O governo federal apresentou no domingo, 8 de junho de 2025, uma série de medidas com forte impacto fiscal e regulatório, entre elas a proposta de tributar investimentos atualmente isentos de Imposto de Renda, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA). A medida está prevista para entrar em vigor em 2026, respeitando o princípio da anualidade, e tem gerado reações intensas de investidores, do setor agropecuário e de especialistas financeiros.
LCI e LCA vão perder isenção? Governo anuncia taxa de IR de 5%, confira os detalhes
Medida provisória propõe cobrar 5% de IR sobre rendimentos de LCI, LCA e outros investimentos antes isentos. Mudança vale a partir de 2026.
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Medida provisória e as mudanças propostas
Segundo o Ministério da Fazenda, uma medida provisória (MP) será encaminhada ao Congresso Nacional propondo a incidência de Imposto de Renda na fonte de 5% sobre os rendimentos desses investimentos. A proposta inclui diversos papéis que até então eram isentos de tributação, como:
- Letras de Crédito Imobiliário (LCI)
- Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)
- Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI)
- Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA)
- Debêntures incentivadas
- Fundos de Investimento Imobiliário (FII)
- Fundos Fiagro
- Letras Hipotecárias
- Cédulas de Produto Rural (CPR)
- Certificados de Depósito Agropecuário (CDA)
- Letras Imobiliárias Garantidas (LIG)
- Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCD)
A alíquota de 5% será aplicada apenas sobre as novas emissões desses ativos, o que significa que o estoque atual permanecerá isento, conforme apurou o jornal Valor Econômico.
Justificativa do governo: “correção de distorções”
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a mudança busca corrigir distorções no mercado de títulos e valores mobiliários. Segundo ele, a isenção total desses papéis gerava desequilíbrios na captação de recursos e favorecia alguns investidores de forma desproporcional.
“Os títulos deixarão de ser isentos, mas continuarão bastante incentivados. A isenção criava distorções, inclusive na rolagem da dívida pública. A diferença de zero, como é hoje, para 17,5% de outros títulos, vai ser reduzida. Vai ser 5%”, declarou Haddad.
Na prática, o governo pretende equilibrar a tributação entre diferentes instrumentos de renda fixa, ao mesmo tempo em que mantém o atrativo desses papéis por meio de uma alíquota inferior à aplicada a outros investimentos, como CDBs e fundos comuns.
Impacto nos investimentos e na arrecadação
LCI e LCA: os queridinhos da renda fixa
As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) têm se tornado populares entre os investidores brasileiros, sobretudo de classe média, por oferecerem rentabilidade elevada e isenção de IR. Emitidas por instituições financeiras, essas letras direcionam recursos ao setor imobiliário e ao agronegócio, áreas estratégicas para a economia nacional.
Com a proposta de taxação, especialistas apontam que pode haver migração de recursos para outros instrumentos, principalmente os isentos ou com maior liquidez. A LCA, por exemplo, representa uma das principais formas de financiamento do agronegócio via mercado de capitais, setor que já demonstra resistência à medida.
Fundos imobiliários e Fiagro também entram na mira

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) e os Fundos nas Cadeias Agroindustriais (Fiagro) negociados em bolsa também perderão a isenção, embora os ganhos líquidos obtidos na negociação continuem isentos. A medida pode comprometer a atratividade desses fundos para investidores pessoa física, que têm impulsionado o crescimento desse mercado nos últimos anos.
Quem ganha e quem perde
Potenciais efeitos positivos para o governo
Com a medida, o governo espera aumentar a arrecadação sem impactar fortemente o mercado — já que a alíquota proposta é considerada moderada. A mudança também busca eliminar distorções tributárias, tornando o sistema mais neutro e justo.
Outra vantagem apontada pela equipe econômica é que a alteração reduz a vantagem excessiva que esses títulos tinham em relação a outros investimentos, o que dificultava a gestão da dívida pública e distorcia a alocação de recursos no mercado.
Setores em alerta: agro e imobiliário
Por outro lado, representantes do agronegócio e do setor imobiliário avaliam que a medida pode gerar desincentivos ao financiamento privado, encarecendo o custo do crédito e diminuindo a atratividade dos papéis emitidos para financiar essas atividades.
Segundo nota da LCA Consultores, a taxação pode afetar negativamente o crédito rural e o financiamento habitacional, exigindo compensações ou incentivos adicionais para manter o fluxo de capital.
O que muda na prática para o investidor?
A partir de quando a cobrança valerá?
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Conforme o princípio da anualidade do Imposto de Renda, qualquer mudança na tributação só pode produzir efeitos a partir do ano seguinte ao da publicação da norma. Como a medida será apresentada em 2025, a cobrança de IR só poderá entrar em vigor em 2026.
Como ficam os títulos já adquiridos?
De acordo com as informações divulgadas, os títulos já adquiridos continuarão isentos, ou seja, a nova regra não será retroativa. Apenas novas aplicações a partir de 2026 serão tributadas.
Vale a pena continuar investindo em LCI e LCA?
Especialistas apontam que, mesmo com a tributação de 5%, as LCIs e LCAs ainda poderão oferecer rentabilidades atrativas, especialmente quando comparadas a CDBs e fundos que possuem alíquotas maiores de IR (de 15% a 22,5%).
Além disso, o baixo risco e a simplicidade desses investimentos continuam sendo atrativos para perfis conservadores.
Reações do mercado e próximos passos

Expectativa de resistência no Congresso
A medida provisória deve enfrentar resistência no Congresso Nacional, especialmente de parlamentares ligados ao agronegócio e ao setor imobiliário. A tramitação da proposta será acompanhada de perto por entidades representativas e grandes instituições financeiras.
Posicionamento da Fazenda
O Ministério da Fazenda reforça que a medida não visa prejudicar investidores nem setores produtivos, mas corrigir um modelo considerado distorcido. A equipe econômica defende que a alíquota de 5% mantém os incentivos ao investimento, sem a total isenção que criava desigualdades.
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