O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou, na terça-feira (26), que a Advocacia-Geral da União (AGU) apresente, em até 15 dias, os critérios utilizados para decretar o bloqueio cautelar de bens de instituições investigadas por fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
INSS sob investigação: TCU pede explicações à AGU sobre 35 entidades ausentes
TCU determina que a AGU explique critérios usados no bloqueio cautelar de bens de entidades investigadas por fraudes contra o INSS.
A decisão ocorre em meio a uma série de denúncias sobre irregularidades em descontos indevidos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas, prática que movimentou centenas de milhões de reais entre 2023 e 2024.
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Origem do pedido: atuação parlamentar

O processo teve início em 3 de junho de 2025, quando o deputado André Fernandes (PL-CE) apresentou uma petição ao TCU alegando omissão da AGU.
- O parlamentar solicitava o bloqueio de bens de 35 instituições acusadas de irregularidades;
- O pedido foi indeferido pelo tribunal;
- Ainda assim, a Corte de Contas entendeu haver necessidade de esclarecimentos adicionais da AGU.
Segundo o despacho, a AGU deverá justificar por que algumas entidades foram incluídas no pedido de indisponibilidade de bens e outras, também sob suspeita, ficaram de fora.
O foco da decisão do TCU
Questionamentos centrais
O TCU quer respostas sobre três pontos principais:
- Critérios de inclusão ou exclusão de instituições associativas no pedido de bloqueio;
- Definição dos limites de indisponibilidade aplicados a cada entidade;
- Eventuais medidas adicionais em andamento contra as instituições não abrangidas inicialmente.
A decisão frisa que há indícios de tratamento diferenciado entre entidades com suspeitas semelhantes de irregularidades.
O despacho do tribunal
No documento, o TCU destaca:
“Os elementos constantes dos autos indicam a necessidade de compreender a estratégia adotada pela AGU ao ingressar com ação judicial apenas contra parte das entidades suspeitas, deixando de incluir outras que também apresentam indícios de irregularidades.”
Instituições sob suspeita
Entre as entidades que não tiveram os bens bloqueados cautelarmente, mas que agora entram no foco do tribunal, estão:
- SINDNAPI (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical)
- Master Prev
- Unabrasil
- Abenprev
- Abapen
- Aasap
- Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura)
- Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais)
- Cbap
Segundo relatório da AGU, apenas o SINDNAPI arrecadou R$ 90 milhões em 2023. Já em conjunto, as entidades listadas movimentaram mais de R$ 600 milhões entre 2023 e 2024.
Essas instituições aparecem entre as mais citadas em pedidos de exclusão de descontos indevidos nos benefícios previdenciários.
O caso do SINDNAPI e a relação política
O SINDNAPI ganhou destaque por ser presidido por representantes ligados à Força Sindical e por ter, em sua vice-presidência, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Esse fator político adiciona complexidade ao processo, já que a entidade foi apontada entre as que mais receberam reclamações de beneficiários, mas não foi incluída na primeira ação da AGU pedindo o bloqueio de bens.
Fraudes contra aposentados e pensionistas
Como funcionam os esquemas
De acordo com investigações do MDS e da AGU, os principais problemas envolvem:
- Cobrança de mensalidades não autorizadas diretamente na folha do INSS;
- Associações que se passam por sindicatos ou entidades de classe para justificar descontos;
- Dificuldade de cancelamento dos débitos por parte dos segurados.
Impacto financeiro
Essas práticas atingem aposentados e pensionistas em todo o Brasil, somando milhares de queixas registradas no INSS e no Procon. O volume de recursos desviados é estimado em centenas de milhões de reais anuais.
A posição da AGU
Até o momento, a Advocacia-Geral da União não detalhou os critérios que motivaram a escolha de determinadas entidades para bloqueio cautelar e a exclusão de outras, mesmo diante de evidências semelhantes.
A AGU, no entanto, já havia afirmado que atua com base em elementos técnicos e jurídicos, priorizando casos com maior robustez probatória.
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Agora, caberá ao órgão apresentar justificativas oficiais ao TCU, que avaliará se houve falhas ou seletividade na condução da ação.
Implicações jurídicas e políticas
Do ponto de vista jurídico
A cobrança do TCU pode resultar em:
- Ampliação do bloqueio de bens a mais entidades;
- Ajustes na atuação da AGU, que terá de justificar eventuais omissões;
- Precedente para novos pedidos parlamentares e judiciais contra associações suspeitas.
Do ponto de vista político
O envolvimento de sindicatos e entidades com vínculos políticos, como o caso do SINDNAPI, coloca o governo em posição delicada. Críticos apontam que pode haver conflito de interesse na exclusão de determinadas instituições do processo.
Próximos passos
O prazo de 15 dias para a AGU responder começa a contar a partir da notificação formal. A expectativa é de que o relatório apresentado:
- Liste os critérios jurídicos e administrativos usados para definir os bloqueios;
- Esclareça se existem novas ações em andamento contra as entidades não incluídas;
- Aponte medidas de ressarcimento e proteção aos segurados prejudicados.
Caso as explicações não sejam satisfatórias, o TCU pode determinar novas providências, incluindo a recomendação de bloqueio cautelar para um número maior de instituições.
O impacto para aposentados e pensionistas

Para milhões de segurados do INSS, a decisão representa uma chance de maior transparência na fiscalização das entidades que realizam descontos diretos em seus benefícios.
A pressão do TCU tende a ampliar o controle sobre sindicatos, associações e cooperativas, evitando que aposentados continuem sendo vítimas de débitos não autorizados e fraudes em massa.
Considerações finais
A determinação do TCU para que a AGU apresente critérios de bloqueio de bens é um marco importante no combate às fraudes previdenciárias. Ao cobrar explicações claras, o tribunal fortalece a fiscalização sobre entidades que movimentam cifras milionárias às custas de aposentados e pensionistas.
O caso também tem implicações políticas relevantes, já que envolve instituições próximas a lideranças nacionais. A resposta da AGU, portanto, não apenas definirá os rumos das ações judiciais, mas também poderá repercutir no cenário político e na relação entre o Executivo e órgãos de controle.
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