A Apple encerra nesta segunda-feira, 31 de agosto, uma das fases mais importantes de sua história. Após quase 15 anos como diretor-executivo, Tim Cook deixa o comando da companhia e passa o cargo para John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware.
A mudança entra oficialmente em vigor em 1º de setembro de 2026. Cook, porém, não está abandonando a empresa. Ele assumirá a função de chairman executivo, ou presidente executivo do conselho de administração, posição que lhe permitirá continuar participando de decisões estratégicas e do relacionamento institucional da companhia.
A sucessão havia sido anunciada oficialmente pela Apple em abril e foi aprovada por unanimidade pelo conselho. A troca representa a primeira mudança no cargo de CEO desde 2011, quando Cook substituiu Steve Jobs.
Mas quem é John Ternus? O que realmente muda para a Apple? E a saída de Tim Cook pode afetar produtos como iPhone, Mac, Apple Watch e os serviços disponíveis no Brasil?
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A expressão “adeus de Tim Cook” precisa ser entendida com cuidado. Ele deixa o cargo executivo mais importante da Apple, mas permanecerá ligado à companhia.
Como chairman executivo, Cook comandará o conselho de administração e ajudará a orientar decisões de longo prazo. Segundo o comunicado oficial, ele também continuará envolvido em determinados assuntos da empresa, incluindo o diálogo com autoridades e formuladores de políticas públicas em diferentes países.
Isso é importante porque a Apple enfrenta discussões regulatórias cada vez mais complexas. Governos analisam temas como concorrência nas lojas de aplicativos, privacidade, tributação, inteligência artificial e responsabilidade das grandes plataformas digitais.
Cook acumulou experiência justamente nessa relação com autoridades. Sua permanência permite que Ternus se concentre inicialmente na administração dos negócios e no desenvolvimento dos produtos, enquanto o antecessor ajuda a preservar vínculos institucionais.
Arthur Levinson, que ocupou por 15 anos a presidência não executiva do conselho, passará a ser o principal diretor independente. John Ternus também ganhará um assento no conselho a partir de 1º de setembro.
Por que Tim Cook está deixando o cargo agora?
A Apple não atribuiu a mudança a uma crise ou a um problema de saúde. A empresa apresentou a transição como resultado de um processo de sucessão planejado durante anos.
Tim Cook completou 65 anos em novembro de 2025 e chegou aos 15 anos no comando da companhia. Ao anunciar a mudança, a Apple informou que ele permaneceria como CEO durante o verão do Hemisfério Norte para trabalhar diretamente com Ternus e garantir uma passagem gradual das responsabilidades.
Na prática, a preparação reduziu o risco de uma troca repentina. Ternus teve meses para acompanhar decisões, alinhar prioridades e se preparar para assumir formalmente a administração.
A escolha de um executivo que construiu quase toda a carreira dentro da própria empresa também transmite uma mensagem de continuidade. A Apple optou por alguém que conhece sua cultura, seus processos e seus produtos, em vez de buscar um executivo de fora.
O que marcou a gestão de Tim Cook?
Tim Cook assumiu o cargo de CEO em 24 de agosto de 2011. Sua nomeação ocorreu após a renúncia de Steve Jobs, que morreu em outubro daquele ano.
Naquele momento, havia dúvidas sobre a capacidade da Apple de continuar crescendo sem a liderança de seu cofundador. Cook não tentou reproduzir o estilo de Jobs. Seu trabalho foi marcado principalmente pela eficiência operacional, pela expansão internacional e pela transformação da Apple em uma empresa menos dependente das vendas do iPhone.
Durante sua administração, a companhia ampliou consideravelmente sua presença no mercado e tornou-se a primeira empresa norte-americana de capital aberto a alcançar valores de mercado de US$ 1 trilhão, US$ 2 trilhões e US$ 3 trilhões.
Mais do que criar produtos, Cook organizou a Apple para fabricar, vender e distribuir bilhões de aparelhos em escala mundial.
Novos produtos ampliaram o ecossistema
Embora o iPhone tenha continuado como o principal produto da companhia, a Apple entrou em novas categorias durante a gestão de Cook.
O Apple Watch transformou-se em um dos relógios mais vendidos do mundo e aproximou a marca das áreas de saúde e bem-estar. Os AirPods ajudaram a popularizar os fones totalmente sem fio e passaram a funcionar como extensão natural do iPhone.
A empresa também concluiu a migração dos computadores Mac para chips próprios. A família Apple Silicon, iniciada com o processador M1, reduziu a dependência da Intel e permitiu maior integração entre componentes físicos e sistemas operacionais.
Nem todas as apostas apresentaram o mesmo resultado. O Vision Pro demonstrou capacidade tecnológica, mas enfrentou dificuldades para alcançar o grande público, especialmente por causa do preço elevado e da ausência de uma utilização considerada indispensável para a maioria dos consumidores.
Serviços ganharam espaço no faturamento
Outro movimento importante foi a expansão da divisão de serviços. Produtos como iCloud, Apple Music, Apple TV+, AppleCare, App Store e assinaturas integradas passaram a gerar receitas recorrentes.
Essa estratégia ajudou a empresa a depender menos da compra de um novo aparelho a cada ano. Mesmo quando o consumidor demora a trocar de iPhone, ele pode continuar pagando armazenamento, música, filmes, séries ou outros serviços.
Para a Apple, a receita recorrente oferece maior previsibilidade. Para o consumidor, o resultado é um ecossistema mais integrado, mas também um número maior de cobranças mensais.
A cadeia de produção ficou mais eficiente, mas ainda traz riscos
Cook ganhou destaque dentro da Apple antes mesmo de se tornar CEO por sua capacidade de organizar estoques e fornecedores.
Sua gestão aprofundou a produção na Ásia, especialmente na China, permitindo fabricar aparelhos em grande escala. Nos últimos anos, porém, essa concentração passou a representar um risco diante das tensões comerciais e políticas entre China e Estados Unidos.
A Apple começou a transferir parte da montagem para países como Índia e Vietnã. Essa diversificação deve continuar sob John Ternus, pois interrupções na cadeia de fornecedores podem atrasar lançamentos e elevar os preços dos produtos em diferentes mercados, inclusive no Brasil.
Quem é John Ternus, o novo CEO da Apple?
John Ternus é engenheiro mecânico e trabalha na Apple desde 2001. Antes de ingressar na empresa, atuou na Virtual Research Systems, fabricante de equipamentos ligados à realidade virtual.
Formado pela Universidade da Pensilvânia, ele entrou para a equipe de design de produtos da Apple e tornou-se vice-presidente de engenharia de hardware em 2013. Em 2021, foi promovido a vice-presidente sênior da área.
Ternus lidera as equipes responsáveis pela engenharia de produtos como:
- iPhone;
- iPad;
- Mac;
- Apple Watch;
- AirPods;
- Vision Pro.
Ele também participou diretamente da transição dos computadores Mac para os processadores Apple Silicon, considerada uma das mudanças tecnológicas mais relevantes da história recente da companhia.
Ao escolhê-lo, a Apple coloca um especialista em hardware no centro de suas decisões. Isso não significa que a empresa abandonará os serviços ou a inteligência artificial, mas sugere que a integração entre aparelho, chip e software continuará sendo uma prioridade.
O que pode mudar com John Ternus no comando?
Não é esperado que a Apple altere repentinamente sua estratégia. Mudanças em empresas desse tamanho costumam ocorrer de forma gradual, especialmente quando o sucessor faz parte da administração há décadas e o ex-CEO permanece como chairman executivo.
Mesmo assim, Ternus terá espaço para definir prioridades próprias. Uma das questões será recuperar a percepção de inovação em um período marcado pelo avanço acelerado da inteligência artificial.
Inteligência artificial será o primeiro grande teste
A Apple chegou à atual corrida da inteligência artificial generativa depois de concorrentes como Microsoft, Google e OpenAI. A implementação da Apple Intelligence também enfrentou adiamentos e limitações.
Para Ternus, o desafio não será apenas oferecer mais ferramentas de IA. Ele terá de integrar esses recursos aos aparelhos sem comprometer a privacidade, uma das principais promessas comerciais da empresa.
A nova geração da Siri terá papel central nesse processo. A assistente precisa compreender melhor o contexto, realizar tarefas entre aplicativos e oferecer respostas mais úteis para competir com sistemas mais modernos.
A Apple também poderá ampliar parcerias externas para acelerar o desenvolvimento. Essa alternativa reduz o tempo necessário para lançar recursos, mas aumenta a dependência tecnológica de outras empresas.
Novos aparelhos terão de justificar preços elevados
Outro desafio será convencer o consumidor a atualizar seus dispositivos. Nos últimos anos, as diferenças entre gerações de smartphones ficaram menos perceptíveis para parte do público.
No Brasil, esse problema ganha peso devido aos preços elevados e à variação do dólar. Muitos consumidores mantêm o mesmo iPhone por vários anos ou compram modelos de gerações anteriores.
Ternus precisará apresentar avanços capazes de justificar a troca, seja por meio de baterias melhores, novas câmeras, inteligência artificial, formatos diferentes ou maior integração entre dispositivos.
A empresa precisará administrar pressões regulatórias
A Apple enfrenta questionamentos sobre as regras da App Store, as taxas cobradas de desenvolvedores e as limitações impostas a sistemas de pagamento alternativos.
Decisões regulatórias nos Estados Unidos, na União Europeia e em outros países podem obrigar a empresa a abrir partes de seu ecossistema. Isso pode afetar uma fonte importante de receita e alterar a experiência oferecida aos usuários.
No Brasil, mudanças internacionais podem chegar aos aplicativos, aos meios de pagamento e às condições oferecidas aos desenvolvedores nacionais.
A troca de CEO afeta quem usa iPhone no Brasil?
Nenhuma mudança imediata foi anunciada para produtos, garantias, preços ou serviços. O iPhone, o iCloud, a App Store e as demais plataformas continuarão funcionando normalmente.
Também não há motivo para adiar a compra de um aparelho apenas por causa da troca de comando. Os produtos que chegarão ao mercado nos próximos meses foram desenvolvidos durante anos e já estavam previstos antes da posse de Ternus.
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Os efeitos da nova gestão deverão aparecer gradualmente. Eles podem ser percebidos em decisões como:
- ritmo de lançamento de novos produtos;
- expansão de recursos de inteligência artificial;
- política de preços e assinaturas;
- prioridade dada a determinados dispositivos;
- integração entre hardware e software;
- presença da companhia em mercados emergentes.
Para o consumidor brasileiro, câmbio, impostos, custos logísticos e estratégia comercial local continuarão tendo impacto mais imediato nos preços do que a substituição do CEO.
Tim Cook pode voltar a interferir nas decisões?
Como chairman executivo, Cook continuará exercendo influência. No entanto, a responsabilidade pela administração diária passará para John Ternus.
O conselho de administração fiscaliza a gestão, aprova decisões relevantes e representa os interesses dos acionistas. Já o CEO conduz as operações, define prioridades e coordena os principais executivos.
Essa divisão pode funcionar como uma transição assistida. Ternus ganha autonomia operacional, mas ainda conta com a experiência de Cook em negociações políticas, fornecedores e estratégia internacional.
Existe, porém, um cuidado importante: o novo CEO precisa conquistar espaço para estabelecer sua própria liderança. Caso a influência do antecessor seja excessiva, podem surgir dúvidas sobre quem realmente toma as decisões.
O que esperar da nova fase da Apple?
A posse de John Ternus não representa uma ruptura com o passado. Ele participou da criação de diversos produtos atuais e conhece profundamente o funcionamento interno da companhia.
Sua missão será preservar a força financeira construída por Cook enquanto enfrenta problemas que se tornaram mais urgentes: o avanço da inteligência artificial, a pressão sobre a App Store, a dependência da cadeia asiática e a necessidade de apresentar produtos realmente diferentes.
Tim Cook deixa o cargo com uma Apple maior, mais lucrativa e mais diversificada do que aquela que recebeu em 2011. Ao mesmo tempo, entrega uma empresa pressionada a provar que ainda consegue liderar grandes mudanças tecnológicas.
A partir de 1º de setembro, John Ternus será o responsável por essa resposta. Para o consumidor, nada muda de um dia para o outro. A verdadeira diferença será percebida nos produtos e nas decisões estratégicas dos próximos anos.
Perguntas frequentes sobre a troca de CEO da Apple

Tim Cook saiu definitivamente da Apple?
Não. Tim Cook deixa o cargo de CEO, mas passa a ser chairman executivo do conselho de administração. Ele continuará participando de decisões estratégicas e de determinadas relações institucionais.
Quando John Ternus assume como CEO?
John Ternus assume oficialmente o cargo de CEO da Apple em 1º de setembro de 2026. A nomeação foi anunciada pela companhia em 20 de abril.
Quem é John Ternus?
John Ternus é engenheiro mecânico e trabalha na Apple desde 2001. Ele lidera a engenharia de hardware da empresa e participou do desenvolvimento de produtos como iPhone, iPad, Mac, AirPods e Apple Watch.
Por que Tim Cook deixou o cargo?
A Apple apresentou a mudança como parte de um processo planejado de sucessão. Não foi anunciada nenhuma crise ou problema de saúde relacionado à decisão.
Os produtos da Apple vão mudar imediatamente?
Não. Os aparelhos que serão lançados nos próximos meses já estavam em desenvolvimento antes da troca de CEO. Mudanças estratégicas devem aparecer gradualmente.
A troca pode aumentar o preço do iPhone no Brasil?
Não existe relação direta entre a mudança de CEO e um aumento de preço. No Brasil, fatores como dólar, impostos, custos de importação e estratégia comercial costumam influenciar mais diretamente os valores.
Quem comandava a Apple antes de Tim Cook?
Tim Cook substituiu Steve Jobs em agosto de 2011. Jobs renunciou ao cargo por razões de saúde e morreu em outubro daquele ano.
Qual será o maior desafio de John Ternus?
A inteligência artificial está entre os principais desafios. Ele também precisará lidar com pressões regulatórias, cadeia de fornecedores, concorrência e necessidade de apresentar novos produtos relevantes.



