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Trabalho por aplicativo: renda cai e jornada de trabalho aumenta

Trabalho por aplicativo: ganhos diminuem enquanto horas de trabalho aumentam. Descubra os desafios enfrentados pelos trabalhadores.

Helena SerpaPor Helena Serpa2 min de leitura
Motorista da Uber ou da 99 tocando na tela do celular.

Um recente estudo conduzido pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) revisitou a precarização das condições de trabalho para motoristas e entregadores que operam via aplicativos no Brasil. A pesquisa revela que, a despeito da flexibilidade prometida por essas plataformas, muitos trabalhadores enfrentam jornadas extenuantes com remunerações menores.

Sandro Sacchet e Mauro Oddo, técnicos de planejamento e pesquisa do Ipea, apontam uma queda significativa na renda média e na cobertura previdenciária dos trabalhadores deste setor, contrastando com o aumento das horas de trabalho semanais. Esses fatores indicam uma tendência de deterioração das condições de trabalho, apesar do aumento da demanda e da popularidade do modelo de negócio.

Quais são as descobertas sobre a jornada e renda dos trabalhadores?

Segundo o estudo, entre 2012 e 2022, o número de motoristas de transporte de passageiros aumentou de 400 mil para 1 milhão. No entanto, o rendimento médio desses profissionais caiu de R$ 3,1 mil para menos de R$ 2,4 mil. Além disso, a proporção de trabalhadores que jornada entre 49 e 60 horas semanais cresceu significativamente, indo de 21,8% para 27,3% no mesmo período.

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Imagem: Nirat.pix / shutterstock.com

Já no segmento de entregadores, a pesquisa do Ipea mostra uma realidade similar. Em 2015, havia 56 mil trabalhadores nessa categoria com uma renda média de R$ 2,250 mil. Seis anos depois, o número de entregadores subiu para 366 mil, mas com uma queda na renda média para R$ 1,650 mil. A falta de contribuição previdenciária também se destacou, apresentando uma queda acentuada entre os anos analisados.

O que dizem os órgãos de representação do setor de aplicativos?

Em resposta ao estudo, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) argumentou que as metodologias utilizadas poderiam impactar os resultados, citando especificidades como a área geográfica da pesquisa e as características dos entrevistados que utilizam os aplicativos como complemento de renda.

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A associação defende que, apesar das particularidades do trabalho intermediado por plataformas, esse tipo de atividade não é menos digno que ocupações tradicionais. Ainda para a Amobitec, uma pesquisa realizada pelo Datafolha em 2021 mostrou que a maioria dos brasileiros considera o trabalho por aplicativos como uma ocupação digna, e muitos dos trabalhadores pretendem continuar na modalidade.

Imagem: Rostislav_Sedlacek / Shutterstock.com

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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