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Número de trabalhadores por app sobe 25% no Brasil

Levantamento do IBGE mostra que o número de brasileiros que trabalham por aplicativos cresceu 25,4% entre 2022 e 2024.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Entregadores trabalhadores

O número de brasileiros que trabalham por meio de aplicativos cresceu 25,4% em 2024, em comparação com 2022. O total passou de 1,3 milhão para quase 1,7 milhão de pessoas — um aumento de 335 mil trabalhadores.

Crescimento expressivo no mercado digital

Mão segurando guidão de motocicleta trabalhadores
Imagem: Nirat.pix / shutterstock.com

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Em dois anos, o percentual de trabalhadores por aplicativo dentro da população ocupada também cresceu. Em 2022, eles representavam 1,5% dos 85,6 milhões de ocupados no país. Já em 2024, essa fatia alcançou 1,9% dos 88,5 milhões de trabalhadores brasileiros.

Tipos de aplicativos mais usados

Tipo de aplicativoParticipação (%)
Transporte particular de passageiros (excluindo táxis)53,1%
Entrega de comida e produtos29,3%
Serviços gerais ou profissionais (como designers e médicos)17,8%
Táxi13,8%

Informalidade predomina entre os “plataformizados”

A informalidade é uma característica marcante entre os trabalhadores por aplicativo. Enquanto 44,3% da população ocupada no país está na informalidade, entre os chamados “plataformizados”, esse número sobe para 71,1%.

O IBGE considera informais os trabalhadores sem carteira assinada ou sem CNPJ.

SituaçãoPercentual
Conta própria86,1%
Empregadores6,1%
Empregados sem carteira3,9%
Empregados com carteira3,2%

Perfil do trabalhador por aplicativo

O levantamento também traçou o perfil sociodemográfico dos trabalhadores. A pesquisa mostra predominância masculina, concentração na faixa etária entre 25 e 39 anos e escolaridade intermediária.

Gênero

Homens representam 83,9% dos trabalhadores por aplicativo, enquanto as mulheres são 16,1% — proporção bem inferior aos 41,2% de participação feminina na força de trabalho geral do país.

Faixa etária

  • 25 a 39 anos: 47,3%
  • 40 a 59 anos: 36,2%
  • 18 a 24 anos: 12,5%
  • 60 anos ou mais: 4%

Escolaridade

  • Médio completo e superior incompleto: 59,3%
  • Superior completo: 16,6%
  • Fundamental completo e médio incompleto: 14,8%
  • Sem instrução ou fundamental incompleto: 9,3%

Esses dados indicam que a maior parte dos trabalhadores por app tem nível médio de escolaridade, o que reflete um público que busca oportunidades flexíveis em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

Sudeste concentra mais da metade dos trabalhadores

A distribuição regional também mostra forte concentração. Mais da metade dos trabalhadores por aplicativo estão no Sudeste (53,7%), seguido por:

  • Nordeste: 17,7%
  • Sul: 12,1%
  • Centro-Oeste: 9%
  • Norte: 7,5%

O Sudeste é a única região onde a participação de trabalhadores por app na população ocupada (2,2%) supera a média nacional (1,9%).

Metodologia da pesquisa

O levantamento do IBGE foi realizado no terceiro trimestre de 2024, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Ministério Público do Trabalho (MPT).

A pesquisa incluiu apenas pessoas que têm os aplicativos como principal forma de intermediação de trabalho, excluindo quem utiliza as plataformas apenas como fonte secundária de renda.

Segundo o IBGE, essa exclusão não afeta a relevância dos resultados, já que menos de 3% da população ocupada exerce uma segunda atividade.

O estudo ainda é considerado experimental, pois está em fase de aperfeiçoamento metodológico. A próxima edição, prevista para 2025, deverá incluir plataformas de comércio eletrônico e outras modalidades digitais.

Debate sobre vínculo empregatício chega ao STF

Enquanto o número de trabalhadores por aplicativo cresce, o debate sobre as condições de trabalho e a existência de vínculo empregatício entre esses profissionais e as plataformas digitais chega ao Supremo Tribunal Federal (STF).

As empresas do setor negam vínculo trabalhista e defendem que os profissionais atuam de forma autônoma. Já os representantes dos trabalhadores argumentam que há subordinação e controle das plataformas, o que configuraria relação de emprego.

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se a favor das empresas, reforçando que não há vínculo direto. O julgamento do caso deve ocorrer no início de novembro, segundo o presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Tendência de crescimento e desafios

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Imagem: Halytskyi Olexandr/ Shutterstock

O aumento expressivo do número de trabalhadores por aplicativo reflete mudanças estruturais no mercado de trabalho brasileiro, marcado pela busca de renda imediata, flexibilidade e ausência de burocracia.

Entretanto, especialistas alertam que a expansão também expõe problemas sociais, como a alta informalidade, falta de proteção previdenciária e riscos trabalhistas.

Para o IBGE, acompanhar esse fenômeno é essencial para entender como o avanço das plataformas digitais impacta as relações de trabalho e a economia do país.

FAQ – Perguntas frequentes

1. Quantos trabalhadores por aplicativo existem no Brasil em 2024?
Segundo o IBGE, cerca de 1,7 milhão de pessoas têm os aplicativos como principal meio de trabalho.

2. Qual foi o crescimento em relação a 2022?
O aumento foi de 25,4%, o que representa 335 mil novos trabalhadores.

3. Quais são os aplicativos mais utilizados?
As principais categorias são transporte de passageiros, entrega de produtos, serviços gerais e táxis.

4. Há vínculo empregatício entre trabalhadores e plataformas?
A questão está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve decidir em novembro de 2025.

5. Qual o principal perfil desses trabalhadores?
Homens, entre 25 e 39 anos, com ensino médio completo e atuando principalmente como motoristas ou entregadores.

6. Qual é o nível de informalidade nesse grupo?
Entre os trabalhadores por aplicativo, 71,1% estão em situação informal, segundo o IBGE.

Considerações finais

O avanço do trabalho por aplicativos no Brasil revela uma transformação significativa no mercado de trabalho. Enquanto cresce o número de pessoas atraídas pela flexibilidade e renda extra, aumenta também o desafio de garantir direitos e segurança a quem movimenta essa nova economia digital.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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