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Economista dispara: todos os brasileiros vão pagar a conta do caso Master, ninguém escapa

Caso Master expõe falhas no sistema financeiro. Descubra como investidores e o FGC serão impactados e como o BC.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Banco Master

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC), reacende o debate sobre privatização de lucros e socialização de prejuízos. O economista Roberto Luis Troster, ex-chefe da Febraban, observa que a crise do Master afetará todos os brasileiros de alguma forma.

Segundo Troster, o impacto vai além dos R$ 41 bilhões que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) precisará cobrir. Uma série de investidores perdeu recursos e, indiretamente, todos os contribuintes e depositantes acabam contribuindo para absorver parte do prejuízo.

Continue lendo para entender os impactos da crise do Master e o papel do FGC e do Banco Central.

Leia mais: Itaprevi solicita auditoria ao BC por caso Banco Master

FGC e o maior resgate da história

O FGC, que funciona como uma espécie de seguradora privada para depósitos bancários, terá que ressarcir 1,6 milhão de investidores do Master. A instituição cobre valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, respeitando o teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

O montante a ser pago pelo FGC representa um terço do seu caixa, que soma R$ 122 bilhões. Para se ter ideia, o maior resgate anterior, do Banco Bamerindus em 1997, somou R$ 3,7 bilhões, equivalente a R$ 19,6 bilhões corrigidos pela inflação.

Com a liquidação do Master, há uma pressão sobre o fundo para receber novos aportes das instituições financeiras associadas, levantando debates sobre restrições e mudanças na cobertura do FGC.

Daniel Vorcaro e as acusações contra o Master

O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso preventivamente em 17 de novembro, acusado de fraude de R$ 12,2 bilhões contra o sistema bancário. A prisão foi mantida pela Justiça, após negativa de habeas corpus solicitado pela defesa.

A quebra do Master evidencia falhas graves de gestão e regulação, com crescimento acelerado da carteira de ativos de R$ 36 bilhões em dezembro de 2023 para R$ 63 bilhões em dezembro de 2024. A estratégia incluiu emissão de CDBs com retorno acima do mercado e investimentos em ativos pouco líquidos, como precatórios e participações em empresas em dificuldades.

Investidores e a conta do Master

Para especialistas, como Alexandre Jorge Chaia, professor do Insper, os custos do Master são, em última análise, suportados pelos investidores. Parte do retorno de aplicações como CDBs, LCIs e LCAs é destinada ao FGC, com taxa de cerca de 0,01% sobre os depósitos cobertos.

  • Investidores financiam a proteção: o fundo não absorve o prejuízo diretamente; os clientes assumem redução no retorno;
  • Cobertura limitada: o FGC garante até R$ 250 mil por instituição, mas o valor líquido de cada investidor pode ser menor dependendo da concentração de depósitos;
  • Diversificação é essencial: aplicar apenas em uma instituição pode aumentar riscos;

Chaia explica: “O dinheiro não é dos bancos. É dos investidores que criam o colchão de proteção.”

Falhas de regulação no caso Master

Economistas e especialistas concordam que houve falhas de regulação do sistema financeiro, permitindo que o Master chegasse à situação crítica. Entre os problemas detectados:

  1. Crescimento acelerado da emissão de CDBs com retornos acima do mercado;
  2. Investimentos arriscados em ativos pouco líquidos;
  3. Intervenção tardia do Banco Central;
  4. Falta de mecanismos eficazes para limitar alavancagem excessiva.

Troster destaca que o BC demorou a agir, mas conseguiu impedir contágio sistêmico, como a fusão com o BRB, barrada em setembro. Para Chaia, a regulação histórica foi leniente, especialmente com bancos pequenos e médios que captam recursos por meio de plataformas digitais.

O papel das plataformas digitais

Cerca de R$ 36 bilhões dos CDBs emitidos pelo Master estavam distribuídos pelas três maiores plataformas digitais de investimento: XP, BTG Pactual e Nubank.

  • Intermediação legal: plataformas funcionaram como corretoras, sem responsabilidade sobre fraudes;
  • Marketing com garantia do FGC: a cobertura de até R$ 250 mil por investidor foi usada como atrativo para investidores;
  • Expansão bancária: o caso evidencia o risco de crescimento acelerado sem controle de ativos e liquidez.

Apesar da exposição, especialistas minimizam a culpa das plataformas, ressaltando que elas apenas intermediavam títulos que operavam dentro da legalidade até a eclosão da crise.

Possíveis mudanças no FGC

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Após a crise do Master, há discussões sobre ajustes no FGC:

  • Redução do valor segurado (atualmente R$ 250 mil);
  • Cobertura apenas do principal investido, sem rendimentos.

A intenção seria estimular análise de risco pelos investidores e reduzir investimentos excessivamente concentrados em bancos pequenos. Troster defende reduzir o valor segurado, mas Chaia critica qualquer medida que prejudique investidores, defendendo foco na regulação da alavancagem e riscos dos bancos.

Ações recentes do Banco Central

Em resposta ao caso Master, o Banco Central endureceu regras sobre alavancagem de instituições associadas ao FGC. A partir de junho do próximo ano:

  • Bancos com alavancagem superior a 10 vezes o patrimônio líquido ajustado deverão investir excedentes em títulos públicos federais;
  • Medida visa reduzir riscos de exposição excessiva e prevenir futuras crises;
  • A regulação busca manter equilíbrio entre segurança e competitividade do sistema financeiro.

Essas ações mostram a tentativa do BC de corrigir falhas estruturais sem prejudicar o crescimento de bancos pequenos e médios.

O caso Master deixa clara a necessidade de maior fiscalização, transparência e regulação do sistema financeiro. Apesar de impactar diretamente o FGC e investidores, o Banco Central conseguiu evitar contágio sistêmico, mantendo a estabilidade do setor.

As lições vão desde a importância de diversificação de investimentos até a urgência de regulamentação mais rígida para prevenir alavancagem excessiva e práticas de risco em bancos menores.

Com informações de: BBC News Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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