O Sistema Único de Saúde (SUS) dará início, a partir de fevereiro de 2026, a um novo serviço de teleatendimento em saúde mental totalmente dedicado a apostadores que enfrentam problemas relacionados ao uso excessivo e descontrolado de plataformas de apostas. A iniciativa, criada em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, integra um pacote de ações dos ministérios da Saúde e da Fazenda para conter o avanço dos danos sociais provocados pelo crescimento explosivo das apostas online no Brasil.
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SUS lançará teleatendimento em saúde mental para apostadores em 2026, com 450 consultas mensais e apoio do Sírio-Libanês. Veja como o serviço vai funcionar.
Desde a popularização dos cassinos virtuais, casas de apostas esportivas e jogos eletrônicos, o país tem registrado um aumento significativo de usuários que desenvolvem sinais de dependência. O volume crescente de atendimentos no próprio SUS comprova o alerta: apenas entre 2023 e 2025, os registros dobraram, demonstrando que o impacto desse fenômeno já se reflete diretamente nas políticas públicas de saúde mental.
Com o teleatendimento, o governo busca criar uma porta de entrada rápida, sigilosa e especializada para pessoas que, muitas vezes, têm dificuldade de buscar ajuda presencial, seja por vergonha, desconhecimento ou falta de acesso a serviços adequados.
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Contexto do avanço das apostas online no Brasil
A explosão das plataformas digitais
Nos últimos anos, as plataformas de apostas online se tornaram um fenômeno no país. Com campanhas publicitárias intensas, patrocínio de clubes esportivos e ampla disseminação nas redes sociais, o número de usuários cresceu de forma acelerada.
A facilidade de criar contas, depositar valores via Pix e apostar a qualquer hora do dia transformou o comportamento de milhares de brasileiros — especialmente jovens e adultos de 18 a 35 anos.
A dependência como problema de saúde pública
O vício em jogos, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno mental, gera impactos severos na vida financeira, emocional e social dos usuários. No Brasil, o quadro ganhou proporções preocupantes: entre contas em atraso, dívidas com empréstimos, perda de produtividade e casos de depressão, o problema deixou de ser individual e se tornou coletivo.
Como funcionará o teleatendimento do SUS
Estrutura inicial
O novo serviço oferecerá 450 consultas mensais, todas realizadas de forma online. Os atendimentos serão conduzidos por profissionais de saúde mental capacitados para identificar sinais de uso problemático das apostas e encaminhar os casos mais graves para atendimento presencial.
Público-alvo
O teleatendimento é direcionado a pessoas que:
- Apresentam dificuldade em controlar o impulso de apostar
- Enfrentam desgaste emocional associado às perdas financeiras
- Demonstram comportamentos repetitivos de risco
- Já tiveram prejuízos sociais ou familiares por causa das apostas
Encaminhamento para CAPS e RAPS
Quando necessário, os usuários serão direcionados para unidades da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), especialmente os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem tratamento continuado para casos de dependência e transtornos emocionais.
Ferramenta de autoexclusão: reforço no combate ao vício em apostas
Lançamento previsto para dezembro de 2025
Antes mesmo do início do teleatendimento, o governo colocará em funcionamento, em dezembro de 2025, uma plataforma nacional de autoexclusão, permitindo que o próprio usuário bloqueie voluntariamente o acesso a todas as casas de apostas licenciadas.
Como a autoexclusão deve funcionar
- O usuário solicitará o bloqueio por meio da plataforma
- Todas as empresas de apostas terão obrigação legal de impedir o acesso
- O bloqueio terá duração mínima pré-definida, não podendo ser cancelado antes do prazo
A ferramenta é considerada uma das ações mais eficazes internacionalmente para interromper ciclos de dependência.
Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas
Monitoramento constante do impacto das apostas
Outra iniciativa já em funcionamento é o Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas, criado para analisar dados sobre uso das plataformas, comportamento dos apostadores e impactos na saúde pública.
Objetivo do Observatório
- Identificar padrões de risco
- Orientar políticas públicas
- Produzir relatórios periódicos
- Acompanhar tendências e novos tipos de jogos
Esse monitoramento contínuo permitirá que o governo ajuste rapidamente estratégias de prevenção e tratamento.
Crescimento dos atendimentos no SUS: um sinal de alerta
Números que preocupam
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+311 mil seguidores
O volume de atendimentos relacionados a problemas com jogos disparou nos últimos três anos:
- 2023: 2.262 atendimentos
- 2024: 3.490 atendimentos
- Primeiro semestre de 2025: 1.951 registros
Se o ritmo for mantido, 2025 deve ultrapassar todos os números anteriores, reforçando a urgência de novas políticas.
Perfil dos atendidos
Embora pessoas de todas as idades busquem ajuda, estudos preliminares indicam:
- Jovens adultos de 18 a 30 anos formam o grupo mais vulnerável
- Homens representam a maior parte dos atendimentos, mas cresce a demanda feminina
- Usuários de baixa renda são mais atingidos pelas consequências financeiras
- Casos de depressão, ansiedade e endividamento acompanham o vício
A importância da ampliação da saúde mental no país
Um problema que exige respostas rápidas
A dependência em apostas é um fenômeno relativamente novo no Brasil, mas que avança com velocidade. A criação do teleatendimento e da autoexclusão representam medidas importantes, mas especialistas afirmam que o país precisará fortalecer a estrutura de forma contínua.
Ampliação futura
Entre as propostas discutidas estão:
- Aumento do número de consultas online
- Criação de campanhas educativas nacionais
- Parcerias com escolas e universidades
- Expansão da oferta de atendimento especializado nos CAPS
Conclusão
A criação do teleatendimento do SUS para apostadores, somada à ferramenta de autoexclusão e ao Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas, representa um marco no enfrentamento ao vício em jogos no país. Com o avanço acelerado das plataformas de apostas e o aumento crescente de atendimentos na rede pública, o Brasil dá passos importantes para proteger a saúde mental da população e oferecer tratamento adequado a quem enfrenta esse tipo de dependência.
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