A disputa pelo topo do comércio eletrônico no Brasil ganhou um novo capítulo em março de 2025. A Temu, plataforma de e-commerce de origem chinesa, superou a gigante Amazon e se consolidou entre os três sites mais acessados do país no segmento.
Temu desbanca Amazon e entra no top 3 dos e-commerces mais acessados do país
Temu supera a Amazon em acessos e entra no top 3 do e-commerce no Brasil, atrás apenas de Mercado Livre e Shopee, segundo a Conversion.
O ranking, elaborado pela agência especializada Conversion, revela a rápida ascensão da empresa que desembarcou em solo brasileiro há menos de um ano.
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A ascensão meteórica da Temu no Brasil

Com 216,2 milhões de acessos em março, a Temu garantiu o terceiro lugar na lista dos e-commerces mais visitados do Brasil, ficando atrás apenas do Mercado Livre e da Shopee. O feito é ainda mais impressionante considerando que a Amazon registrou um crescimento expressivo no período — com 22,5 milhões de acessos a mais que em fevereiro — e, mesmo assim, foi ultrapassada por uma diferença de 19 milhões.
O levantamento da Conversion considera acessos realizados a partir de dispositivos móveis Android, desktops e também via aplicativos, embora não contabilize dados de iPhones e iPads, o que pode indicar um cenário ainda mais competitivo do que o divulgado.
Panorama geral do e-commerce no Brasil
De acordo com os dados divulgados, o setor de e-commerce no Brasil registrou 2,78 bilhões de acessos em março, somando todas as plataformas. As dez maiores empresas listadas no ranking respondem por 53,9% dessa audiência, evidenciando uma concentração significativa do tráfego em poucos players.
- Mercado Livre lidera com 12,1% de participação.
- Shopee mantém a vice-liderança com 8,5%.
- Temu estreia no pódio com 7,8% do total de acessos.
A presença de grandes plataformas internacionais no topo da lista revela o apetite do consumidor brasileiro por variedade de produtos, promoções e acessibilidade, pontos onde a Temu tem se destacado.
Quem é a Temu?
Origem e modelo de negócios
A Temu é uma marca da empresa chinesa Pinduoduo (PDD Holdings), conhecida por seu modelo de negócios baseado em preços extremamente competitivos. A plataforma atua como intermediária entre consumidores e fabricantes, permitindo a venda direta de fornecedores chineses aos brasileiros, sem a necessidade de estoque ou operação local.
Lançada oficialmente no Brasil em 6 de junho de 2024, a Temu tem como principais atrativos:
- Preços baixos em diversos segmentos, incluindo eletrônicos, vestuário, utensílios domésticos e até alimentos.
- Frete gratuito, mesmo em pedidos de baixo valor.
- Descontos e promoções diárias, incentivando compras impulsivas.
Esse conjunto de estratégias agressivas tem gerado grande tráfego na plataforma, mesmo com prazos de entrega mais longos, uma vez que os produtos vêm diretamente da China.
A estratégia que desafia gigantes
A proposta da Temu é clara: oferecer uma alternativa barata e acessível ao consumidor brasileiro, muitas vezes impactado por questões econômicas como inflação e poder de compra reduzido. Ao contrário de Amazon, Shopee e Mercado Livre, que operam com estoques locais ou centros de distribuição, a Temu aposta na logística internacional de baixo custo.
Além disso, a empresa investe pesado em campanhas publicitárias nas redes sociais, influenciadores e plataformas de vídeo, como YouTube e TikTok, fortalecendo sua presença digital e atraindo novos usuários em velocidade recorde.
O que isso significa para o e-commerce brasileiro?

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Pressão por preços e inovação
A entrada da Temu no top 3 do e-commerce brasileiro coloca pressão direta sobre concorrentes já estabelecidos, como a Amazon, que há anos investe em logística, serviços Prime e entrega rápida como diferenciais. Com a Temu popularizando o modelo de baixo custo e frete grátis, espera-se uma resposta do mercado em forma de promoções mais agressivas, maior foco em fidelização e, possivelmente, ajustes nos modelos de entrega.
Desafios logísticos e regulatórios
Embora a Temu tenha se popularizado rapidamente, especialistas alertam para desafios futuros. Entre os principais estão:
- Riscos alfandegários, já que o envio direto da China pode gerar cobranças inesperadas de taxas e impostos.
- Prazo de entrega elevado, que pode afetar a experiência do consumidor no longo prazo.
- Regulação e fiscalização do comércio internacional, que pode mudar à medida que o governo brasileiro revisa políticas de importação e marketplace.
Ainda assim, o sucesso da Temu sinaliza uma mudança importante no comportamento do consumidor, que parece mais disposto a trocar conveniência por economia.
Expectativas para os próximos meses
Com a Temu consolidada entre os principais nomes do e-commerce nacional, a tendência é que a disputa pelo topo fique ainda mais acirrada. A Amazon, por sua vez, deve intensificar seus esforços para reconquistar a terceira posição. Já o Mercado Livre e a Shopee precisam manter seus diferenciais para não perder espaço no mercado mais dinâmico da América Latina.
A depender das próximas movimentações, o consumidor pode ser o principal beneficiado dessa nova fase da guerra do e-commerce: mais opções, mais promoções e, quem sabe, um novo padrão de consumo digital.
Imagem: Reprodução/Temu

