Quem acessou a plataforma do Tesouro Direto na segunda-feira (2), primeiro pregão de fevereiro de 2026, encontrou mudanças relevantes na prateleira de títulos públicos. O governo federal alongou vencimentos, substituiu papéis antigos por novos e manteve apenas um título com liquidez diária disponível para negociação.
Tesouro Direto atualiza opções de renda fixa: confira os títulos
Tesouro Direto estreia fevereiro com novos vencimentos, juros em alta e impacto do Focus na renda fixa para pessoa física.
As alterações ocorrem em um contexto de juros mais altos, inflação projetada ligeiramente menor e manutenção de expectativas para a taxa básica da economia, conforme dados recentes do mercado.
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Quais títulos foram substituídos no início de fevereiro
A principal novidade foi a troca de vencimentos em diversas categorias, movimento comum no Tesouro Direto para manter a oferta alinhada ao perfil de demanda dos investidores e à estratégia de financiamento da dívida pública.
As substituições anunciadas foram:
- Tesouro Prefixado 2029 no lugar do Tesouro Prefixado 2028
- Tesouro Prefixado 2037 com juros semestrais substituindo o Tesouro Prefixado 2035 com juros semestrais
- Tesouro IPCA+ 2032 substituindo o Tesouro IPCA+ 2029
- Tesouro IPCA+ 2037 com juros semestrais substituindo o Tesouro IPCA+ 2035 com juros semestrais
Com isso, os investidores passam a ter acesso a títulos com prazos mais longos, o que amplia o potencial de retorno, mas também aumenta a sensibilidade à marcação a mercado.
Liquidez diária segue concentrada no Tesouro Selic
Outro ponto que chamou atenção foi a redução da oferta de títulos com liquidez diária. Em fevereiro, apenas o Tesouro Selic 2031 permaneceu disponível para resgates a qualquer momento.
Isso reforça o papel desse título como:
- Reserva de liquidez
- Alternativa ao caixa
- Proteção contra oscilações de preço
Já os demais papéis exigem maior tolerância a oscilações caso o investidor precise vender antes do vencimento.
Juros sobem no início de fevereiro
Além das mudanças nos vencimentos, o mercado observou alta generalizada das taxas no começo do mês. Um exemplo emblemático foi o Tesouro Renda+ 2065, título de maior prazo da plataforma.
A remuneração subiu de IPCA + 6,81% ao ano, registrada em 30 de janeiro, para IPCA + 6,89% ao ano no dia 2 de fevereiro, o maior nível do ano até então.
Impacto da marcação a mercado
Com a elevação das taxas, o preço unitário do Tesouro Renda+ 2065 caiu de R$ 200,47 para R$ 193,69, representando uma perda de 3,38% no período.
Esse movimento ilustra, na prática, como funciona a marcação a mercado:
- Juros sobem → preços caem
- Juros caem → preços sobem
Para quem mantém o título até o vencimento, a oscilação não se materializa em perda, mas investidores que vendem antecipadamente podem ter prejuízos ou ganhos.
O pano de fundo macroeconômico
O comportamento dos títulos públicos reflete a leitura do mercado após a divulgação do Boletim Focus, publicado pelo Banco Central do Brasil.
As principais projeções mantidas foram:
- Selic em 12,25% ao ano ao final de 2026
- Inflação de 3,99% em 2026, levemente abaixo da estimativa anterior de 4,00%
Esse cenário sustenta juros reais elevados, o que mantém a renda fixa atrativa, especialmente em títulos indexados à inflação.
Rentabilidades do Tesouro Direto em 2 de fevereiro de 2026
Títulos prefixados
- Tesouro Prefixado 2029 – Aporte mínimo: R$ 7,06 (12,79% ao ano)
- Tesouro Prefixado 2032 – Aporte mínimo: R$ 4,78 (13,39% ao ano)
- Tesouro Prefixado 2037 (juros semestrais) – Aporte mínimo: R$ 8,18 (13,62% ao ano)
Títulos pós-fixados
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- Tesouro Selic 2031 – Aporte mínimo: R$ 182,25 (Selic + 0,099% ao ano)
Títulos indexados à inflação
- Tesouro IPCA+ 2032 – Aporte mínimo: R$ 28,59 (IPCA + 7,58% ao ano)
- Tesouro IPCA+ 2040 – Aporte mínimo: R$ 16,67 (IPCA + 7,27% ao ano)
- Tesouro IPCA+ 2050 – Aporte mínimo: R$ 9,09 (IPCA + 6,87% ao ano)
- Tesouro IPCA+ 2037 (juros semestrais) – Aporte mínimo: R$ 41,85 (IPCA + 7,44% ao ano)
- Tesouro IPCA+ 2045 (juros semestrais) – Aporte mínimo: R$ 41,17 (IPCA + 7,20% ao ano)
- Tesouro IPCA+ 2060 (juros semestrais) – Aporte mínimo: R$ 41,20 (IPCA + 7,08% ao ano)
Títulos voltados para aposentadoria
Os papéis da linha Renda+ seguem atrativos para quem planeja renda futura, apesar da maior volatilidade no curto prazo.
- Tesouro Renda+ 2030 – IPCA + 7,25% ao ano
- Tesouro Renda+ 2035 – IPCA + 7,09% ao ano
- Tesouro Renda+ 2040 – IPCA + 6,97% ao ano
- Tesouro Renda+ 2045 – IPCA + 6,89% ao ano
- Tesouro Renda+ 2050 – IPCA + 6,86% ao ano
- Tesouro Renda+ 2055 – IPCA + 6,87% ao ano
- Tesouro Renda+ 2060 – IPCA + 6,89% ao ano
- Tesouro Renda+ 2065 – IPCA + 6,89% ao ano
Títulos para custear estudos
A linha Educa+ mantém taxas elevadas, refletindo a expectativa de juros reais altos no longo prazo.
Os retornos variam entre IPCA + 7,67% (Educa+ 2027) e IPCA + 7,00% (Educa+ 2044), com aportes mínimos decrescentes conforme o vencimento é alongado.
O que o investidor deve considerar agora
Com a ampliação dos prazos e juros elevados, o investidor pessoa física precisa avaliar:
- Objetivo do investimento
- Prazo de permanência
- Tolerância à volatilidade
Títulos longos oferecem retornos reais mais altos, mas exigem disciplina para evitar perdas com resgates antecipados.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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