A testemunha Edson Claro, ex-diretor comercial de uma empresa ligada ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, denunciou ter recebido uma nova ameaça em outubro de 2026. A intimidação teria partido de uma familiar do investigado e reacendeu a preocupação com a segurança do executivo, que prestou depoimentos à Polícia Federal (PF) sobre o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
O caso ganhou relevância porque Claro forneceu documentos e informações que contribuíram para ampliar as investigações sobre as fraudes previdenciárias, incluindo apurações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As suspeitas envolvendo terceiros, porém, dependem da apuração das autoridades e não devem ser confundidas com condenações judiciais.
Entenda o que foi relatado sobre a nova ameaça, por que o Careca do INSS foi preso em 2025 e quais são os possíveis desdobramentos do caso.
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O que aconteceu com Edson Claro?

Segundo reportagem publicada pela revista Veja em outubro de 2026, Edson Claro procurou a polícia para relatar uma nova intimidação. A mensagem teria sido enviada por uma cunhada de Antonio Carlos Camilo Antunes e fazia referência à saída da prisão de Romeu Carvalho Antunes, filho do lobista.
A frase atribuída à mulher foi “Romeu saiu, se cuida”. Claro interpretou o recado como uma ameaça à sua segurança e voltou a comunicar o episódio às autoridades.
O relato ocorre após um conflito entre o ex-funcionário e seu antigo empregador, que se intensificou depois que informações sobre o esquema de descontos previdenciários chegaram às autoridades. A defesa de Antonio Carlos e Romeu Antunes negou que eles tenham ameaçado Claro, diretamente ou por intermédio de outras pessoas.
Por que a testemunha teme represálias?
Claro foi diretor comercial da World Cannabis, empresa ligada a Antunes. Segundo as informações divulgadas, ele prestou mais de 80 horas de depoimentos à Polícia Federal e apresentou materiais como mensagens, planilhas, fotografias e conversas de celular que contribuíram para diferentes linhas de investigação.
O executivo também afirmou que, antes da prisão do lobista, teria sofrido ameaças e perdido o acesso a bens e equipamentos que, segundo seu relato, continham informações contábeis da empresa. Essas alegações fazem parte do contexto de conflito entre os dois e precisam ser avaliadas pelas autoridades responsáveis.
Diante da nova denúncia, Claro afirmou que considera ingressar em um programa de proteção a testemunhas. A eventual inclusão depende de avaliação das autoridades competentes.
Por que o Careca do INSS foi preso em setembro de 2025?
Antonio Carlos Camilo Antunes foi preso preventivamente em 12 de setembro de 2025, durante uma etapa das investigações sobre as fraudes em benefícios previdenciários.
Entre os fundamentos apontados pelas autoridades estavam suspeitas de intimidação de uma testemunha, risco de fuga para o exterior e movimentações relacionadas à possível ocultação de patrimônio.
A prisão preventiva é uma medida cautelar determinada pela Justiça durante a investigação ou o processo. Ela não representa, por si só, uma condenação definitiva pelos crimes investigados.
No caso de Antunes, a suspeita de intimidação teve relevância porque possíveis pressões contra testemunhas podem comprometer a coleta de provas e dificultar o esclarecimento dos fatos. A nova denúncia de Claro, contudo, constitui um episódio posterior e deve ser investigada separadamente.
Como funcionava o esquema de descontos indevidos no INSS?
O caso faz parte das investigações sobre descontos de mensalidades associativas diretamente em aposentadorias e pensões sem autorização válida dos beneficiários.
Essas cobranças eram destinadas a entidades associativas, sob a justificativa de pagamento por serviços ou benefícios oferecidos aos filiados. A suspeita investigada é que parte dos descontos tenha sido realizada sem consentimento dos aposentados e pensionistas.
Uma estimativa divulgada pelo governo federal em abril de 2025 apontou cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos associativos sob investigação entre 2019 e 2024. O montante corresponde ao conjunto de cobranças investigadas, não a um valor definitivamente atribuído a uma única pessoa ou organização pela Justiça.
Quem pode ter sido prejudicado pelas fraudes?
Os principais afetados são aposentados e pensionistas que tiveram valores descontados de seus benefícios sem autorização. Como as cobranças incidem diretamente sobre a renda mensal, elas podem reduzir o dinheiro disponível para despesas básicas, como alimentação, medicamentos e moradia.
A investigação busca identificar quem autorizou, executou ou se beneficiou das operações suspeitas. Para isso, os órgãos responsáveis analisam documentos, registros financeiros, comunicações e possíveis vínculos entre entidades, empresas e pessoas investigadas.
Qual é a relação de Lulinha com as investigações?
O nome de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, aparece em linhas de investigação relacionadas ao caso. Segundo informações publicadas pela imprensa, documentos e dados apresentados por Edson Claro contribuíram para apurações que envolvem o filho do presidente da República.
Uma das suspeitas mencionadas nas reportagens diz respeito a um possível pagamento de R$ 25 milhões para facilitar negócios do Careca do INSS junto ao governo. A alegação deve ser tratada como uma suspeita investigada, e não como comprovação de que o pagamento ocorreu ou de que houve prática criminosa.
A reportagem também menciona a empresária Roberta Luchsinger, apontada como ligada a Lulinha, que teria manifestado interesse em colaborar com as autoridades por meio de um possível acordo de delação premiada. A disposição de negociar uma colaboração não significa que um acordo tenha sido formalizado nem que eventuais declarações tenham sido confirmadas.
O que é uma delação premiada?
A colaboração premiada é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite a uma pessoa investigada ou acusada fornecer informações relevantes para uma investigação ou processo, conforme as condições estabelecidas em lei.
O acordo pode prever benefícios legais, desde que sejam atendidos os requisitos aplicáveis e haja homologação judicial. As informações fornecidas precisam ser corroboradas por outros elementos de prova, e a simples celebração de um acordo não comprova automaticamente a veracidade de todas as declarações.
No caso do INSS, uma eventual colaboração pode ajudar a esclarecer relações financeiras, identificar participantes e reconstruir a dinâmica das operações suspeitas. O resultado depende da qualidade das informações e da capacidade dos investigadores de confirmá-las.
O que pode acontecer após a nova denúncia?

O registro de uma ameaça pode levar as autoridades a verificar a origem da mensagem, ouvir os envolvidos, analisar registros de comunicação e avaliar se existe risco concreto à integridade da testemunha.
Se forem identificados indícios de intimidação relacionada à investigação, os fatos poderão gerar novas diligências e medidas de proteção. A adoção de providências dependerá dos elementos reunidos pela polícia e da avaliação das autoridades competentes.
No caso de Edson Claro, a possibilidade de ingresso em um programa de proteção permanece como um ponto relevante. A segurança de testemunhas é especialmente importante em investigações complexas, nas quais informações internas, documentos e depoimentos podem contribuir para identificar responsabilidades.
Até que os fatos sejam esclarecidos, a nova ameaça relatada deve ser apresentada como uma denúncia atribuída ao executivo. A negativa da defesa de Antunes e de seu filho também precisa ser considerada no acompanhamento jornalístico do caso.
Conclusão
A nova ameaça relatada por Edson Claro acrescenta mais um capítulo às investigações sobre as fraudes em benefícios do INSS e reforça a importância de esclarecer as denúncias de intimidação de testemunhas. O depoimento do ex-diretor comercial pode ajudar as autoridades a aprofundar a apuração, desde que as informações apresentadas sejam verificadas e confrontadas com outras provas.
Enquanto as investigações avançam, permanecem questões sobre a participação dos envolvidos, a dimensão das irregularidades e os possíveis desdobramentos judiciais. O esclarecimento dos fatos será fundamental para responsabilizar eventuais culpados, garantir a segurança das testemunhas e assegurar justiça aos aposentados e pensionistas prejudicados pelos descontos indevidos.
