Cresce o apoio à taxação dos ricos como solução para a desigualdade
A desigualdade social no Brasil sempre foi um tema central nos debates políticos e econômicos. Em 2025, o debate sobre justiça tributária voltou ao centro das atenções, impulsionado por dados reveladores da nova pesquisa Genial/Quaest.
Sendo assim, esta mostra um claro apoio da população brasileira à taxação dos mais ricos como forma de reduzir as desigualdades e aliviar a carga tributária sobre os mais pobres. Acompanhe a leitura deste artigo a seguir para compreender um pouco mais sobre o apoio à taxação.
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Principais resultados
Realizada com 2.004 pessoas em todo o país, a pesquisa revelou que:
- 63% dos brasileiros são a favor de que os ricos paguem mais impostos.
- 60% defendem a taxação dos super-ricos como medida de justiça fiscal.
- 75% apoiam a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, um tema em discussão no Congresso Nacional.
- 53% desaprovam o discurso de “ricos contra pobres”, considerando-o divisivo.
- 38% veem esse discurso como válido, pois “chama atenção para os privilégios”.
- 59% não se sentem representados pela atual agenda econômica do governo.
Percepção da população sobre justiça tributária
Apesar do apoio às medidas que buscam mais equilíbrio na carga tributária, 56% dos entrevistados afirmam desconhecer o conceito de justiça tributária promovido pelo governo. Esse dado evidencia um desafio de comunicação por parte do Executivo ao tentar explicar suas propostas de reforma.
Desigualdade no centro da política fiscal
Um país com concentração de renda extrema
Segundo dados da Receita Federal e estudos do IBGE, os 10% mais ricos no Brasil concentram cerca de 43% da renda total do país, enquanto os 50% mais pobres ficam com menos de 15%.
Essa disparidade se reflete em um sistema tributário que, historicamente, penaliza mais o consumo do que a renda, afetando proporcionalmente mais os mais pobres.
Proposta de taxar os super-ricos
A taxação dos super-ricos vem sendo defendida como uma ferramenta eficaz para reduzir desigualdades. Ela pode envolver medidas como:
- Tributação de grandes fortunas;
- Revisão de isenções fiscais em lucros e dividendos;
- Impostos progressivos sobre patrimônio e herança;
- Aumento na alíquota efetiva dos mais ricos.
Reforma tributária: onde estamos?
Andamento no Congresso
A reforma tributária avançou no Congresso Nacional em 2023 e 2024, focando inicialmente em unificar tributos sobre consumo. Agora, em 2025, o foco está nas propostas de tributação sobre renda e patrimônio, com destaque para:
- A ampliação da faixa de isenção do IRPF;
- A criação de um imposto sobre grandes fortunas (IGF);
- A cobrança de tributos sobre lucros e dividendos, hoje isentos.
Essas propostas têm dividido opiniões, mas o novo levantamento mostra que há sintonia entre a população e parte das pautas da reforma — mesmo que ainda haja resistência quanto à narrativa adotada pelo governo.
Discurso do governo: entre apoio e rejeição
Enquanto a maioria concorda com o conteúdo das propostas, o discurso que contrapõe ricos e pobres desagrada a mais da metade dos entrevistados (53%). Esse dado sugere que o governo precisa reformular sua comunicação para evitar a polarização e aumentar a adesão popular.
Desinformação e bolhas digitais
A pesquisa também mostra que grande parte da população está alheia às discussões digitais sobre o tema. Por exemplo:
- 83% não conhecem os vídeos com inteligência artificial que atacam o Congresso;
- 72% não viram críticas ao deputado Hugo Motta.
Isso indica que a percepção popular ainda é construída mais por meios tradicionais do que pelas redes sociais — ao contrário do que sugerem as bolhas digitais mais engajadas.
Caminhos para um sistema mais justo
Alternativas para o financiamento do Estado
Um sistema mais equilibrado pode ser construído com base em:
Progressividade na tributação
O princípio da progressividade é simples: quem ganha mais, paga mais. Na prática, isso se traduz em:
- Alíquotas maiores para altas rendas;
- Redução de tributos indiretos sobre o consumo;
- Revisão de incentivos fiscais.
Transparência e combate à sonegação
De nada adianta elevar impostos sobre os ricos se não houver mecanismos eficazes de fiscalização e cobrança. Estima-se que o Brasil perde mais de R$ 600 bilhões por ano com sonegação.
Redirecionamento de gastos
Mais do que arrecadar, é preciso aplicar os recursos públicos de forma eficiente, priorizando:
- Educação de base;
- Saúde pública;
- Programas de transferência de renda;
- Investimentos em infraestrutura nas periferias.
Desafio da representatividade
Mesmo com apoio às medidas propostas, a maioria dos brasileiros não se sente representada pela atual agenda econômica do governo. Esse dado pode estar relacionado à forma como o Executivo comunica suas ações, mais do que ao conteúdo das políticas em si.
O que pensam os especialistas?
Economistas de diferentes matizes ideológicas reconhecem que o Brasil precisa reformar seu sistema tributário para ser mais justo. Bernard Appy, secretário especial da reforma tributária, tem reiterado que a simplificação e a progressividade são os pilares centrais da proposta do governo.
Já especialistas como Lena Lavinas, da UFRJ, defendem que a taxação dos super-ricos é essencial para a redistribuição da riqueza, mas que isso deve ser feito sem comprometer o crescimento econômico ou a geração de empregos.
Conclusão: o país quer mudanças, mas sem antagonismos
Os dados revelados pela pesquisa Genial/Quaest apontam para uma clara demanda popular por mais justiça tributária, mas também para um desejo de que isso seja feito sem promover ainda mais divisões na sociedade. A maior parte dos brasileiros quer:
- Redução da carga tributária para os mais pobres;
- Maior contribuição por parte dos ricos;
- Uma comunicação que una, e não divida.
Para que a reforma seja bem-sucedida, será essencial equilibrar técnica e sensibilidade política — com atenção à percepção popular e compromisso com um Brasil mais justo.
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