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TDAH e saúde: entenda por que o transtorno pode encurtar a vida em até 8 anos

Descubra por que o TDAH pode diminuir a expectativa de vida e veja como o diagnóstico precoce pode fazer a diferença.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
TDAH

Um estudo inédito publicado no The British Journal of Psychiatry revelou que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode reduzir a expectativa de vida em até 8,64 anos, principalmente entre mulheres.

O dado alarmante levanta um debate urgente sobre saúde mental, diagnóstico precoce, tratamento e políticas públicas voltadas à população adulta com TDAH — ainda amplamente negligenciada.

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TDAH e risco de morte precoce: o que diz a ciência?

Na imagem, letras garrafais em brinquedo e mãos infantis formando a sigla TDAH
Imagem: Arlette Lopez / Shutterstock.com

Estudo analisou dados de mais de 9,5 milhões de pessoas

A pesquisa foi conduzida por especialistas britânicos a partir da análise de registros médicos de 9,5 milhões de pessoas, entre os anos de 2000 e 2019.

Dentre esse grupo, cerca de 30 mil adultos tinham diagnóstico formal de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Eles foram comparados com um grupo controle de 300 mil indivíduos sem o transtorno.

Diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres

Os dados revelam um impacto significativo:

  • Homens com TDAH viveram, em média, 6,78 anos a menos do que homens sem o diagnóstico.
  • Mulheres com TDAH apresentaram uma redução ainda maior: 8,64 anos a menos de expectativa de vida.

Mortalidade é quase o dobro entre pessoas com TDAH

O risco de morte entre adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade foi quase o dobro do que entre os que não tinham o transtorno:

  • Homens com TDAH: 0,83% de mortalidade;
  • Homens sem TDAH: 0,52%;
  • Mulheres com TDAH: 2,22%;
  • Mulheres sem TDAH: 1,35%.

Embora as causas das mortes não tenham sido detalhadas, os cientistas destacam fatores agravantes que cercam a condição.

Por que o TDAH pode reduzir a expectativa de vida?

Fatores associados ao aumento da mortalidade

Entre os principais fatores associados à redução da longevidade em pessoas com TDAH, estão:

  • Maior incidência de doenças mentais e físicas;
  • Tabagismo e uso de álcool com mais frequência;
  • Menor acesso a cuidados médicos contínuos;
  • Maior propensão a acidentes e comportamentos impulsivos.

Esses elementos, em conjunto, explicam parte do risco elevado de morte prematura.

Impulsividade e riscos de morte não natural

Segundo o psiquiatra Ricardo Feldman, do Hospital Israelita Albert Einstein, a impulsividade típica do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade pode contribuir para situações perigosas:

“Essas pessoas estão mais expostas a mortes por causas não naturais, como acidentes de trânsito, intoxicações ou envenenamentos”, diz o especialista.

Esses comportamentos impulsivos estão entre os principais desafios para o controle do transtorno na vida adulta.

TDAH não é apenas infantil: o impacto na fase adulta

Um transtorno que persiste ao longo da vida

Muitos ainda associam o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade apenas à infância. No entanto, a condição pode se manifestar ou persistir na vida adulta. Os sintomas incluem:

  • Desatenção crônica;
  • Impulsividade prejudicial;
  • Hiperatividade mental ou física.

Esses sintomas têm impactos diretos nas relações sociais, no desempenho profissional e na qualidade de vida.

Subdiagnóstico dificulta prevenção e tratamento

Enquanto estimativas globais apontam que cerca de 2,8% da população adulta tem TDAH, o estudo britânico encontrou apenas 0,32% de adultos diagnosticados — um sinal claro de subdiagnóstico.

Redes sociais e desinformação

Apesar da maior visibilidade do TDAH nas redes sociais, muitos diagnósticos ainda não seguem critérios clínicos rigorosos, o que pode gerar confusões:

“As pessoas estão confundindo sintomas pontuais com o transtorno clínico. O diagnóstico exige impacto real e duradouro na vida da pessoa”, alerta Feldman.

Diagnóstico e tratamento: o que precisa mudar?

Diagnóstico correto exige análise clínica aprofundada

O diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade deve seguir critérios do DSM-5 e considerar histórico, sintomas persistentes e prejuízos funcionais. Sinais isolados como falta de atenção ou agitação não são suficientes.

Além disso, o TDAH pode ser confundido com outros transtornos, como:

  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Transtornos do sono;
  • Abuso de substâncias.

Tratamento adequado pode mudar a expectativa de vida

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Com diagnóstico preciso, o tratamento costuma envolver:

  • Psicoterapia cognitivo-comportamental;
  • Medicação, geralmente à base de estimulantes ou não estimulantes;
  • Acompanhamento psiquiátrico regular.

O acompanhamento contínuo é fundamental para reduzir os riscos de agravamento, melhorar o bem-estar e potencialmente aumentar a expectativa de vida.

Desigualdades sociais e impacto na saúde mental

TDAH e barreiras no acesso à saúde

A desigualdade no acesso a diagnóstico e tratamento é um dos principais fatores que tornam o TDAH uma condição de risco. Muitos pacientes enfrentam:

  • Falta de profissionais qualificados;
  • Estigmatização;
  • Longas filas no SUS ou custos elevados na rede privada.

Falta de políticas públicas agrava o problema

O estudo britânico reforça a necessidade urgente de políticas públicas específicas para adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Os pesquisadores sugerem:

  • Capacitação de profissionais de saúde;
  • Maior investimento em diagnóstico precoce;
  • Campanhas informativas sobre o TDAH adulto;
  • Acesso gratuito a medicamentos e terapias.

O que podemos fazer agora?

TDAH
Imagem: benzoix / freepik

Educação, acolhimento e informação são essenciais

Reconhecer o TDAH como um transtorno que afeta a saúde física e mental de maneira profunda é o primeiro passo. Além disso, é preciso:

  • Reduzir o estigma;
  • Oferecer suporte psicológico e psiquiátrico acessível;
  • Incentivar ambientes de trabalho e estudo mais inclusivos.

Diagnóstico precoce pode salvar vidas

Quanto mais cedo for identificado o transtorno, maiores as chances de evitar complicações graves, como uso de substâncias, suicídio e mortes acidentais.

Conclusão

O impacto do TDAH vai muito além da dificuldade de concentração. A recente pesquisa britânica mostra que o transtorno pode reduzir significativamente a expectativa de vida, principalmente quando não diagnosticado ou tratado.

A negligência com o TDAH adulto representa um risco silencioso que precisa ser enfrentado com políticas públicas, informação de qualidade e acolhimento clínico eficaz. Diagnosticar corretamente e oferecer tratamento contínuo não apenas melhora a qualidade de vida — pode literalmente salvá-la.

Imagem: Adobe Stock

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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