Nos últimos meses de 2025, o mercado de delivery no Brasil passou por uma transformação intensa, marcada por uma disputa cada vez mais acirrada entre grandes plataformas de entrega. O retorno da 99 Food ao país, somado à presença consolidada do iFood e à expansão da chinesa Keeta, elevou a concorrência e trouxe uma enxurrada de cupons, promoções e promessas de entrega gratuita.
No entanto, por trás dos descontos chamativos, consumidores têm percebido a inclusão de novas taxas que impactam diretamente o valor final dos pedidos.
A chamada “guerra do delivery” não se limita apenas à disputa por restaurantes parceiros ou motoristas entregadores. O foco central passou a ser o consumidor, que hoje compara preços, taxas e benefícios antes de finalizar uma compra. Nesse cenário, cobranças adicionais, como taxas de serviço, ganharam destaque e passaram a ser questionadas por usuários que, muitas vezes, só percebem esses valores na etapa final do pedido.
Leia mais:
FGTS 2026: saque-aniversário começa a cair; veja quem pode sacar!
O que é a taxa de serviço base da 99 Food
Com o retorno ao Brasil após encerrar suas operações em 2023, a 99 Food adotou uma estratégia agressiva para recuperar espaço no mercado. A empresa passou a oferecer cupons generosos, descontos progressivos e benefícios que, à primeira vista, tornavam seus preços mais competitivos do que os dos concorrentes.
No entanto, ao avançar para a finalização da compra, muitos consumidores se deparam com a chamada “taxa de serviço base”. Essa cobrança aparece detalhada na seção “detalhes das taxas” e compõe o valor final do pedido, mesmo em situações em que o aplicativo destaca a entrega como gratuita.
Como a taxa é apresentada ao usuário
A taxa de serviço base não é exibida de forma isolada logo no início do pedido. Ela surge apenas no momento da confirmação da compra, quando o consumidor já escolheu o restaurante, os produtos e aplicou eventuais cupons de desconto. Segundo a própria descrição do aplicativo, trata-se de um valor cobrado “para os parceiros de entrega”.
Essa forma de apresentação tem gerado críticas, já que muitos usuários acreditam estar pagando apenas pelo valor dos produtos e, eventualmente, pela entrega. Ao perceber a cobrança adicional, parte dos consumidores questiona se o desconto inicial realmente compensa o custo final.
Falta de detalhamento gera questionamentos
Procurada para explicar como funciona a taxa de serviço base, a 99 Food não respondeu aos pedidos de esclarecimento até a publicação de reportagens sobre o tema. A ausência de informações mais claras levanta dúvidas sobre como o valor é calculado, se varia conforme a distância, o horário ou o tipo de restaurante, e qual percentual efetivamente chega ao entregador.
iFood amplia cobrança de taxa de serviço em 2025
Enquanto a 99 Food enfrenta questionamentos sobre a transparência de suas taxas, o iFood, líder absoluto do mercado brasileiro de delivery, adotou uma postura mais direta ao ampliar sua taxa de serviço. No início de 2025, a plataforma passou a cobrar R$ 0,99 em todas as entregas, independentemente do valor do pedido.
Antes dessa mudança, a taxa era aplicada apenas em compras de menor valor. Com a ampliação, todos os usuários passaram a pagar o valor fixo, o que aumentou o custo médio dos pedidos realizados pelo aplicativo.
Justificativa do iFood para a cobrança
Segundo o iFood, a taxa de serviço é destinada ao licenciamento do uso da plataforma e à cobertura de custos operacionais. Entre eles estão o desenvolvimento tecnológico, atualizações constantes do aplicativo, suporte ao usuário e manutenção da infraestrutura necessária para conectar restaurantes, entregadores e consumidores.
A empresa argumenta que, sem essa cobrança, seria inviável manter a qualidade do serviço e continuar investindo em melhorias que garantam uma boa experiência aos usuários.
Impacto no comportamento do consumidor
Mesmo sendo um valor relativamente baixo, a taxa de R$ 0,99 passou a ser somada a outros custos, como entrega, gorjeta e eventuais taxas dinâmicas em horários de pico. Para consumidores frequentes, o impacto acumulado ao longo do mês pode ser significativo, o que tem incentivado a busca por alternativas mais baratas ou promoções mais vantajosas.
Keeta aposta em discurso de experiência aprimorada
A Keeta, plataforma de origem chinesa que vem expandindo sua atuação no Brasil, também adotou a cobrança de taxa de serviço. Diferentemente do iFood, a empresa enfatiza que o valor é fundamental para garantir uma experiência cada vez melhor ao usuário.
Estratégia de posicionamento da Keeta
Ao entrar em um mercado altamente competitivo, a Keeta precisou equilibrar preços atrativos com sustentabilidade operacional. A taxa de serviço, segundo a empresa, permite investimentos em tecnologia, logística e suporte, além de contribuir para a eficiência do sistema de entregas.
A plataforma busca se diferenciar não apenas pelo preço, mas pela promessa de um serviço mais rápido, confiável e com menos falhas, justificando a cobrança adicional como parte desse compromisso.
A promessa da entrega grátis e o custo real do pedido
Um dos principais atrativos usados pelas plataformas na guerra do delivery é a promessa de entrega grátis. Em campanhas publicitárias e banners dentro dos aplicativos, a gratuidade da entrega aparece como um grande diferencial competitivo.
No entanto, na prática, muitos pedidos considerados como “entrega grátis” incluem taxas de serviço que elevam o preço final. Para o consumidor, a sensação é de que o custo apenas mudou de nome, deixando de ser chamado de taxa de entrega para aparecer como taxa de serviço.
Transparência em debate
Especialistas em defesa do consumidor apontam que, embora a cobrança de taxas seja legal, a forma como elas são apresentadas pode influenciar a decisão de compra. Quando o valor total só fica claro na etapa final, o consumidor pode se sentir induzido ao erro ou frustrado com o preço final.
Esse cenário reforça a importância de maior transparência e de uma comunicação mais clara sobre todos os custos envolvidos em um pedido de delivery.
Redução de tarifas para restaurantes intensifica disputa
A guerra do delivery não afeta apenas consumidores, mas também restaurantes parceiros. Para atrair estabelecimentos, as plataformas passaram a reduzir ou até isentar tarifas, criando um ambiente de competição ainda mais acirrado.
Estratégia da 99 Food com restaurantes
A 99 Food anunciou a isenção do pagamento de comissão e mensalidade para restaurantes cadastrados por dois anos. A medida teve como objetivo atrair pequenos e médios estabelecimentos, especialmente aqueles insatisfeitos com as altas taxas cobradas por plataformas mais consolidadas.
Essa estratégia permitiu à empresa ampliar rapidamente sua base de parceiros, aumentando a variedade de opções disponíveis aos consumidores.
Rappi reage com isenção por tempo indeterminado
A colombiana Rappi, que manteve sua operação no Brasil mesmo diante da concorrência crescente, também reagiu à movimentação do mercado. A empresa decidiu isentar taxas de parceiros por tempo indeterminado, reforçando seu compromisso com os restaurantes e buscando manter sua relevância no setor.
Quem paga a conta no fim das contas
Com a redução de tarifas para restaurantes e a intensificação da concorrência por usuários, as plataformas precisam equilibrar suas finanças. Nesse contexto, a cobrança de taxas de serviço surge como uma alternativa para manter a operação sustentável.
Consumidor no centro da equação
Embora os descontos e cupons tragam vantagens pontuais, o consumidor acaba arcando com parte dos custos operacionais das plataformas. A soma de taxas, mesmo que pequenas individualmente, pode tornar o delivery mais caro do que aparenta inicialmente.
Esse movimento tem levado muitos usuários a compararem aplicativos antes de finalizar um pedido, avaliando não apenas o desconto oferecido, mas o valor total cobrado.
O futuro do mercado de delivery no Brasil
A tendência é que a disputa entre 99 Food, iFood, Keeta e outros players continue intensa nos próximos anos. Com margens cada vez mais apertadas, as empresas precisarão encontrar um equilíbrio entre preços competitivos, remuneração justa para entregadores e sustentabilidade financeira.
Possível regulação e pressão por transparência
À medida que as taxas se tornam mais complexas, cresce também a pressão por maior clareza nas cobranças. Órgãos de defesa do consumidor e o próprio público podem exigir mudanças na forma como os valores são apresentados, garantindo que o usuário saiba exatamente quanto está pagando e por quê.
A guerra do delivery, ao que tudo indica, ainda está longe de terminar, e seus desdobramentos devem continuar impactando consumidores, restaurantes e entregadores em todo o país.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
