O Tesouro Direto registrou um marco histórico em março, com R$ 11,69 bilhões em investimentos — o maior valor mensal desde o início da série histórica do programa. O dado foi divulgado pelo Ministério da Fazenda nesta quarta-feira (30), e reflete a atratividade dos títulos públicos diante da taxa Selic em 14,25% ao ano, com viés de alta.
Investidores correm para o Tesouro Direto com Selic a 14,25%; aplicações disparam
Tesouro Direto registra recorde de R$ 11,69 bilhões em março, impulsionado pela Selic a 14,25%. Veja os dados e o perfil dos investidores.
Com a elevação dos juros básicos da economia, os títulos públicos voltaram a ser destaque entre os investidores brasileiros, sobretudo o Tesouro Selic, que responde por mais da metade das aplicações realizadas no mês.
Leia mais:
Consignado para setor privado agora pode ser contratado 100% online pelo aplicativo bancário
Resgates superam aplicações, mas vendas seguem fortes

Embora o volume de aplicações tenha sido recorde, os resgates totais (recompras e vencimentos) somaram R$ 12,43 bilhões, resultando em um resgate líquido de R$ 742,3 milhões. Do total resgatado, R$ 2,64 bilhões vieram de recompras antecipadas e R$ 9,79 bilhões de vencimentos.
Participação das pequenas aplicações é expressiva
As operações de até R$ 1 mil representaram 48,9% do total de investimentos no período. Já o valor médio por operação foi de R$ 12.924,37, refletindo a diversificação entre pequenos investidores e grandes aportes.
Perfil dos títulos públicos mais procurados
Tesouro Selic lidera preferência dos investidores
Com a Selic elevada, os títulos atrelados à taxa básica dominaram as vendas. O Tesouro Selic respondeu por R$ 7,4 bilhões em aplicações, representando 63,2% do total investido em março.
Títulos indexados à inflação também ganham espaço
Os títulos ligados ao IPCA (como o Tesouro IPCA+, IPCA+ com Juros Semestrais, RendA+ e Educa+) totalizaram R$ 2,9 bilhões, equivalentes a 25,2% das vendas. Eles são populares entre investidores que buscam proteção contra a inflação no longo prazo.
Destaques: RendA+ e Educa+ atraem novos perfis
Do volume total dos papéis atrelados à inflação, os destaques foram o Tesouro RendA+, com R$ 571,2 milhões em vendas (4,9%), e o Tesouro Educa+, voltado para o planejamento educacional, com R$ 136,5 milhões (1,2%).
Prefixados registram menor volume de investimento
Títulos prefixados, que oferecem rentabilidade fixa, registraram R$ 1,4 bilhão em vendas, equivalendo a 11,6% do total. A incerteza sobre o futuro da Selic e da inflação pode ter reduzido o apetite por esse tipo de papel.
Expectativas para a Selic em maio
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reunirá nos dias 6 e 7 de maio, e a expectativa do mercado financeiro é de mais uma alta de 0,50 ponto percentual. Com isso, a Selic pode atingir 14,75% ao ano, o que tende a aumentar ainda mais a atratividade dos títulos públicos.
Recompras e vencimentos

Tesouro Selic também domina resgates antecipados
Entre os R$ 2,64 bilhões em recompras realizadas em março, o Tesouro Selic representou R$ 1,7 bilhão (65,8%). A liquidez diária do título justifica essa preferência dos investidores que precisam acessar os recursos antes do vencimento.
Títulos indexados ao IPCA e prefixados vêm em seguida
As recompras de títulos atrelados à inflação totalizaram R$ 631,4 milhões (23,9%), enquanto os prefixados representaram R$ 272,2 milhões (10,3%).
Prazo dos títulos vendidos
Maior concentração entre 1 e 5 anos
Do total vendido em março, 46,7% dos papéis tinham vencimento entre 1 e 5 anos. Títulos com prazos acima de 10 anos corresponderam a 14,6%, enquanto os de 5 a 10 anos somaram 38,7%.
Esse perfil mostra uma busca por equilíbrio entre liquidez e rentabilidade de longo prazo.
Estoque total do Tesouro Direto
O estoque do programa encerrou março em R$ 165,1 bilhões, um aumento de 0,7% em relação a fevereiro e de 23,9% frente ao mesmo mês de 2024.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Predomínio dos títulos ligados à inflação
Títulos indexados por índices de preços somam R$ 86,3 bilhões, ou 52,3% do total do estoque. Em seguida aparecem os papéis atrelados à Selic (R$ 58,2 bilhões; 35,2%) e os prefixados (R$ 20,7 bilhões; 12,5%).
Vencimento do estoque segue diversificado
A maior parte do estoque (52,3%) está concentrada em títulos com vencimento entre 1 e 5 anos. Já os papéis com vencimento acima de 5 anos representam 40,6%, enquanto os com prazo inferior a 1 ano somam apenas 7,1%.
Base de investidores do Tesouro Direto
Investidores ativos recuam por efeito do vencimento
O número de investidores ativos caiu para 2.947.516 em março, uma redução de 78.911 pessoas em relação ao mês anterior. A queda foi motivada por vencimentos expressivos de papéis.
No acumulado de 12 meses, no entanto, houve crescimento de 15,4% no número de investidores ativos.
Investidores cadastrados seguem em expansão
O número total de cadastros no Tesouro Direto atingiu 31.972.319 pessoas, um crescimento de 14,17% em relação a março de 2024, com acréscimo de 228.048 novos investidores apenas em março deste ano.
Perspectivas: Tesouro Direto deve seguir em alta com juros elevados

Com a Selic elevada e a expectativa de nova alta em maio, os títulos públicos continuam atraentes para investidores em busca de segurança e rentabilidade. O recorde histórico registrado em março reforça a maturidade do mercado de renda fixa no Brasil e a adesão crescente da população à educação financeira e ao investimento direto no Tesouro Nacional.
A tendência é de que, enquanto a Selic se mantiver em patamares elevados, o Tesouro Direto continue a bater recordes e a ganhar espaço como alternativa segura e acessível de aplicação financeira.
Conclusão
O desempenho recorde do Tesouro Direto em março confirma a forte influência da taxa Selic sobre o comportamento dos investidores brasileiros. Com juros elevados, a atratividade dos títulos públicos cresce, especialmente entre os que buscam segurança e rentabilidade acima da inflação. A expansão da base de investidores e a diversificação dos títulos mostram a consolidação do programa como uma ferramenta eficaz de democratização do investimento no Brasil. Caso a Selic continue em alta, é provável que os próximos meses também registrem resultados expressivos no volume de aplicações.
