mais procurados por atletas amadores.

Benefícios diretos para alunos e frequentadores

Boa parte dos alunos atendidos por assessorias utiliza o parque como alternativa econômica para manter a saúde em dia. A cobrança poderia:

  • aumentar mensalidades
  • reduzir a oferta de treinos
  • desestimular a prática esportiva no parque
  • afetar iniciativas de inclusão social via esporte

A suspensão evita esse impacto e preserva a tradição esportiva do local.

Manutenção das práticas e estruturas esportivas

As assessorias continuam autorizadas a usar estruturas simples, como cones, garrafas de hidratação e pequenos pontos de apoio. Desde que não bloqueiem espaços e respeitem normas de convivência, podem ocupar as áreas habituais do parque.

O parque Ibirapuera e seu histórico esportivo

Um dos principais polos esportivos do país

O Parque Ibirapuera é referência nacional para práticas esportivas ao ar livre. Diariamente, recebe grupos de:

  • corrida
  • caminhada
  • ciclismo
  • treino funcional
  • yoga
  • alongamento

Por isso, qualquer mudança relacionada ao uso esportivo do parque tem repercussão ampla.

Debates sobre concessão e mudanças no parque

Desde que passou à gestão privada, o Ibirapuera passou por transformações significativas, incluindo:

  • ampliação de áreas comerciais
  • realização de eventos fechados
  • mudanças em ciclovias internas
  • novos critérios de ocupação

A taxa cobrada das assessorias tornou-se um dos temas mais sensíveis, por afetar diretamente o uso cotidiano do parque por atletas e moradores.

A posição da concessionária e da Prefeitura

Argumentos da empresa administradora

A concessionária afirma que:

  • a cobrança ajuda a organizar o espaço
  • assessorias ocupam áreas amplas para fins comerciais
  • é preciso regular o fluxo de pessoas em horários de pico
  • parte das receitas seria destinada à manutenção do parque

Posicionamento da Prefeitura de São Paulo

A Prefeitura reconhece que o uso livre do parque é um direito dos cidadãos e que qualquer cobrança deve estar expressamente prevista em lei. O município acompanha o processo e deve avaliar, no futuro, possíveis ajustes no contrato de concessão.

Possibilidade de revisão contratual

Com a repercussão da suspensão, especialistas apontam que o contrato entre Prefeitura e concessionária pode ser revisado para:

  • esclarecer possibilidades de cobrança
  • garantir proteção ao uso esportivo
  • definir regras transparentes para ocupações comerciais

O que pode acontecer daqui para frente

A taxa pode ser proibida de forma definitiva

Se a Justiça concluir que houve violação de princípios constitucionais ou falta de base legal, a cobrança será extinta permanentemente.

O município pode regulamentar a cobrança

A Prefeitura poderá aprovar lei específica criando regras claras para cobrança de taxas por uso comercial de espaços públicos, desde que preservado o acesso à população geral.

Pode haver acordo entre as partes

Um entendimento coletivo entre profissionais, concessionária e poder público pode estabelecer critérios não financeiros para uso das áreas esportivas ou criar valores simbólicos.

Audiências públicas podem influenciar a decisão final

Por envolver um parque histórico e muito frequentado, a decisão deve envolver participação de:

  • treinadores
  • moradores
  • atletas
  • conselhos municipais
  • organizações de esporte e lazer

Como fica a prática esportiva no parque até nova decisão

Acesso totalmente liberado para assessorias

Todos os grupos de treinamento podem seguir atuando, inclusive:

  • corridas
  • treinos funcionais
  • avaliações físicas
  • treinos intervalados

Não há exigência de cadastro ou comprovação de pagamento.

Estruturas esportivas seguem permitidas

Desde que não prejudiquem o fluxo de visitantes, as assessorias podem continuar usando:

  • cones
  • faixas
  • suportes de água
  • pequenas tendas

A concessionária permanece fiscalizando organização e segurança

A gestão do parque mantém o direito de ordenar o uso das áreas, garantindo que treinos não gerem bloqueios ou riscos a outros frequentadores. O que está proibido é cobrar taxas ou restringir acesso por motivos financeiros.

Considerações finais

A suspensão da taxa para assessorias esportivas no Parque Ibirapuera é uma decisão que transcende a discussão sobre cobranças. Ela toca diretamente temas como acesso democrático ao esporte, uso de bens públicos e limites da concessão privada. A Justiça reforça que o Ibirapuera continua sendo espaço de todos e que decisões que afetam sua vocação histórica devem ser amplamente debatidas.

Para treinadores, alunos e frequentadores, a medida representa garantia de continuidade das atividades sem custos adicionais. Para o governo e a concessionária, abre espaço para reavaliar práticas e buscar soluções equilibradas.

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