Um estudo inédito publicado no The British Journal of Psychiatry revelou que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode reduzir a expectativa de vida em até 8,64 anos, principalmente entre mulheres.
TDAH e saúde: entenda por que o transtorno pode encurtar a vida em até 8 anos
Descubra por que o TDAH pode diminuir a expectativa de vida e veja como o diagnóstico precoce pode fazer a diferença.
O dado alarmante levanta um debate urgente sobre saúde mental, diagnóstico precoce, tratamento e políticas públicas voltadas à população adulta com TDAH — ainda amplamente negligenciada.
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Estudo analisou dados de mais de 9,5 milhões de pessoas
A pesquisa foi conduzida por especialistas britânicos a partir da análise de registros médicos de 9,5 milhões de pessoas, entre os anos de 2000 e 2019.
Dentre esse grupo, cerca de 30 mil adultos tinham diagnóstico formal de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Eles foram comparados com um grupo controle de 300 mil indivíduos sem o transtorno.
Diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres
Os dados revelam um impacto significativo:
- Homens com TDAH viveram, em média, 6,78 anos a menos do que homens sem o diagnóstico.
- Mulheres com TDAH apresentaram uma redução ainda maior: 8,64 anos a menos de expectativa de vida.
Mortalidade é quase o dobro entre pessoas com TDAH
O risco de morte entre adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade foi quase o dobro do que entre os que não tinham o transtorno:
- Homens com TDAH: 0,83% de mortalidade;
- Homens sem TDAH: 0,52%;
- Mulheres com TDAH: 2,22%;
- Mulheres sem TDAH: 1,35%.
Embora as causas das mortes não tenham sido detalhadas, os cientistas destacam fatores agravantes que cercam a condição.
Por que o TDAH pode reduzir a expectativa de vida?
Fatores associados ao aumento da mortalidade
Entre os principais fatores associados à redução da longevidade em pessoas com TDAH, estão:
- Maior incidência de doenças mentais e físicas;
- Tabagismo e uso de álcool com mais frequência;
- Menor acesso a cuidados médicos contínuos;
- Maior propensão a acidentes e comportamentos impulsivos.
Esses elementos, em conjunto, explicam parte do risco elevado de morte prematura.
Impulsividade e riscos de morte não natural
Segundo o psiquiatra Ricardo Feldman, do Hospital Israelita Albert Einstein, a impulsividade típica do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade pode contribuir para situações perigosas:
“Essas pessoas estão mais expostas a mortes por causas não naturais, como acidentes de trânsito, intoxicações ou envenenamentos”, diz o especialista.
Esses comportamentos impulsivos estão entre os principais desafios para o controle do transtorno na vida adulta.
TDAH não é apenas infantil: o impacto na fase adulta
Um transtorno que persiste ao longo da vida
Muitos ainda associam o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade apenas à infância. No entanto, a condição pode se manifestar ou persistir na vida adulta. Os sintomas incluem:
- Desatenção crônica;
- Impulsividade prejudicial;
- Hiperatividade mental ou física.
Esses sintomas têm impactos diretos nas relações sociais, no desempenho profissional e na qualidade de vida.
Subdiagnóstico dificulta prevenção e tratamento
Enquanto estimativas globais apontam que cerca de 2,8% da população adulta tem TDAH, o estudo britânico encontrou apenas 0,32% de adultos diagnosticados — um sinal claro de subdiagnóstico.
Redes sociais e desinformação
Apesar da maior visibilidade do TDAH nas redes sociais, muitos diagnósticos ainda não seguem critérios clínicos rigorosos, o que pode gerar confusões:
“As pessoas estão confundindo sintomas pontuais com o transtorno clínico. O diagnóstico exige impacto real e duradouro na vida da pessoa”, alerta Feldman.
Diagnóstico e tratamento: o que precisa mudar?
Diagnóstico correto exige análise clínica aprofundada
O diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade deve seguir critérios do DSM-5 e considerar histórico, sintomas persistentes e prejuízos funcionais. Sinais isolados como falta de atenção ou agitação não são suficientes.
Além disso, o TDAH pode ser confundido com outros transtornos, como:
- Ansiedade;
- Depressão;
- Transtornos do sono;
- Abuso de substâncias.
Tratamento adequado pode mudar a expectativa de vida
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Com diagnóstico preciso, o tratamento costuma envolver:
- Psicoterapia cognitivo-comportamental;
- Medicação, geralmente à base de estimulantes ou não estimulantes;
- Acompanhamento psiquiátrico regular.
O acompanhamento contínuo é fundamental para reduzir os riscos de agravamento, melhorar o bem-estar e potencialmente aumentar a expectativa de vida.
Desigualdades sociais e impacto na saúde mental
TDAH e barreiras no acesso à saúde
A desigualdade no acesso a diagnóstico e tratamento é um dos principais fatores que tornam o TDAH uma condição de risco. Muitos pacientes enfrentam:
- Falta de profissionais qualificados;
- Estigmatização;
- Longas filas no SUS ou custos elevados na rede privada.
Falta de políticas públicas agrava o problema
O estudo britânico reforça a necessidade urgente de políticas públicas específicas para adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Os pesquisadores sugerem:
- Capacitação de profissionais de saúde;
- Maior investimento em diagnóstico precoce;
- Campanhas informativas sobre o TDAH adulto;
- Acesso gratuito a medicamentos e terapias.
O que podemos fazer agora?

Educação, acolhimento e informação são essenciais
Reconhecer o TDAH como um transtorno que afeta a saúde física e mental de maneira profunda é o primeiro passo. Além disso, é preciso:
- Reduzir o estigma;
- Oferecer suporte psicológico e psiquiátrico acessível;
- Incentivar ambientes de trabalho e estudo mais inclusivos.
Diagnóstico precoce pode salvar vidas
Quanto mais cedo for identificado o transtorno, maiores as chances de evitar complicações graves, como uso de substâncias, suicídio e mortes acidentais.
Conclusão
O impacto do TDAH vai muito além da dificuldade de concentração. A recente pesquisa britânica mostra que o transtorno pode reduzir significativamente a expectativa de vida, principalmente quando não diagnosticado ou tratado.
A negligência com o TDAH adulto representa um risco silencioso que precisa ser enfrentado com políticas públicas, informação de qualidade e acolhimento clínico eficaz. Diagnosticar corretamente e oferecer tratamento contínuo não apenas melhora a qualidade de vida — pode literalmente salvá-la.
Imagem: Adobe Stock
